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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa594511
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Miracema
Ano
2024
Cargo
Ass Soc ( )
Recordar é viver; dar e receber é uma troca virtuosa. Por que os idosos não podem falar?


             Ela foi condecorada na Bélgica como heroína na guerra contra o nazismo. Lutou em todas as frentes, desde a espionagem até em combates armados, sempre destacando-se entre os seus pares. Presa pelos nazistas, saltou do segundo andar da prisão para alcançar a liberdade. Na queda quebrou uma perna, o que não impediu a sua fuga.

              A sra. Glaz tinha a motivação dos judeus, era judia, na luta contra o nazismo. Ela era uma figura marcante. Nas reuniões dominava a conversação com os detalhes da sua vida heroica. Tornou-se uma personalidade. Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração.

          Evidentemente, a sua história, de tão repetida, foi perdendo interessados. Ela sentiu a perda da posição de destaque. Já que não tinha outra história, senão aquela, para ter ouvintes deveria mudar de ambiente. Foi o que fez. Descobriu nos cruzeiros marítimos um novo público. Cada nova troca de passageiros a colocava novamente em evidência. Era o que na sua idade avançada dava-lhe motivação para viver. Mantinha viva a sua história de heroína trocando os ouvintes. Assim passou a viver de cruzeiro em cruzeiro ganhando a admiração com o seu desempenho na guerra.

               A nossa heroína não diverge da totalidade das pessoas. Todos, jovens e idosos, têm narrativas que desejam partilhar. Os jovens têm no celular o seu instrumento de contatos. Eles se satisfazem com o uso da internet e pelo fato de estarem construindo histórias de novas descobertas e conquistas. Nunca estão isolados do mundo. Já os idosos só têm uma história e a repetem a cada oportunidade. É o que eles têm. Acontece que os seus circundantes demonstram, com frequência, desinteresse pelo caso repetido, o que afeta o seu ânimo.

            O ser humano certamente desenvolveu a capacidade de comunicar-se para suprir uma carência. Somos seres gregários. A nossa sobrevivência depende das trocas que fazemos com nossos semelhantes. A solidão é mortal. Recordar é viver. Dar e receber é uma troca virtuosa. E é contando e recontando as nossas experiências que damos significado ao nosso viver.

             Não basta estar na multidão se não houver o que ouvir ou que falar. O isolamento é um sentimento que vem da ausência de comunicação. Sentimento que atinge fortemente aqueles poucos que atingem uma idade avançada. Como nem todos têm condições de viver de cruzeiro em cruzeiro para desbravar novos ouvintes só resta a repetição. Porém esperar pela boa vontade e paciência dos outros é uma aposta perdida.

           Ninguém demonstra prazer em ouvir o mesmo pela segunda vez. E as reações são as mesmas, dizem: “Contam as mesmas histórias a cada novo contato”. A razão é que isto é o que elas têm e é o que preenche as suas necessidades de colocar em comum o que é seu. Poucos realizam esse ímpeto de comunicação, esse “dar de si” embute uma dose de generosidade.


(Jorge Wilson Simeira Jacob. Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/. Acesso em: 06/12/2023.)

Em relação ao fragmento “Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração.”, assinale a alternativa correta.

  1. AO advérbio “onde” indica movimento.
  2. BO advérbio “como” introduz circunstância de modo.
  3. CO verbo “terminava” indica uma ação no passado e totalmente concluída.
  4. DO tempo e o modo verbal “estar”, no contexto, indica uma ação anterior ao presente que ainda não foi concluída.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O advérbio “como” introduz circunstância de modo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Advérbio "como" e o valor do pretérito imperfeito

Gabarito: letra B. No fragmento "Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração", o vocábulo "como" é um advérbio de modo — ele introduz a circunstância de modo como a personagem "terminava" (ou seja, de que maneira ela se tornava o centro das atenções). A alternativa B é a única que descreve corretamente essa função. As demais erram ao atribuir ao "onde" ideia de movimento (A), ao "terminava" valor de ação concluída (C) e ao "estar" no contexto uma ação anterior não concluída (D).

