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Questão de Português — Crase — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsCrase
Código
qa594714
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Aux Des Inf (Recife)

É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.

Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.

Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.

Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.

— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.

— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.

Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".

— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.

O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar

Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.

— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.

O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.

Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”

— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.

Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.

— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.

O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.

— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.

Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.

— O tempo é um recurso —, conclui Anderson.

— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024

   

 

 No trecho: “(...) o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.”, o acento indicativo de crase foi usado devido

  1. Aà expressão “às necessidades metabólicas” corresponder a uma locução adverbial formada por palavra feminina.
  2. Bà fusão da preposição “a”, que acompanha o termo “relacionado”, com o artigo definido “as”, que acompanha o substantivo feminino “necessidades”.
  3. Cà junção da preposição “a”, que acompanha o termo “relacionado”, com o pronome “as”, que acompanha a palavra “necessidades”.
  4. Dà união do “a” que acompanha o termo “relacionado” ao outro “a” que acompanha o advérbio “necessidades”.
  5. Eao uso do termo “relacionado”, que sempre obriga o emprego do acento grave indicador de crase.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — à fusão da preposição “a”, que acompanha o termo “relacionado”, com o artigo definido “as”, que acompanha o substantivo feminino “necessidades”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo "as"

Gabarito: letra B. O acento grave em "às necessidades metabólicas" ocorre porque o termo "relacionado" exige a preposição "a" (quem está relacionado, está relacionado a algo), e o substantivo feminino "necessidades" vem acompanhado do artigo definido "as". Há, portanto, a fusão: a (preposição) + as (artigo) = às. Como se lê no trecho: "o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas".

O comando da questão

A questão pergunta o motivo do uso da crase, ou seja, exige que o candidato identifique a regra que explica o fenômeno naquele contexto específico. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada: é preciso reconhecer os dois elementos que se fundem para formar a crase — a preposição exigida por um termo e o artigo que acompanha o substantivo.

A regra da crase aplicada ao trecho

A crase é a fusão de duas vogais idênticas, representada pelo acento grave (à). Para que ela ocorra, é necessário que haja, simultaneamente:

  1. um termo que exija a preposição "a";

  2. uma palavra feminina que aceite o artigo definido "a/as".

No trecho, o adjetivo "relacionado" rege a preposição "a": quem está relacionado, está relacionado a alguma coisa. O substantivo "necessidades" é feminino e vem determinado pelo artigo "as". Assim:

"o tempo está intimamente relacionado a + as necessidades metabólicas" → "relacionado às necessidades metabólicas"

A alternativa B descreve exatamente essa fusão: "a preposição 'a', que acompanha o termo 'relacionado', com o artigo definido 'as', que acompanha o substantivo feminino 'necessidades'".

Análise das alternativas

1Requisitos
Termo exige preposição "a"
Palavra feminina aceita artigo "as"
2No trecho
"relacionado" exige "a"
"necessidades" aceita "as"
Resultado: "às"
3Erros comuns
Confundir com locução adverbial
Confundir artigo com pronome
Confundir substantivo com advérbio
Generalizar com "sempre"
Crase (fusão a + as)
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Crase (fusão a + as): Requisitos (Termo exige preposição "a", Palavra feminina aceita artigo "as"); No trecho ("relacionado" exige "a", "necessidades" aceita "as", Resultado: "às"); Erros comuns (Confundir com locução adverbial, Confundir artigo com pronome, Confundir substantivo com advérbio, Generalizar com "sempre")

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "às necessidades metabólicas" é uma locução adverbial. Isso está errado: o trecho é o complemento nominal do adjetivo "relacionado", não um adjunto adverbial. A crase aqui não ocorre por ser locução adverbial, mas pela fusão preposição + artigo. A banca tenta confundir com o caso de locuções adverbiais femininas (como "à noite", "às vezes"), que não se aplica ao trecho.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a crase ocorre pela fusão da preposição "a" (exigida por "relacionado") com o artigo definido "as" (que acompanha "necessidades"). É a explicação precisa e completa do fenômeno.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa troca o artigo pelo pronome "as". No trecho, "as" é artigo definido que determina o substantivo "necessidades", e não pronome. A banca tenta confundir com o caso de crase antes de pronomes demonstrativos (como "àquela"), que não ocorre aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o segundo "a" acompanha o advérbio "necessidades". Isso é um erro grave: "necessidades" é um substantivo, não advérbio. A crase ocorre com substantivo feminino, não com advérbio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "relacionado" sempre exige crase. Isso é falso: a crase depende do contexto. Se o termo seguinte não for feminino ou não aceitar artigo, não haverá crase. Exemplo: "relacionado a problemas" (sem crase, pois "problemas" é masculino). A palavra "sempre" é o alerta clássico de generalização indevida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os casos de crase. As alternativas A, C e D tentam encaixar o trecho em outras regras (locução adverbial, pronome, advérbio), e a E generaliza com o "sempre". A correta é a única que identifica corretamente os dois elementos: preposição + artigo.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, identifique primeiro o termo que exige a preposição "a" e depois verifique se a palavra seguinte é feminina e aceita artigo. Se sim, há crase; se não, não há.

Gabarito: letra B.

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