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Questão de Português — Acentuação — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsAcentuação
Código
qa594709
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Aux Des Inf (Recife)

É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.

Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.

Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.

Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.

— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.

— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.

Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".

— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.

O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar

Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.

— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.

O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.

Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”

— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.

Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.

— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.

O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.

— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.

Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.

— O tempo é um recurso —, conclui Anderson.

— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024

   

   

Na frase “Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar (...).”, a palavra em destaque foi acentuada pelo mesmo motivo que a destacada em

  1. A“(...) o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (...)”.
  2. B“(...) o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (...)”.
  3. C“(...) o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (...)”.
  4. D“Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.”.
  5. E“Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.”.
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GabaritoE — “Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acentuação: paroxítonas terminadas em ditongo

Gabarito: letra E. A palavra destacada no enunciado é "bem-estar", acentuada por ser uma paroxítona terminada em ditongo (es-tar). A alternativa E apresenta "silêncio", também paroxítona terminada em ditongo (si-lên-cio), pela mesma regra. As demais alternativas trazem palavras acentuadas por outros motivos: "córtex" é proparoxítona, "fácil" é paroxítona terminada em L, e "mais" é monossílabo tônico terminado em ditongo.

O comando

A questão pede para identificar a palavra que foi acentuada pelo mesmo motivo que a palavra em destaque no trecho. Isso exige classificar a palavra do enunciado e, em seguida, classificar cada palavra das alternativas, comparando a regra de acentuação. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regra gramatical (acentuação gráfica) sobre palavras retiradas do texto.

O texto e a palavra-chave

No trecho "Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar (...)", a palavra destacada é "bem-estar". Ela é acentuada porque é uma paroxítona terminada em ditongo (es-tar). A sílaba tônica é "es", a penúltima, e a palavra termina em "ar", que é um ditongo (a + i).

A regra que decide

Acentuam-se todas as paroxítonas terminadas em ditongo, como: água, história, série, indivíduos, distância, primário, indústria, rádio. A palavra "bem-estar" se encaixa nessa regra.

Agora, vamos analisar cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

A palavra "córtex" é proparoxítona (cór-tex). Todas as proparoxítonas são acentuadas, independentemente da terminação. Não é o mesmo motivo da palavra "bem-estar".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A palavra "córtex" é proparoxítona (cór-tex). Todas as proparoxítonas são acentuadas, independentemente da terminação. Não é o mesmo motivo da palavra "bem-estar".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A palavra "córtex" é proparoxítona (cór-tex). Todas as proparoxítonas são acentuadas, independentemente da terminação. Não é o mesmo motivo da palavra "bem-estar".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A palavra "mais" é um monossílabo tônico terminado em ditongo (mais). Monossílabos tônicos são acentuados quando terminam em A(s), E(s), O(s) ou em ditongo aberto (éu, éi, ói). "Mais" termina em "ai", que é um ditongo, mas não é aberto. Portanto, não é acentuado. A palavra "fácil" é paroxítona terminada em L (fá-cil). Não é o mesmo motivo da palavra "bem-estar".

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A palavra "silêncio" é paroxítona terminada em ditongo (si-lên-cio). A sílaba tônica é "lên", a penúltima, e a palavra termina em "io", que é um ditongo. É exatamente a mesma regra da palavra "bem-estar".

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de acentuação, identifique primeiro a sílaba tônica da palavra e, em seguida, verifique a terminação. Isso evita confusões entre proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas.

Gabarito: letra E

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