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Questão de Português — Conjunção — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa594672
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Espera Feliz
Ano
2024
Cargo
Adv ( )
Não há ciência sem imaginação nem arte sem fato

     A inter-relação entre arte e ciência é essencial para o saber. Para a economia e a inovação. E, principalmente, para a nossa vida cotidiana.
     O raciocínio lógico exigido pela ciência e a criatividade e capacidade de reflexão e abstração essenciais na arte fazem muito sentido quando conectados, sendo cada dia mais imprescindíveis em nossa comunidade.
    Essa convergência nem de perto se limita a esferas acadêmicas, mas se estende para diversas áreas da vida cotidiana, moldando experiências e influenciando inovações. Vamos além: sociologia, política, arquitetura, psicologia, antropologia etc.
     Em meu trabalho como explorador e fotógrafo, preciso considerar como a arte e a ciência são estimuladas nas comunidades que visito. Todas as influências acabam por estar presentes nas imagens. As minhas experiências em campo em alguns países me mostram que sociedades que estimulam a arte e a ciência são mais inovadoras na busca de resolução de problemas, tendem a desenvolver uma economia mais dinâmica e são mais democráticas.
      O título deste artigo é uma frase do escritor russo Vladimir Nabokov (1899-1977), conhecedor de que narrativas literárias que exploram questões éticas, sociais e filosóficas, sempre que ancoradas em princípios científicos, contribuem para uma compreensão mais profunda da natureza humana. Essas histórias influenciam a percepção e a interação das pessoas em suas comunidades. [...]   

(Por Marcio Pimenta, explorador e fotógrafo da National Geographic Society. GZH Opinião. Em: 29/02/2024.)

Considerando o trecho destacado em “Essa convergência nem de perto se limita a esferas acadêmicas, mas se estende para diversas áreas da vida cotidiana, moldando experiências e influenciando inovações.”, pode-se afirmar que:

  1. AHá uma quebra de expectativa em relação à proposição inicial.
  2. BPossibilita a identificação de uma relação de causa e consequência.
  3. CPossibilita a identificação de uma simples oposição entre duas ideias.
  4. DHá uma confirmação da negativa de não haver o limite indicado anteriormente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Há uma confirmação da negativa de não haver o limite indicado anteriormente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico do 'mas' no trecho: oposição que confirma a negação

Gabarito: letra D. No trecho “Essa convergência nem de perto se limita a esferas acadêmicas, mas se estende para diversas áreas da vida cotidiana”, a conjunção mas não apenas opõe duas ideias: ela confirma a negativa expressa por “nem de perto se limita”, reforçando que a convergência não fica restrita ao âmbito acadêmico. A alternativa D é a única que capta esse efeito de sentido, como se lê no próprio trecho.

O comando: interpretar o conectivo no contexto

A questão pede que você analise o valor semântico da conjunção “mas” dentro do trecho destacado. Não se trata de decorar a classificação (adversativa, aditiva etc.), mas de perceber o efeito de sentido que o conectivo produz naquele contexto específico. O comando “pode-se afirmar que” indica que você deve inferir a relação lógica estabelecida, não apenas reconhecer a classe gramatical.

O texto: a tese da convergência entre arte e ciência

O texto defende que arte e ciência estão interligadas e que essa inter-relação é essencial. No parágrafo destacado, o autor afirma que essa convergência não se limita ao ambiente acadêmico, mas se estende a várias áreas da vida. A conjunção “mas” liga duas orações: a primeira nega uma limitação; a segunda afirma uma extensão. A relação não é de simples oposição (como em “é pobre, mas honesto”), mas de contraposição que reforça a ideia anterior: o “mas” aqui equivale a “e sim”, “pelo contrário”, confirmando a negação.

A técnica: o “mas” adversativo × o “mas” confirmativo

A conjunção “mas” é tipicamente adversativa, indicando oposição ou quebra de expectativa. Porém, em construções do tipo “não A, mas B”, o “mas” assume valor de retificação/confirmação: ele não contraria a primeira oração, mas reafirma a negação e apresenta a alternativa correta. Veja o exemplo clássico: “Não quero café, mas chá.” Aqui, o “mas” não opõe “café” e “chá” como ideias contrárias; ele confirma que a pessoa não quer café e indica o que ela quer. No trecho, “nem de perto se limita” é uma negação enfática; o “mas” introduz a consequência lógica dessa negação: “se estende”. Portanto, a relação é de confirmação da negativa, não de oposição simples.

Análise das alternativas

Conjunção "mas"
  • 1Valor adversativo típico
    • Oposição entre ideias
    • Quebra de expectativa
  • 2Valor confirmativo ("não A, mas B")
    • Retifica a negação
    • Equivale a "e sim" / "pelo contrário"
    • Confirma a negativa anterior
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Há uma quebra de expectativa em relação à proposição inicial.

A quebra de expectativa ocorreria se a segunda oração contrariasse a primeira, como em “Ele é rico, mas não é feliz”. No trecho, a segunda oração não contraria a primeira; ela complementa e confirma a negação. Não há surpresa ou contradição, mas uma continuidade lógica. A alternativa extrapola o sentido do conectivo, atribuindo-lhe um valor que o contexto não autoriza.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Possibilita a identificação de uma relação de causa e consequência.

Não há relação de causa e consequência. O “mas” não introduz um efeito ou resultado; ele introduz uma informação que se soma à negação anterior. Causa e consequência seriam marcadas por conectivos como “porque”, “portanto”, “já que”. A alternativa troca o conceito: confunde o valor adversativo com o causal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Possibilita a identificação de uma simples oposição entre duas ideias.

Embora o “mas” seja adversativo, aqui ele não estabelece uma oposição simples entre “limitar-se” e “estender-se”. A oposição simples ocorreria se as duas ideias fossem excludentes e se equilibrassem. No trecho, a primeira oração é uma negação enfática (“nem de perto se limita”), e a segunda é a afirmação do que realmente ocorre. O “mas” funciona como retificação, não como mera oposição. A alternativa restringe o valor do conectivo, ignorando o contexto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Há uma confirmação da negativa de não haver o limite indicado anteriormente.

Exatamente. O trecho diz que a convergência “nem de perto se limita” (negação) e o “mas” introduz a confirmação: “se estende”. O “mas” aqui equivale a “e sim”, “pelo contrário”, reforçando que não há limite. A alternativa parafraseia corretamente o efeito de sentido do conectivo, ancorada na passagem:

“Essa convergência nem de perto se limita a esferas acadêmicas, mas se estende para diversas áreas da vida cotidiana”

A negação “nem de perto se limita” é confirmada pela oração seguinte, que afirma a extensão. Portanto, a relação é de confirmação da negativa, e não de oposição ou causa.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de ler o conectivo no contexto, não de classificá-lo isoladamente. O “mas” pode ser adversativo, mas em estruturas “não A, mas B” ele assume valor de retificação/confirmação. Ao analisar, pergunte-se: a segunda oração contraria ou confirma a primeira? Se confirma, a relação é de confirmação da negativa. Gabarito: letra D.

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