O comando da questão

O enunciado pede que você analise o fragmento e assinale a alternativa correta sobre os elementos destacados. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: você precisa identificar a classe e o valor semântico de cada palavra no contexto. Não é interpretação de texto, mas sim análise morfossintática — o que exige conhecer as funções dos advérbios e dos tempos verbais.

O texto e o fragmento

O texto narra a história de uma heroína de guerra que, na velhice, busca novos ouvintes para repetir suas histórias. O fragmento em questão descreve como ela se comportava: "Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração." Ou seja, em qualquer lugar que estivesse, ela terminava sendo o centro das atenções. O verbo "terminava" está no pretérito imperfeito do indicativo, indicando uma ação habitual, contínua no passado — não uma ação pontual e concluída.

A técnica que decide

Para resolver, você precisa dominar três pontos:

  1. Advérbio "como": quando não é conjunção (comparativa, causal, conformativa), "como" pode ser advérbio de modo, respondendo à pergunta "de que maneira?". No fragmento, "terminava como o centro das atenções" = "terminava dessa maneira". É exatamente o valor de modo.

  1. Advérbio "onde": indica lugar (estático), não movimento. Movimento seria "aonde" (com verbo que exige a preposição "a", como "ir"). No texto, "Onde quer que estivesse" = "em qualquer lugar que estivesse" — lugar, não direção.

  1. Pretérito imperfeito: expressa ação habitual, contínua, não concluída no passado. "Terminava" = "costumava terminar", "sempre terminava". Não é ação concluída (isso seria pretérito perfeito: "terminou").

Análise das alternativas

1"como"
Advérbio de modo
"de que maneira?"
2"onde"
Lugar estático
Movimento seria "aonde"
3"terminava"
Pretérito imperfeito
Ação habitual, contínua
Não concluída
4"estivesse"
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Ação hipotética, eventual
Análise do fragmento
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Análise do fragmento: "como" (Advérbio de modo, "de que maneira?"); "onde" (Lugar estático, Movimento seria "aonde"); "terminava" (Pretérito imperfeito, Ação habitual, contínua, Não concluída); "estivesse" (Pretérito imperfeito do subjuntivo, Ação hipotética, eventual)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração."

O advérbio "onde" indica lugar, não movimento. Para indicar movimento, usaríamos "aonde" (ex.: "Aonde você vai?"). No fragmento, "onde" = "em qualquer lugar", ou seja, lugar estático. A alternativa extrapola ao atribuir movimento a um advérbio de lugar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração."

O vocábulo "como" é um advérbio de modo: indica a maneira como ela "terminava" (de que forma se tornava o centro). A pergunta "como terminava?" — "como o centro das atenções" — revela o valor modal. É a única alternativa que descreve corretamente a função no contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração."

O verbo "terminava" está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ação habitual, contínua, não concluída no passado. "Terminava" = "costumava terminar", "sempre terminava". A alternativa contradiz o texto ao afirmar que a ação é "totalmente concluída" — isso seria o pretérito perfeito ("terminou").

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Onde quer que estivesse terminava como o centro das atenções e da admiração."

O verbo "estar" está no pretérito imperfeito do subjuntivo ("estivesse"), indicando uma ação hipotética, eventual no passado, não uma ação "anterior ao presente que ainda não foi concluída". Essa descrição se encaixaria no pretérito perfeito composto ou no mais-que-perfeito, não no imperfeito do subjuntivo. A alternativa troca o conceito de tempo/modo verbal.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de analisar o valor semântico das palavras no contexto. A alternativa B é a única correta, pois "como" é advérbio de modo. As demais erram ao confundir lugar com movimento, imperfeito com perfeito, e subjuntivo com indicativo. Gabarito: letra B.

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