Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa594472
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Miracema
Ano
2024
Cargo
Adv ( )
Quem paga a conta? O retrato da crise climática é a desigualdade


      Era agosto de 2019, por volta das 15h30, o céu do país todo ficou encoberto, transformando o que era para ser dia em noite. Todos sem entender o que estava acontecendo. Agora, novembro de 2023, calor extremo com sensação térmica de até 60°C em alguns estados. Chuvas torrenciais com ventos que ultrapassavam 10 km/h. Infelizmente, esses acontecimentos têm como causa uma resposta que já é praticamente automática: crise climática.

        Há pouco mais de 30 anos, com o início na ECO-92, que posteriormente culminou na COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), as primeiras agendas globais sobre mudanças climáticas eram construídas. Empresas e países têm buscado formas de reduzir as emissões de gases do efeito estufa para diminuir o ritmo do aquecimento global.

       Entretanto, o alarde justo e necessário sobre as mudanças climáticas demanda uma reflexão que não pode ficar encoberta como o céu cheio de fumaça daquele agosto de 2019. Para alguns menos imediata, ela vai além dos fenômenos da natureza e está muito mais relacionada à distribuição de renda. Uma parcela da população ainda é esquecida, tanto pelo setor público quanto pelo privado, ao falarmos nos impactos da ação do homem no planeta: os mais pobres. [...]

      Mesmo as queimadas ocasionadas pelo desmatamento ilegal na Amazônia, que encobriram diversos estados do país em 2019, dão um exemplo de como as populações mais vulneráveis são potencialmente mais afetadas por um problema que é de todas as pessoas. Ao retornar em forma de fumaça e fuligem para as periferias, as queimadas contribuem para o desenvolvimento de doenças respiratórias que, somadas às longas filas nos serviços públicos, se tornam problemas graves para essas populações.

        Por sua vez, o calor extremo que vivenciamos nas últimas semanas transforma os “barracos” em verdadeiros fornos, por ainda utilizarem materiais mais baratos que contribuem para a retenção do calor no recinto. Sem mencionar a junção do calor com a falta de abastecimento contínuo de água em algumas regiões, que obriga essas famílias a armazenar água em garrafas PET para beber.

      Os dias de frio e chuva também não são amenos em termos de problemas climáticos acentuados. Além dos alagamentos e queda de encostas que drasticamente vitimam pessoas, os danos persistem com regiões periféricas inteiras que são “esquecidas” sem água e luz por semanas.

       Nessa matemática do acúmulo, as parcelas mais privilegiadas da sociedade são também as mais beneficiadas o que acaba aumentando o abismo da desigualdade social. Isso destinou à população mais pobre um retrato doloroso de desigualdade, uma realidade que infelizmente acompanho diariamente com as famílias que atendemos na ONG PAC. [...]

        Entre as guias dos ODS, temos a “educação de qualidade”, que considero uma das principais ferramentas para o enfrentamento da crise climática. Explico: investir na educação significa promover oportunidades e, mais ainda, atuar para a conscientização sobre a sustentabilidade desde a infância. Além disso, é por meio do incentivo à educação que podemos pensar em novas tecnologias sustentáveis que tenham como pressuposto o uso de materiais de baixo custo e que de fato atendam a populações mais vulneráveis.

        O impacto positivo do investimento na educação e formação profissional vai além, especialmente quando pensamos nas periferias. Contribuir com o desenvolvimento pessoal e profissional desses novos talentos significa promover uma mudança de vida estrutural, já que esse jovem retornará para a comunidade esses conhecimentos e se tornará espelho para os demais.

      Para que isso ocorra, é fundamental a construção de políticas públicas de incentivo, em que empresas apoiem projetos educacionais, a partir da percepção de sua urgência e de que não há possibilidade de um futuro sem impactos da crise climática sem investir na educação.

        O que não dá mais é para esperar, o planeta já se cansou faz tempo. Do contrário, continuaremos remando contra a maré, em uma conta que só cresce a cada dia e continua sendo paga por quem tem menos.


(Rosane Chene. Disponível: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/. Adaptado.)

Os verbos classificados como impessoais têm características específicas e são determinadas de acordo com o significado que expressam considerando o contexto em que estão inseridos como ocorre em “Há pouco mais de 30 anos, [...]”. Assim, indique, a seguir, a alternativa em que há correção de acordo com a norma padrão da língua.

