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Questão de Português — Conjunção — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa594569
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Miracema
Ano
2024
Cargo
Enf ( )

Celular é o novo cigarro: como o cérebro reage às notificações de apps e por que elas viciam tanto

 

Conferir notificações, curtidas e o feed de redes sociais já são hábitos comuns para quem tem um smartphone na mão. O simples som de uma notificação pode trazer uma sensação boa, mas, ao mesmo tempo, afetar o controle dos nossos impulsos. E, assim como o cigarro ou outros vícios, o uso constante do celular também pode se tornar uma dependência.

 

Tudo isso é um processo químico, que ocorre dentro do nosso cérebro através da dopamina. Estimulado por comentários e curtidas, o neurotransmissor é liberado, provocando prazer e satisfação.

 

Só que a dopamina vicia. Checar o celular o tempo todo, clicar em notificações, ficar rolando infinitamente as timelines sem buscar algo determinado, pode gerar um looping altamente perigoso para a saúde.

 

Julia Khoury, que fez mestrado e doutorado em dependência digital, afirma que o mundo digital é uma fonte inesgotável de estímulos rápidos, capaz de nos dar pequenas doses de alívio frente à vida real. “As pessoas vão em busca desses estímulos rápidos que geram prazer para se livrar de sentimentos ruins ou para ter pequenos prazeres ao longo do dia”, diz a médica psiquiatra.

 

Você pode não perceber, mas, ao receber uma mensagem do “crush” ou um elogio inesperado em uma foto postada, um neurotransmissor começa a correr dentro do cérebro: é a dopamina.

 

A dopamina, então, se desloca até a parte central do cérebro e, ao ser liberada ali, causa imediatamente sensações como prazer e satisfação na pessoa.

 

Mas ela também vai até a parte da frente do cérebro. Liberada, inibe as funções dessa região, chamada de córtex pré- -frontal e responsável pelo controle dos impulsos, moderação do comportamento e tomada de decisões.

 

Com isso, pode causar impulsividade e afetar o controle do uso – nesse caso, uso do celular.

 

O processo é o mesmo em outros tipos de vícios, como em jogos ou drogas.

 

“O vício em smartphones é causado por causa desse tipo de recompensa rápida”, afirma a psiquiatra. “Como temos estímulos rápidos no celular, o cérebro não treina mais para se concentrar por um tempo maior. E isso diminui a capacidade de concentração”, diz Julia.

 

(Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/. Acesso em: 08/12/2023.)

Com isso, pode causar impulsividade e afetar o controle do uso – nesse caso, uso do celular.” O vocábulo sublinhado pode ser substituído, adequadamente, por:

  1. ATodavia.
  2. BContudo.
  3. CAlém disso.
  4. DPor conseguinte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Por conseguinte.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conectivo: o valor conclusivo de "com isso"

Gabarito: letra D. No trecho "Com isso, pode causar impulsividade e afetar o controle do uso – nesse caso, uso do celular", a expressão "com isso" estabelece uma relação de conclusão/consequência entre o que foi dito antes (a dopamina inibe o córtex pré-frontal) e o efeito que se segue (impulsividade e perda de controle). O único conectivo das alternativas que preserva exatamente esse sentido é "por conseguinte", que é uma conjunção coordenativa conclusiva. Como se lê no texto: "Liberada, inibe as funções dessa região, chamada de córtex pré-frontal e responsável pelo controle dos impulsos, moderação do comportamento e tomada de decisões. Com isso, pode causar impulsividade e afetar o controle do uso".

O comando: substituição sem alteração de sentido

A questão pede que você substitua o vocábulo sublinhado por outro que mantenha o mesmo valor semântico no contexto. Isso não é uma questão de "sinônimo" solto: é uma questão de relação lógica entre orações. Você precisa identificar que tipo de conexão "com isso" estabelece entre a oração anterior e a posterior, e então escolher o conectivo que faça o mesmo papel.

Aqui, o comando é de reescritura/substituição: a resposta correta é a que, ao ser colocada no lugar de "com isso", não altera o sentido do período. As alternativas erradas, ao contrário, mudariam completamente a relação lógica — transformariam uma conclusão em oposição ou em mera adição.

