Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa594713
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Aux Des Inf (Recife)

É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.

Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.

Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.

Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.

— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.

— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.

Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".

— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.

O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar

Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.

— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.

O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.

Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”

— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.

Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.

— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.

O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.

— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.

Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.

— O tempo é um recurso —, conclui Anderson.

— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024

Assinale a alternativa em que, pluralizando a expressão destacada, o verbo em itálico permanece no singular.
  1. A“(...) o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias (...)”.
  2. B“(...) uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.”.
  3. C“(...) uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas (...)”.
     
  4. D“(...) explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University (...)”.
  5. E“(...) reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “(...) há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas (...)”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o verbo impessoal “haver” e a invariabilidade

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que, ao pluralizar a expressão destacada, o verbo em itálico permanece no singular, porque o verbo “há” é impessoal (sentido de “existir”) e, portanto, não flexiona — como se lê no trecho: “há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas”. Pluralizar “uma apreciação” para “apreciações” não altera o verbo, que continua “há”.

O comando pede que você identifique, entre as opções, aquela em que a pluralização da expressão destacada (o termo que funciona como sujeito ou como objeto) não provoca mudança no verbo em itálico. Isso exige reconhecer a natureza do verbo: se ele é pessoal, concorda com o sujeito e, ao pluralizar o sujeito, deve ir para o plural; se é impessoal (como o “haver” com sentido de existir), permanece invariável, pois não possui sujeito.

No texto-base, a passagem da alternativa C é: “há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas”. O verbo “há” é a forma do verbo haver com sentido de existir. Nesse uso, o verbo é impessoal: não há sujeito; “uma apreciação muito maior” é objeto direto. Por isso, mesmo que você pluralize o objeto (“há apreciações muito maiores”), o verbo continua “há”, no singular. Essa é a regra que decide a questão.

A técnica central é: antes de pluralizar, identifique a função sintática do termo destacado. Se ele for o sujeito do verbo, a pluralização obriga o verbo a ir para o plural (concordância verbal). Se for objeto direto de um verbo impessoal (como “haver” existencial), o verbo permanece no singular. Nas demais alternativas, o termo destacado é o sujeito, e o verbo, sendo pessoal, teria de flexionar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o verbo “haver” impessoal (invariável) e verbos pessoais que concordam com o sujeito. O candidato pode ser levado a pluralizar o verbo por influência do termo plural que o segue, sem perceber que “há” não varia.

PEGA ESSA DICA!

Ao se deparar com “há” ou “haver”, pergunte: “esse verbo tem sujeito?”. Se tiver sentido de “existir”, não tem — logo, fica no singular sempre.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Na frase “o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias”, o verbo em itálico é “parece”, e o sujeito é “o tempo”. Se pluralizarmos “o tempo” para “os tempos”, o verbo deve concordar: “os tempos parecem se expandir...”. Portanto, o verbo não permanece no singular — ele vai para o plural. A alternativa erra porque o verbo é pessoal e concorda com o sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em “uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção”, o verbo em itálico é “parecia”, e o sujeito é “uma frequência cardíaca mais baixa”. Pluralizando o sujeito: “frequências cardíacas mais baixas pareciam ajudar...”. O verbo, sendo pessoal, deve ir para o plural. Logo, não atende ao comando.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, o verbo “há” é impessoal (existencial). Pluralizar “uma apreciação” para “apreciações” não altera o verbo: “há apreciações muito maiores...”. O verbo permanece no singular, exatamente o que o enunciado pede. É a única alternativa em que a pluralização não afeta a forma verbal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Em “explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University”, o verbo em itálico é “explica”, e o sujeito é “a professora de psicologia” (posposto ao verbo). Pluralizando o sujeito: “explicam as professoras de psicologia...”. O verbo, sendo pessoal, deve ir para o plural. Portanto, não permanece no singular.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em “reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell”, o verbo em itálico é “reconhece”, e o sujeito é “o professor Critchley”. Pluralizando: “reconhecem os professores Critchley...”. O verbo, sendo pessoal, deve ir para o plural. Logo, não atende ao comando.

Conclusão: a questão testa a distinção entre verbos pessoais (que concordam com o sujeito) e o verbo impessoal “haver” (que não tem sujeito e fica sempre no singular). A única alternativa em que a pluralização não altera o verbo é a C, pois “há” é invariável. Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/qa594713