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Questão de Português — Vocábulo "Que" — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa594706
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Aux Des Inf (Recife)

É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.

Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.

Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.

Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.

— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.

— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.

Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".

— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.

O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar

Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.

— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.

O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.

Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”

— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.

Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.

— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.

O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.

— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.

Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.

— O tempo é um recurso —, conclui Anderson.

— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024

Assinale a alternativa correta a respeito de elementos linguísticos presentes no texto.
  1. ANo trecho “(...) quando temos medo, segundos podem se estender.”, o pronome destacado poderia, nesse caso, ser empregado na seguinte posição: “podem estender-se”, sem prejuízo gramatical.
  2. BEm “Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo (...)”, os verbos destacados foram empregados no pretérito perfeito do indicativo, expressando uma ação já realizada, pontual, concluída.
  3. CNo trecho “Sadeghi diz que (...) ‘não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede’.”, os pronomes destacados pertencem à mesma classe de palavras.
  4. DEm “Um estudo (...) descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções.”, se trocássemos a expressão destacada por “da população”, o verbo “relatar” se manteria no plural para concordar com a porcentagem citada.
  5. EEm “(...) pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, (...)”, o pronome grifado referencia o trecho destacado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — No trecho “(...) quando temos medo, segundos podem se estender.”, o pronome destacado poderia, nesse caso, ser empregado na seguinte posição: “podem estender-se”, sem prejuízo gramatical.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal, Tempos Verbais e Classes do "Que" no Texto

Gabarito: letra A. A alternativa A está correta porque a ênclise "podem estender-se" é gramaticalmente aceitável nesse contexto, já que não há palavra atrativa que exija próclise. As demais alternativas contêm erros gramaticais ou de interpretação, como veremos.

O Comando

A questão pede para assinalar a alternativa correta a respeito de elementos linguísticos do texto. Isso significa que devemos analisar cada afirmação à luz da gramática normativa e do que está escrito no texto. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise gramatical de trechos específicos.

O Texto e a Técnica

O texto trata da percepção do tempo e de como o coração influencia essa percepção. Para a questão, o que importa são os trechos citados em cada alternativa. A técnica é: para cada alternativa, verificar se a afirmação gramatical é verdadeira no contexto do trecho. Vamos analisar cada uma.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No trecho "quando temos medo, segundos podem se estender", o pronome "se" é um pronome oblíquo átono que pode ser colocado após o verbo (ênclise) ou antes (próclise). A próclise é obrigatória quando há palavra atrativa (como advérbio, pronome relativo, conjunção subordinativa). No trecho, a oração é "segundos podem se estender" — não há palavra atrativa imediatamente antes do verbo "estender". Portanto, a ênclise "podem estender-se" é perfeitamente aceitável, sem prejuízo gramatical. A alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em "Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo", os verbos destacados são "descobriram" e "tendiam". "Descobriram" está no pretérito perfeito do indicativo, indicando ação concluída. Já "tendiam" está no pretérito imperfeito do indicativo, indicando ação habitual, contínua no passado. A alternativa afirma que ambos estão no pretérito perfeito, o que é falso. O erro é de troca de tempo verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No trecho "Sadeghi diz que (...) 'não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede'", temos dois "que": o primeiro é conjunção integrante (introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta "que não é apenas..."), e o segundo é pronome relativo (retoma "parte do cérebro ou do corpo"). São classes diferentes, portanto a alternativa está incorreta. O erro é de troca de classe gramatical.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Em "Um estudo (...) descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo", se trocarmos "dos participantes" por "da população", a expressão "80% da população" continua sendo um percentual. A concordância verbal com porcentagem: se o percentual vier seguido de um substantivo no singular, o verbo pode concordar com o percentual (singular) ou com o substantivo (singular). No caso, "80% da população" — o verbo "relataram" está no plural, mas o correto seria "relatou" (concordando com "população") ou "relataram" (concordando com "80%")? Na norma culta, quando o percentual é seguido de substantivo, o verbo concorda com o substantivo ou com o percentual. Com "população" (singular), o verbo deve ficar no singular: "80% da população relatou". Portanto, a alternativa está incorreta. O erro é de concordância verbal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em "O novo estudo aprofunda isso", o pronome "isso" refere-se à ideia de que "pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais". Ou seja, "isso" retoma a oração anterior como um todo, não apenas o trecho destacado "pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais". A alternativa afirma que "o pronome grifado referencia o trecho destacado", o que é verdadeiro, pois "isso" retoma a ideia expressa anteriormente. No entanto, a alternativa está incorreta porque o pronome "isso" não referencia apenas o trecho destacado, mas toda a oração anterior. O erro é de referenciação incompleta.

Conclusão

A única alternativa correta é a letra A, pois a ênclise é permitida quando não há palavra atrativa. As demais apresentam erros de tempo verbal, classe gramatical, concordância e referenciação.

Gabarito: letra A

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