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Questão de Português — Advérbio — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsAdvérbio
Código
qa594715
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Recife
Ano
2024
Cargo
Aux Des Inf (Recife)

É um truísmo dizer que o tempo parece se expandir ou contrair dependendo de nossas circunstâncias: quando temos medo, segundos podem se estender. Se passarmos um dia sozinhos, o tempo pode passar devagar. Já quando tentamos entregar algo dentro do prazo, as horas passam com rapidez.

Um estudo publicado este mês na revista Psychophysiology por psicólogos da Universidade Cornell descobriu que, quando observadas a nível de microssegundos, algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos, cuja duração varia de momento para momento.

Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida e, em seguida, pediram que eles estimassem a duração de tons de áudio curtos. Os psicólogos descobriram que, após um intervalo de batida mais longo, os estudantes tendiam a perceber o tom como mais longo; intervalos mais curtos levaram os participantes a avaliar o tom como mais curto.

Depois de cada tom, os intervalos de batimentos cardíacos dos sujeitos aumentavam. Saeedeh Sadeghi, candidato a doutorado na Universidade de Cornell e principal autor do estudo, disse que uma frequência cardíaca mais baixa parecia ajudar na percepção.

— Quando precisamos perceber as coisas do mundo exterior, o batimento cardíaco é um ruído para o córtex cerebral (conhecido como “massa cinzenta”, responsável pelo pensamento, julgamento, percepção, movimento voluntário e linguagem) —, explica.

— Você pode assimilar mais o mundo – é mais fácil processar as coisas – quando o seu coração está em silêncio.

Sadeghi diz que, após uma era de pesquisa focada no cérebro, o estudo fornece mais evidências de que "não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede".

— O cérebro controla o coração e o coração, por sua vez, afeta o cérebro, acrescenta.

O interesse na percepção do tempo aumentou desde o início da pandemia da Covid-19, quando as atividades presenciais foram interrompidas para muitos, e as pessoas em todo o mundo enfrentaram períodos de tempo que não conseguiam diferenciar

Um estudo de percepção do tempo realizado durante o primeiro ano de lock down no Reino Unido descobriu que 80% dos participantes relataram distorções no tempo, em diferentes direções. Em média, as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou; enquanto pessoas mais jovens e ativas relataram uma aceleração.

— Nossa experiência do tempo é afetada de maneiras que se assemelham, em geral, ao nosso bem-estar —, explica a professora de psicologia na Liverpool John Moores University e autora do estudo durante o confinamento, Ruth S. Ogden. — As pessoas com depressão experimentam uma desaceleração do tempo e essa desaceleração é percebida como um fator que piora a depressão.

O novo estudo da Cornell aborda algo diferente: como percebemos a passagem dos microssegundos. Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma, cujas experiências instantâneas são lembradas como prolongadas.

Ela disse que ao tentar avaliar a importância de uma experiência, "nossos cérebros apenas olham para trás e dizem: 'Bem, quantas lembranças nós criamos?'”

— Quando você tem uma memória muito vívida, mais vívida do que normalmente teria de um período de 15 minutos de sua vida, sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.

Hugo Critchley, professor de psiquiatria na Brighton and Sussex Medical School, que estudou como os batimentos cardíacos afetam a maneira como lembramos as palavras e reagimos ao medo, disse que, até recentemente, a pesquisa sobre a percepção do tempo se concentrava em diferentes áreas do cérebro.

— Acho que agora há uma apreciação muito maior de que as funções cognitivas estão intimamente ligadas, talvez até fundamentadas, no controle do corpo, enquanto a maioria dos estudos de psicologia até a década de 1990 ignoravam o corpo como sendo algo controlado a nível do tronco cerebral (situado entre a medula espinhal e o cérebro), reconhece o professor Critchley, que não esteve envolvido no estudo do batimento cardíaco de Cornell.

O professor afirma que pesquisas anteriores exploraram como a excitação física está ligada ao processamento do estresse e a estados emocionais, como ansiedade e pânico. O novo estudo aprofunda isso, concentrando-se no papel do coração em uma função não emocional, mas na percepção do tempo, que pode estar ligada a distorções maiores no pensamento.

— A função cognitiva não pode ser examinada isoladamente —, acrescenta Critchley. — Mesmo entendendo como o cérebro se desenvolve e começa a representar estados mentais internos, as pessoas estão olhando para a primazia da informação interna essencial que você precisa controlar para se manter vivo.

Adam K. Anderson, professor de psicologia em Cornell e co-autor do novo estudo, disse que uma das razões pelas quais o corpo pode estar intimamente envolvido na percepção do tempo é que o tempo está intimamente relacionado às necessidades metabólicas.

— O tempo é um recurso —, conclui Anderson.

— Se o corpo fosse uma bateria ou um tanque de gasolina, ele tentaria descobrir em tempo real: 'Quanta energia nós temos?' Percebemos que o tempo corre mais devagar ou mais rápido dependendo da quantidade de energia corporal que temos.

Adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/03/ o-tempo-esta-passando-rapido-demais-novo-estudo-revela-que-a-sensacao-e-ditada-pelo-coracao-nao-pelo-cerebro.ghtml. Acesso em: 01 mar. de 2024

   

   

Dentre as expressões destacadas nas alternativas, a que pertence à mesma classe de palavras do termo sublinhado em “Quando você tem uma memória muito vívida (...), sua mente pode fazer você acreditar que foi muito longo.” é

  1. A“(...) algumas dessas distorções do tempo podem ser geradas pelos batimentos cardíacos (...)”.
  2. B“Psicólogos deram a estudantes universitários eletrocardiogramas para medir com precisão a duração de cada batida (...)”.
  3. C“Ogden aponta que entender esses mecanismos pode nos ajudar a lidar com o trauma (...)”.
  4. D“(...) as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou (...)”.
  5. E"(...) ‘não é apenas uma parte do cérebro ou do corpo que controla o tempo, mas toda uma rede’".
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “(...) as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou (...)”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classe de palavras: advérbio de intensidade

Gabarito: letra D. O termo sublinhado no enunciado é "muito" em "memória muito vívida", que funciona como advérbio de intensidade, modificando o adjetivo "vívida". A única alternativa que apresenta um advérbio da mesma classe é a D, com "mais" em "pessoas mais velhas e mais isoladas", também advérbio de intensidade. As demais alternativas trazem palavras de outras classes: pronomes indefinidos, preposição, conjunção e advérbio de inclusão.

O comando pede que você identifique, entre as expressões destacadas, aquela que pertence à mesma classe de palavras do termo sublinhado no trecho dado. Isso é uma questão de morfologia (classificação das palavras), não de interpretação de texto. A estratégia é: primeiro, classifique o termo de referência; depois, teste cada alternativa, perguntando: "esta palavra tem a mesma função e classe?"

No trecho "Quando você tem uma memória muito vívida", a palavra "muito" está intensificando o adjetivo "vívida". Quando uma palavra modifica um adjetivo, um verbo ou outro advérbio, ela é advérbio — aqui, especificamente, advérbio de intensidade. Não confunda com o "muito" pronome indefinido (ex.: "muitas pessoas"), que acompanha ou substitui um substantivo.

Agora, vejamos cada alternativa:

Advérbio de intensidade
  • 1Modifica adjetivo, verbo ou outro advérbio
  • 2Ex.: "muito" em "muito vívida"
  • 3Ex.: "mais" em "mais velhas"
  • 4Outras classes (pegadinhas)
    • Pronome indefinido
      • "algumas"
    • Preposição
      • "para"
    • Conjunção integrante
      • "que"
    • Advérbio de inclusão
      • "apenas"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão destacada é "algumas" em "algumas dessas distorções". "Algumas" é um pronome indefinido, pois acompanha o substantivo "distorções", indicando quantidade indeterminada. Não é advérbio, pois não modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio. Erro: troca de classe — a banca oferece um pronome indefinido para confundir quem não percebe a função de "muito".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expressão destacada é "para" em "para medir com precisão". "Para" é uma preposição, que liga o verbo "medir" à finalidade. Não é advérbio. Erro: troca de classe — preposição é uma classe invariável que conecta termos, enquanto advérbio modifica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A expressão destacada é "que" em "Ogden aponta que entender esses mecanismos". "Que" aqui é uma conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Não é advérbio. Erro: troca de classe — conjunção liga orações, não modifica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão destacada é "mais" em "pessoas mais velhas e mais isoladas". "Mais" está intensificando os adjetivos "velhas" e "isoladas", funcionando como advérbio de intensidade, exatamente como "muito" intensifica "vívida". Veja a passagem:

"as pessoas mais velhas e mais isoladas do convívio social relataram que o tempo desacelerou"

Aqui, "mais" indica grau, aumentando a intensidade das qualidades. É a mesma classe e função do termo de referência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A expressão destacada é "apenas" em "não é apenas uma parte do cérebro". "Apenas" é um advérbio de inclusão (ou exclusão, conforme o contexto), pois restringe o sentido da frase. Embora seja advérbio, não é de intensidade — não modifica um adjetivo ou verbo indicando grau. Erro: troca de tipo de advérbio — a banca oferece um advérbio de outra subclasse.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia de "muito" (advérbio × pronome) e oferece "apenas" (advérbio, mas de inclusão) para confundir. A chave é verificar a função no contexto: "muito" e "mais" intensificam adjetivos.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar uma palavra, pergunte: "o que ela faz na frase?" Se modifica adjetivo/verbo/advérbio → advérbio; se acompanha/substitui substantivo → pronome; se liga termos → preposição/conjunção.

Conclusão: A única alternativa em que a palavra destacada tem a mesma classe e função de "muito" (advérbio de intensidade) é a D, com "mais". As demais ou são de outra classe (A, B, C) ou de outra subclasse de advérbio (E).

Gabarito: letra D

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