O texto: a cadeia de causa e consequência

O texto explica o mecanismo químico do vício em celular. A dopamina, liberada por curtidas e notificações, percorre dois caminhos: vai à parte central do cérebro (gerando prazer) e vai à parte da frente (o córtex pré-frontal), onde inibe as funções de controle dos impulsos. É exatamente essa inibição que causa a impulsividade e a perda de controle. Veja a sequência lógica:

"Liberada, inibe as funções dessa região, chamada de córtex pré-frontal e responsável pelo controle dos impulsos, moderação do comportamento e tomada de decisões. Com isso, pode causar impulsividade e afetar o controle do uso – nesse caso, uso do celular."

O "com isso" retoma toda a ideia anterior (a inibição do córtex) e apresenta o efeito dela. Não há oposição, nem adição: há consequência. Por isso, o conectivo adequado é um conclusivo.

A técnica: reconhecer o valor dos conectivos

As conjunções coordenativas se dividem em cinco grupos principais, cada um com um valor semântico próprio:

Tipo

Ideia

Principais conectivos

Aditivas

soma, acréscimo

e, nem, além disso, não só... mas também

Adversativas

oposição, contraste

mas, porém, contudo, todavia, entretanto

Alternativas

alternância, escolha

ou, ora... ora, quer... quer

Conclusivas

conclusão, consequência

logo, portanto, por conseguinte, assim, pois (pós-verbo)

Explicativas

justificativa, motivo

porque, pois (pré-verbo), porquanto

No trecho, "com isso" equivale a "por causa disso", "em consequência disso" — ou seja, um conclusivo. "Por conseguinte" é sinônimo perfeito de "portanto", "logo", "assim". As demais alternativas são adversativas (A e B) ou aditiva (C), que não se encaixam na relação de causa-efeito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca "todavia" e "contudo" (adversativas) para atrair quem lê o trecho sem perceber que não há oposição — a dopamina não "contrasta" com a impulsividade; ela a causa. Desconfie de conectivos que indicam quebra de expectativa quando o texto mostra uma sequência natural de causa e efeito.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um conectivo, pergunte: "que relação lógica existe entre a oração anterior e a posterior?" Se a segunda é consequência da primeira, o conectivo é conclusivo. Se houver contraste, é adversativo. Se houver soma, é aditivo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Todavia" é uma conjunção adversativa, que indica oposição ou quebra de expectativa. No trecho, não há contraste entre a inibição do córtex e a impulsividade; ao contrário, a segunda é efeito da primeira. Substituir "com isso" por "todavia" criaria um sentido de "mas", o que contradiz a relação de causa-consequência. Erro: troca de valor semântico (adversativo em vez de conclusivo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Contudo" também é adversativa, sinônima de "mas", "porém". Aplicá-la no trecho inverteria a lógica: daria a entender que a impulsividade é algo que se opõe à inibição do córtex, quando na verdade é sua consequência. Erro: troca de valor semântico (adversativo em vez de conclusivo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Além disso" é um conectivo aditivo, que acrescenta uma informação nova sem relação de causa. No trecho, a impulsividade não é uma informação adicional à inibição do córtex; ela é o resultado dela. Usar "além disso" quebraria a relação de consequência, transformando o período em uma mera enumeração. Erro: troca de valor semântico (aditivo em vez de conclusivo).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Por conseguinte" é uma conjunção conclusiva, que expressa exatamente a relação de consequência presente em "com isso". No texto, a inibição do córtex pré-frontal (causa) leva à impulsividade e à perda de controle (efeito). "Por conseguinte" preserva essa relação, sendo sinônimo de "portanto", "logo", "assim". É a única alternativa que mantém o sentido original.

Conclusão: a questão testa a capacidade de reconhecer o valor semântico dos conectivos e substituí-los sem alterar o sentido. A relação de causa-consequência marcada por "com isso" exige um conectivo conclusivo, e "por conseguinte" é o único que cumpre esse papel. Gabarito: letra D.

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