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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FUNDATEC 2024

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
qa594496
Banca
FUNDATEC
Órgão
ALERS
Ano
2024
Cargo
Proc ( )

A Boa Linguagem

 

Por Eduardo Sabagg

 

O pensamento humano organiza-se, articula-se e ganha nitidez à medida que o indivíduo exercita a linguagem.

 

Quanto mais nos esforçamos para exprimir nossas ideias de modo claro, mais alcançamos essa virtude rara na comunicação.

 

Isso nos leva a admitir que a escrita pode ser aprimorada ao longo do tempo. É sabido que não se consegue fluência em um idioma sem contínuo esforço.

 

É importante também que se frise que há idiomas e idiomas, isto é, não há parâmetros de comparação entre nosso riquíssimo vernáculo e outras línguas do globo. Espalhados pelos cinco continentes, somos mais de 240 milhões de cultores de um idioma sedutor e rico. Nesse passo, Analu Fernandes obtempera: A língua portuguesa não é difícil. É rica.

 

Essa riqueza, que se mostra pelo brilho de uma gramática lógica e empolgante, tem que ser perscrutada e assimilada, cotidianamente. À proporção que se aperfeiçoa a linguagem, aprimora-se o modo de pensar porque o desenvolvimento da linguagem permite a organização do pensamento e a exteriorização deste em toda a sua complexidade. O esforço trará a consecução do resultado querido: o sucesso na transmissão do pensar. Aliás, “o que é escrito sem esforço é geralmente lido sem prazer” (Samuel Johnson).

 

Como se pode notar, a boa linguagem passa por organização das ideias, com o propósito de que o pensamento, uma vez disciplinado, possa se traduzir em convencimento de outrem.

 

A expressão do pensamento é uma manifestação humana, que pode se representar pela exteriorização da fala, de gestos, da escrita ou de comportamento.

 

É vital, para uma escrita a contento, que se conceba de antemão a ideia querida, refletindo- a em um processo de ruminação mental, com o fito de manifestá-la com a clareza e a objetividade da boa linguagem. Com efeito, aquilo que se pretende enunciar deve ser bem concebido, com uma detida reflexão da manifestação pretendida. Repise-se que a reflexão é pré- requisito para a expressão.

 

É necessário pensar detidamente sobre um assunto, uma ideia, antes de expressá-la. O pensamento, em sua origem, é uma massa disforme que, aos poucos, vai ganhando ordem e corporificação, na busca das palavras exatas que servirão para transmiti-lo.

 

Em nosso dia a dia, no entanto, não nos dedicamos a essa prática, ao cultivar hábitos impulsivos de exteriorização de ideias, o que torna o texto escrito tradutor de lampejos mentais irrefletidos.

 

(Disponível em: Sabbag, Eduardo. Manual de português jurídico / Eduardo Sabbag. — 7. ed. reform. e atual. — São Paulo: Saraiva, 2013. – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que poderia substituir corretamente o vocábulo “obtempera” sem causar alterações significativas ao sentido do trecho em que ocorre.
  1. AResponde.
  2. BRedargui.
  3. CReplica.
  4. DComenta.
  5. EContradiz.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Comenta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinônimos de “obtempera”: o contexto decide a substituição

Gabarito: letra D. A palavra que substitui “obtempera” sem alterar o sentido do trecho é “Comenta”, pois o verbo, no contexto, introduz uma fala de Analu Fernandes que acrescenta uma observação ao que o autor vinha dizendo — e não uma resposta, réplica ou contradição. Como se lê no texto: “Nesse passo, Analu Fernandes obtempera: ‘A língua portuguesa não é difícil. É rica’.” A citação que segue o verbo é uma asserção independente, um comentário que corrobora a ideia de riqueza do idioma, sem dialogar diretamente com um interlocutor.