  1. APoderão haver pessoas dignas de alcançar tal premiação?
  2. BHavia mais problemas do que haviam relatado anteriormente.
  3. CHaverão conflitos de interesses mediante a busca de um mesmo objetivo?
  4. DA cada dia, haverão possibilidades reais para solução de problemas; desde que haja pessoas dispostas a realizá-las.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Havia mais problemas do que haviam relatado anteriormente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância com o verbo "haver": impessoal × pessoal

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que respeita a norma padrão: o verbo haver no sentido de existir é impessoal e fica sempre na 3ª pessoa do singular, mesmo quando o objeto é plural. Em "Havia mais problemas do que haviam relatado anteriormente", o primeiro "havia" está correto (existiam problemas), e o segundo "haviam" também está correto, pois ali o verbo haver é pessoal — equivale a "tinham relatado", com sujeito oculto "eles". A banca cobra exatamente essa distinção entre o haver impessoal (existir) e o haver pessoal (ter/possuir).

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a alternativa correta segundo a norma padrão. Isso significa que você deve testar cada frase quanto à concordância verbal, especialmente com o verbo haver. A questão menciona o trecho do texto "Há pouco mais de 30 anos" para contextualizar o uso impessoal do verbo, mas a resolução depende da regra gramatical, não do conteúdo do texto.

A regra que decide a questão

O verbo haver tem dois comportamentos distintos:

  1. Impessoal — quando significa existir, acontecer ou indica tempo decorrido. Nesse caso, não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular: "Há muitos problemas", "Houve vários acidentes", "Havia mais problemas".

  1. Pessoal — quando significa ter, possuir ou estar na obrigação de. Nesse caso, tem sujeito e concorda normalmente: "Eles haviam de chegar cedo" (locução verbal), "Eles haviam muitos bens" (arcaísmo – ter, possuir).

Atenção à locução verbal: quando o verbo haver (impessoal) é o verbo auxiliar de uma locução, ele contamina o verbo principal, que também fica no singular. Exemplo: "Deve haver soluções" (e não "Devem haver soluções"). Isso é o que derruba as alternativas A, C e D.

Análise das alternativas

Verbo "haver"
  • 1Impessoal (existir/acontecer/tempo)
    • Sem sujeito
    • Sempre 3ª pessoa do singular
    • Em locução: contamina o auxiliar
      • "Poderá haver"
      • "Deve haver"
  • 2Pessoal (ter/possuir)
    • Tem sujeito
    • Concorda normalmente
    • "Haviam relatado" = tinham relatado
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Poderão haver pessoas dignas de alcançar tal premiação?"

Erro: o verbo haver no sentido de existir é impessoal; em locução verbal, o auxiliar poder deve ficar no singular: "Poderá haver pessoas". A forma "poderão haver" está incorreta. Erro do catálogo: contradiz a regra de concordância em locução verbal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Havia mais problemas do que haviam relatado anteriormente."

Correta: o primeiro "havia" é impessoal (existiam problemas) — singular correto. O segundo "haviam" é pessoal, equivalente a "tinham relatado", com sujeito oculto "eles" (os problemas). A concordância está perfeita: impessoal no singular, pessoal no plural.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Haverão conflitos de interesses mediante a busca de um mesmo objetivo?"

Erro: "haverão" está no plural, mas o verbo haver no sentido de existir é impessoal e deve ficar no singular: "Haverá conflitos". Erro do catálogo: contradiz a regra de impessoalidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A cada dia, haverão possibilidades reais para solução de problemas; desde que haja pessoas dispostas a realizá-las."

Erro: mesmo problema da C: "haverão" deveria ser "haverá" (impessoal). A segunda parte "haja pessoas" está correta (impessoal no singular), mas o erro na primeira parte invalida a alternativa. Erro do catálogo: contradiz a regra de impessoalidade.

Conclusão

A questão testa a distinção entre o haver impessoal (existir, acontecer, tempo decorrido — sempre singular) e o haver pessoal (ter, possuir — concorda com o sujeito). A alternativa B é a única que aplica corretamente as duas regras. Gabarito: letra B.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "haver" em uma questão, pergunte: "qual é o sentido?" Se for existir/acontecer/tempo, é impessoal e fica no singular, mesmo em locução verbal. Se for ter/possuir, é pessoal e concorda com o sujeito.

Link permanente: /questoes/qa594472