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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa594697
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Aux Des Inf (Recife)

O tempo está passando rápido demais? Novo estudo revela que a sensação é ditada pelo coração (não pelo cérebro)

 

Os batimentos acelerados ou mais lentos em determinadas situações são os responsáveis

 

Ellen Barry

 

É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.

 

Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.

 

Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.

 

Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.

 

— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.

 

— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.

 

Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".

 

— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.

 

O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar

Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.

 

— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.

 

O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.

 

Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”

 

— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.

 

Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.

 

— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.

 

O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.

 

— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.

 

Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.

 

— O tempo é um recurso —, conclui Anderson.

 

— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

 

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024

De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que
  1. Auma determinada região do cérebro hegemoniza o controle sobre o tempo e sobre todo o corpo, inclusive sobre o coração.
  2. Bpessoas depressivas notam, com nitidez, a passagem do tempo como mais lenta em suas vidas, e tal percepção, por parte de quem a sente, gera maior agravamento da doença.
  3. Ca mente humana é capaz de mudar nossa percepção do tempo, independentemente do quanto hábil e perspicaz se encontra nossa memória.
  4. Dnovos estudos atestam que a função cognitiva centralizada pelo cérebro e a função não emocional do coração devem ser investigadas em paralelo, isto é, individualmente.
  5. Ea quantidade de energia corporal que possuímos influenciará em nossa percepção da velocidade do tempo, se mais ágil ou mais lenta
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GabaritoE — a quantidade de energia corporal que possuímos influenciará em nossa percepção da velocidade do tempo, se mais ágil ou mais lenta

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Percepção do tempo: a energia corporal como fator decisivo

Gabarito: letra E. A alternativa E está correta porque reproduz, em paráfrase fiel, a fala final do pesquisador Adam K. Anderson, que afirma que a percepção da velocidade do tempo depende da quantidade de energia corporal disponível. Como se lê no último parágrafo do texto: "Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos." As demais alternativas ou extrapolam o que o texto diz, ou contradizem-no diretamente.

O comando pede uma compreensão ("De acordo com a leitura do texto"), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, bastando localizar a passagem correspondente e reconhecê-la em uma paráfrase. Não se trata de inferir, deduzir ou completar com conhecimento de mundo: a alternativa correta é aquela que repete o sentido do que está escrito, sem acrescentar nada.

O texto tem como tese central que a percepção do tempo não é controlada apenas pelo cérebro, mas por uma rede que envolve o corpo — em especial o coração e a energia corporal. O estudo de Cornell mostra que os batimentos cardíacos influenciam a percepção de microssegundos, e o pesquisador Anderson amplia essa ideia ao relacionar o tempo às necessidades metabólicas do corpo. É exatamente essa relação entre energia corporal e percepção do tempo que a alternativa E captura.

A técnica para resolver: leia cada alternativa e pergunte "onde o texto autoriza isto?". Se a alternativa exigir acrescentar informação de fora, ela está errada por definição. No caso, a E é a única que se ancora diretamente em uma passagem literal, sem precisar de nenhuma suposição.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife o comando ("de acordo com o texto") e busque a passagem que sustenta cada alternativa. Se a alternativa parafraseia um trecho sem alterar o sentido, é a correta; se acrescenta um detalhe que não está no texto, é extrapolação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "uma determinada região do cérebro hegemoniza o controle sobre o tempo e sobre todo o corpo, inclusive sobre o coração". Isso contradiz o texto, que defende exatamente o oposto: o controle não é de uma única região, mas de uma rede integrada. O pesquisador Sadeghi afirma: "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede". Além disso, o texto diz que "o cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro", mostrando uma relação de mão dupla, não de hegemonia. A alternativa inverte a tese central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que "pessoas depressivas notam, com nitidez, a passagem do tempo como mais lenta em suas vidas, e tal percepção, por parte de quem a sente, gera maior agravamento da doença". O texto menciona a depressão, mas sem os detalhes acrescentados: "As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão". A alternativa extrapola ao inserir "com nitidez" e "gera maior agravamento", que não estão no texto. O texto fala em "fator que piora", não em "agravamento" direto e certo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a mente humana é capaz de mudar nossa percepção do tempo, independentemente do quanto hábil e perspicaz se encontra nossa memória". O texto não sustenta essa independência. Pelo contrário, a memória é apresentada como um fator relevante: "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'" e "Quando você tem uma memória muito vívida... sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo". A alternativa contradiz o texto ao negar a influência da memória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa diz que "novos estudos atestam que a função cognitiva centralizada pelo cérebro e a função não emocional do coração devem ser investigadas em paralelo, isto é, individualmente". O texto defende o oposto: a integração. O professor Critchley afirma: "A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente". E o estudo mostra que "o cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro". A alternativa contradiz o texto ao propor investigação individual, quando o texto defende uma visão integrada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que "a quantidade de energia corporal que possuímos influenciará em nossa percepção da velocidade do tempo, se mais ágil ou mais lenta". Isso é uma paráfrase fiel da fala de Adam K. Anderson: "Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos". A alternativa não acrescenta nada além do que o texto diz, apenas reescreve com outras palavras. É a única que se sustenta integralmente no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz, como na B, que insere "com nitidez" e "gera maior agravamento". Desconfie de qualquer detalhe que não esteja literalmente no texto.

Conclusão: a questão testa a habilidade de distinguir o que está explícito no texto do que é acréscimo do candidato. A alternativa E é a única que se ancora diretamente em uma passagem, sem extrapolar, restringir ou contradizer. Gabarito: letra E.

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