O comando pede uma substituição vocabular sem alteração significativa de sentido — tarefa de semântica contextual. Não basta saber o significado isolado de “obtempera” (que, em dicionário, pode ser “responder”, “replicar”); é preciso observar como o verbo é usado no texto. A técnica é: identificar o papel discursivo da palavra no trecho e testar cada alternativa nesse mesmo papel. O verbo “obtemperar” vem do latim obtemperare (“obedecer”, “submeter-se”), mas, no português contemporâneo, adquiriu o sentido de “dizer, observar, comentar”, especialmente ao introduzir uma citação. No trecho, Analu Fernandes não está respondendo a uma pergunta, nem rebatendo uma objeção — ela está emitindo uma opinião que reforça o argumento do autor sobre a riqueza da língua.

A armadilha central desta questão é a falsa sinonímia por dicionário: as alternativas A, B, C e E trazem verbos que, isoladamente, podem aparecer como sinônimos de “obtempera” em um dicionário de sinônimos, mas que, no contexto, alteram o sentido porque introduzem uma relação dialógica (resposta, réplica, contradição) que o texto não estabelece. O verbo “obtemperar”, no trecho, funciona como um verbo de elocução que introduz o discurso direto de Analu Fernandes, mas sem a ideia de reação a um interlocutor — ela apenas comenta, isto é, acrescenta uma observação ao que o autor vinha dizendo.

Para resolver, o candidato deve ler o trecho com atenção ao contexto: quem fala? Para quem? Com que intenção? No trecho, o autor afirma que “há idiomas e idiomas” e que o português é “sedutor e rico”; em seguida, Analu Fernandes obtempera com a frase “A língua portuguesa não é difícil. É rica”. Essa fala não responde a uma pergunta, não replica uma objeção, não contradiz ninguém — ela corrobora o que o autor disse, funcionando como um comentário que reforça o argumento. Por isso, “comenta” é a substituição que preserva o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa sinonímia por dicionário: “obtempera” pode ser listado como “responder” ou “replicar”, mas no contexto introduz um comentário, não uma resposta a um interlocutor.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição vocabular, não confie no dicionário isolado; teste a palavra no contexto perguntando: “quem fala? para quem? com que intenção?”. Se a alternativa introduz uma relação (resposta, réplica, contradição) que o texto não estabelece, ela altera o sentido.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Responde” implica uma reação a uma pergunta ou provocação de um interlocutor. No trecho, Analu Fernandes não está respondendo a ninguém; ela está emitindo uma opinião que corrobora o que o autor disse. Substituir “obtempera” por “responde” insere uma relação dialógica que o texto não autoriza. Erro: extrapolação — acrescenta uma ideia de diálogo que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Redargui” significa responder com réplica, contestar, rebater. Esse verbo carrega um sentido de oposição ou defesa que não existe no trecho. Analu Fernandes não está contestando nada; ela está concordando com o autor. Substituir por “redargui” inverte o sentido do trecho, transformando um comentário corroborativo em uma contestação. Erro: contradiz o texto — introduz uma oposição que o texto não tem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Replica” também implica responder a uma objeção ou contestação. No trecho, não há objeção a ser rebatida; Analu Fernandes apenas comenta a riqueza da língua. Substituir por “replica” insere uma relação de réplica que não existe. Erro: extrapolação — acrescenta uma situação de debate que o texto não apresenta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Comenta” significa fazer um comentário, observar, dizer algo a respeito de um assunto. No trecho, Analu Fernandes comenta a língua portuguesa, dizendo que ela é rica. Esse verbo preserva o sentido de “obtempera” no contexto, pois ambos introduzem uma fala que acrescenta uma observação sem estabelecer relação de resposta, réplica ou contradição. A substituição é perfeita porque mantém o papel discursivo do verbo original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Contradiz” significa dizer o contrário, opor-se. No trecho, Analu Fernandes não contradiz o autor; ela corrobora a ideia de riqueza da língua. Substituir por “contradiz” inverte completamente o sentido, transformando um comentário de concordância em uma oposição. Erro: contradiz o texto — o verbo escolhido expressa o oposto do que o trecho comunica.

Conclusão: a questão cobra sinonímia contextual: não basta saber o significado isolado de “obtempera”; é preciso observar como o verbo é usado no texto. A única alternativa que preserva o sentido é “Comenta”, pois mantém o papel discursivo de introduzir uma fala que acrescenta uma observação, sem relação de resposta, réplica ou contradição. Gabarito: letra D.

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