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Questão de Português — Funções Sintáticas dos Pronomes Relativos — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsFunções Sintáticas dos Pronomes Relativos
Código
qa594683
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Espera Feliz
Ano
2024
Cargo
Ass Edu ( )
Incontáveis nas ruas

Com 227 mil em cadastro, população sem teto deve ser mais bem apurada e atendida.

        O aumento da população de rua nos últimos anos é fenômeno que tem sido observado e mensurado em metrópoles brasileiras, mas suas dimensões precisas são difíceis de apurar – por motivos óbvios.
        Trata-se, em grande parte dos casos, de pessoas sem rotina definida, que podem estar num bairro hoje e noutro amanhã; muitas analfabetas, sem documentos e em estado precário de saúde física ou mental para responder sobre sua situação. Elas estão fora, ademais, do censo oficial do IBGE, que procura por cidadãos domiciliados.
      São importantes, nesse contexto, os dados reunidos pelo pesquisador Marco Antônio Carvalho Natalino, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, ligado à administração federal). Com base em informações no cadastro governamental de famílias de baixa renda, o trabalho encontrou 227,1 mil moradores de rua no país neste ano.
       O número está possivelmente subestimado, já que nem todas as pessoas em tal situação estão nos registros. A quantidade sobe ano a ano, o que em alguma medida pode ser explicado pela ampliação do cadastro, sobretudo quando se consideram prazos mais longos. Mas há evidências do aumento e causas plausíveis a considerar.
      Na cidade de São Paulo, por exemplo, um censo encomendado pela prefeitura constatou que a população de rua teve um salto de 31% durante a pandemia de Covid-19, crescendo de 24,3 mil em 2019 para 31,9 mil em 2021.
      A crise sanitária gerou um dos momentos econômicos dramáticos dos últimos anos. Antes dela, a profunda recessão de 2014-16 elevou o desemprego e a pobreza. A recuperação posterior ainda se mostra incipiente e acidentada.
        Falta de oportunidades no mercado de trabalho é, como se pode intuir, um dos principais motivos que levam indivíduos a morar nas ruas – apontado por 40,5%, em declarações ao cadastro oficial.
       A causa mais citada, no entanto, são problemas familiares, com 47,3%, enquanto o consumo de álcool e outras drogas é mencionado por 30,4% (os cadastrados podem citar mais de um fator).
       Está-se diante de um fenômeno multifatorial, que vai além da questão econômica e demanda ações de diferentes esferas de governo.
         A contagem e a identificação mais completa dos moradores ainda desafiam a política pública. É preciso viabilizar que tais pessoas tenham acesso aos benefícios sociais do Estado, sobretudo o Bolsa Família. No âmbito local, há que buscar desde alternativas habitacionais a segurança e cuidados com dependentes químicos.
    Não existe, infelizmente, solução rápida, muito menos fácil. O melhor começo, de todo modo, é um diagnóstico mais preciso.

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/. Acesso em: 20/01/2024.)

Dentre as muitas funções da palavra “que”, uma delas é a função de pronome relativo. No trecho “Trata-se, em grande parte dos casos, de pessoas sem rotina definida, que podem estar num bairro hoje e noutro amanhã [...]”, a palavra “que” exerce a função de:

  1. ASujeito.
  2. BObjeto direto.
  3. CObjeto indireto.
  4. DPredicativo do sujeito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Sujeito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática do pronome relativo "que"

Gabarito: letra A. No trecho "Trata-se, em grande parte dos casos, de pessoas sem rotina definida, que podem estar num bairro hoje e noutro amanhã", o pronome relativo "que" exerce a função de sujeito do verbo "podem estar". A prova está na substituição do pronome pelo seu antecedente: "as pessoas podem estar num bairro hoje e noutro amanhã" — quem pode estar? As pessoas. Logo, o "que" é o sujeito da oração adjetiva.

O comando da questão

A questão pede que você identifique a função sintática que o pronome relativo "que" exerce dentro da oração que ele introduz. Isso é diferente de classificar a palavra morfologicamente (como pronome relativo) — aqui interessa o papel sintático que ela desempenha na oração subordinada adjetiva. Para resolver, o método é sempre o mesmo: substitua o pronome relativo pelo seu antecedente e observe qual termo ele ocupa na nova oração.

O trecho em análise

"Trata-se, em grande parte dos casos, de pessoas sem rotina definida, que podem estar num bairro hoje e noutro amanhã [...]"

O antecedente do "que" é "pessoas". Reescrevendo a oração adjetiva com o antecedente no lugar do pronome, temos: "as pessoas podem estar num bairro hoje e noutro amanhã". Pergunte ao verbo: quem pode estar? As pessoas. Isso é exatamente a função de sujeito: o termo que pratica ou sofre a ação expressa pelo verbo. Portanto, o "que" é sujeito.

A técnica que decide

  1. Identifique o antecedente do pronome relativo (no caso, "pessoas").

  2. Substitua o "que" pelo antecedente na oração adjetiva.

  3. Verifique a função sintática que o termo exerce na oração: se responde a "quem?" ou "o quê?" antes do verbo, é sujeito; se completa o verbo sem preposição, é objeto direto; com preposição, objeto indireto; se atribui qualidade ao sujeito, é predicativo.

No trecho, a substituição é imediata e inequívoca: "as pessoas podem estar" — sujeito simples.

Análise das alternativas

1Função sintática
Sujeito
Objeto direto
Objeto indireto
Predicativo do sujeito
2Método de resolução
Identificar o antecedente
Substituir o "que" pelo antecedente
Verificar a função na oração
3No trecho
Antecedente: "pessoas"
Substituição: "as pessoas podem estar"
Função: sujeito
Pronome relativo "que"
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Pronome relativo "que": Função sintática (Sujeito, Objeto direto, Objeto indireto, Predicativo do sujeito); Método de resolução (Identificar o antecedente, Substituir o "que" pelo antecedente, Verificar a função na oração); No trecho (Antecedente: "pessoas", Substituição: "as pessoas podem estar", Função: sujeito)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O "que" retoma "pessoas" e exerce a função de sujeito do verbo "podem estar". Como demonstrado, a substituição "as pessoas podem estar" comprova a função. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O pronome relativo pode ser objeto direto em outras frases (ex.: "O livro que li é ótimo" — li o quê? o livro), mas aqui o verbo "podem estar" é intransitivo (estar em algum lugar), não pede objeto direto. O "que" não completa o verbo; ele é quem pratica a ação de "estar".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Objeto indireto exige preposição (ex.: "O assunto de que tratei"). No trecho, não há preposição antes do "que", e o verbo "estar" não pede complemento com preposição. O "que" não exerce função de objeto indireto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Predicativo do sujeito atribui uma qualidade ao sujeito por meio de verbo de ligação (ex.: "Ele é o que parece"). No trecho, o "que" não é um atributo; ele é o próprio sujeito que "pode estar". Não há verbo de ligação na oração adjetiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece funções que o "que" pode exercer em outros contextos (objeto direto, objeto indireto, predicativo), mas que não se aplicam ao trecho. A armadilha é o candidato decorar exemplos prontos e não aplicar o teste da substituição.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a questão perguntar a função do pronome relativo, faça a substituição pelo antecedente e pergunte ao verbo: quem? o quê? de quê? com quê? Isso resolve a maioria dos casos.

Conclusão: a função do "que" é de sujeito, pois ele retoma "pessoas" e exerce o papel de sujeito do verbo "podem estar". As demais alternativas confundem funções que o pronome relativo pode ter em outras construções, mas que não ocorrem no trecho.

Gabarito: letra A

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