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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FUNDATEC 2024

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa594458
Banca
FUNDATEC
Órgão
ALERS
Ano
2024
Cargo
Ag Pol Leg ( )

Racismo é um problema, sim!

 

Por Carlos Padeiro

 

Uma banana aparece no meio de um campo de futebol. Em outro, torcedores imitam macacos na arquibancada. Racismo e xenofobia estão presentes no futebol, principalmente para jogadores estrangeiros defendendo clubes europeus. E não há uma ação efetiva por parte das autoridades para eliminar esse                .

 

Marcel Diego Tonini, pesquisador de história da Universidade de São Paulo (USP), dedicou quase dez anos para estudar a discriminação no futebol. Ele coletou histórias como a ocorrida no Campeonato Sul-Americano de 1920 – torneio que hoje equivale à Copa América –, em que a seleção brasileira viajou ao Chile sem jogadores negros. Após o torneio, a delegação fez escala em Buenos Aires para um amistoso                    contra a Argentina. Foi quando o jornal local “Crítica” publicou uma crônica intitulada “Monos em Buenos Aires: um saludo a los ‘ilustres huespedes’” (Macacos em Buenos Aires: uma saudação aos ilustres hóspedes, em tradução livre)

 

O jornal usa o termo “macaquitos”, um hibridismo de macaqu- (de macaquinho, em português) e -ito (de monito, em espanhol). Acompanha o texto uma caricatura com macacos vestindo o uniforme da seleção brasileira. A delegação nacional foi à redação do jornal para interpelar os responsáveis, e sete jogadores se recusaram a entrar em campo.

 

Para o historiador Marcel Diego Tonini, “ao animalizar, desumanizar e reduzir os brasileiros a um                  , a caricatura não só reflete o racismo de quem a desenhou e de quem a usou como ilustração do texto, mas também encoraja o comportamento racista de outros. Feito em 1920, esse desenho introduziu um estigma acerca dos brasileiros, enquanto "macaquitos", que foi reproduzido ao longo do tempo no universo do futebol e fora dele.

 

Nas histórias de dezesseis brasileiros negros que atuaram na Europa, o pesquisador Marcel Tonini ouviu uma série de reações contra o racismo. Alguns usaram a dedicação total ao trabalho para obter o reconhecimento europeu pelo suor. Outro grupo resistiu com dribles, gols e títulos e se “impôs pelo talento”, como diz Paulo Cézar Caju. Teve gente até usando ironia e ridicularizando o ato racista – Gilberto Silva, por exemplo, encarava os torcedores preconceituosos e mostrava a língua, ria e beijava a pele. Era a demonstração do orgulho de ser negro.

 

Falta, porém, uma união entre futebolistas negros em geral, não apenas brasileiros, para aprofundar a discussão, traçar objetivos coletivos e conclamar a opinião pública e as instituições competentes na luta antirracista, a fim de propor e exigir novas medidas e maneiras de enfrentamento.

 

“O futebol pode ocupar um papel social importante na tentativa de dar um basta no racismo e ensinar novos valores. É preciso pensar de que maneira os jogadores podem contribuir diante desse problema. Eles têm visibilidade, têm espaço para atuar coletivamente. A partir do momento em que eles tomarem uma posição, podem transformar a sociedade, porque são exemplos para muita gente”, diz o historiador da USP.

 

(Disponível em: www.uol/esporte/especiais/racismo-e-xenofobia-no-futebol.htm#racismo-e-um-problema-sim – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a correta ortografia das palavras em Língua Portuguesa, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto.
  1. Amau – beneficiente – esteriótipo
  2. Bmau – beneficente – estereótipo
  3. Cmau – beneficiente – estereótipo
  4. Dmal – beneficente – estereótipo
  5. Emal – beneficiente – esteriótipo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — mal – beneficente – estereótipo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ortografia: mal, beneficente e estereótipo — Gabarito: letra D.

A sequência correta é mal – beneficente – estereótipo, como se lê no texto: “Racismo e xenofobia estão presentes no futebol... e não há uma ação efetiva por parte das autoridades para eliminar esse mal” e, mais adiante, “a caricatura não só reflete o racismo... mas também encoraja o comportamento racista de outros” — a palavra que preenche a segunda lacuna é beneficente (com “c” e sem “i” após o “c”), e a terceira é estereótipo (com “e” após “t” e acento no “ó”). A alternativa D é a única que traz as três grafias corretas.

O comando pede que você preencha as lacunas com a ortografia correta das palavras. Isso é uma questão de memorização de grafia, mas também de sentido: a primeira lacuna exige distinguir mal (advérbio, oposto de “bem”) de mau (adjetivo, oposto de “bom”). No texto, a lacuna está após o verbo “eliminar” e antes de “esse”, funcionando como substantivo — “esse mal” = “essa coisa ruim”. Portanto, mal é a forma correta, pois mau é adjetivo e não poderia ser precedido de “esse” sem substantivo.

A técnica para resolver é simples: teste cada palavra no contexto. Para a primeira, pergunte: “eliminar esse quê?” — se a resposta for “coisa ruim”, é mal; se for “homem ruim”, seria mau. Para a segunda, lembre-se: beneficente (que faz o bem) escreve-se com “c” e sem “i” após o “c” — a forma “beneficiente” não existe na norma culta. Para a terceira, estereótipo (ideia fixa, clichê) tem “e” após o “t” e acento agudo no “ó” — “esteriótipo” é erro comum, mas não é a grafia correta.

NÃO CAIA NESSA!

Para não confundir mal e mau, use o oposto: se o oposto for “bem”, é mal; se for “bom”, é mau. Ex.: “ele está mal” (oposto: “bem”) vs. “ele é um mau aluno” (oposto: “bom”).

Mal × Mau
  • 1Mal
    • Oposto de "bem"
    • Advérbio ou substantivo
    • "esse mal" (coisa ruim)
  • 2Mau
    • Oposto de "bom"
    • Adjetivo
    • "mau aluno"
  • 3Beneficente × Beneficiente
    • Beneficente
      • Grafia correta (com "c", sem "i")
    • Beneficiente
      • Não existe na norma culta
  • 4Estereótipo × Esteriótipo
    • Estereótipo
      • Grafia correta ("e" após "t", acento no "ó")
    • Esteriótipo
      • Erro comum
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Alternativa A — ❌ Incorreta

mau – beneficiente – esteriótipo: erra nas três. mau não cabe (é adjetivo, não substantivo); beneficiente não existe; esteriótipo é grafia incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

mau – beneficente – estereótipo: acerta as duas últimas, mas erra a primeira. mau não pode ser usado como substantivo no contexto “esse mal”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

mau – beneficiente – estereótipo: erra a primeira (mau) e a segunda (beneficiente). A terceira está correta, mas não compensa os erros.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

mal – beneficente – estereótipo: as três grafias estão corretas e adequadas ao contexto. mal é substantivo/advérbio, beneficente é a forma culta, estereótipo é a grafia correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

mal – beneficiente – esteriótipo: acerta a primeira, mas erra as duas últimas. beneficiente e esteriótipo são formas incorretas.

Conclusão: a banca testa o domínio de grafias que geram dúvida frequente. A regra de ouro: confira cada palavra isoladamente e desconfie de variações que “parecem” corretas, como “beneficiente” e “esteriótipo”.

Gabarito: letra D

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