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Questão de Português — Crase — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsCrase
Código
qa594725
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref SM Jetibá
Ano
2024
Cargo
Ana ( )

Revolva-se por inteiro... e se encontre

 

Com tantas mudanças exponenciais aumentando diariamente a velocidade do mundo, muitos de nós, de repente, experimentamos o ritmo oposto. É como se a vida estivesse parada, em suspensão.

 

É aquele típico momento quando sentimos que nossas águas ficam represadas, em uma espécie de calmaria que ao invés de benigna, só gera angústia, incerteza e nos intoxica de cortisol. Nesse contexto, nossa mente dispara, e entra em atividade frenética. É aí onde os questionamentos começam!

 

E de repente, a vontade é de revirar tudo, remexer, não deixar “ficar pedra sobre pedra”. Buscar nas profundezas, respostas ainda ocultas. A expressão popular “Não ficar pedra sobre pedra” significa: “ser completamente demolido; operar-se uma revolução completa”. Isso pode valer para muitas situações do nosso cotidiano e também se aplicar em questões mais íntimas do nosso próprio ser.

 

Quando em nossa jornada de vida, nossas ações e/ou relações travam por completo, essa pode ser uma difícil, mas belíssima oportunidade para encontrar novamente o fio da meada, o sentido da caminhada – sentido aqui, tanto como propósito quanto direção.

 

Esses dias, assistindo um vídeo muito interessante da Dra. Ana Beatriz Barbosa – psiquiatra e escritora, ouvi uma passagem que me gerou bastante curiosidade. Ana Beatriz, em seu vídeo intitulado de “O melhor método para ter saúde mental em 2023”, cita, em determinado momento, o fenômeno da RESSURGÊNCIA. E a pesquisadora traça uma relação entre ressurgência e a capacidade humana de revirar suas profundezas em busca do seu melhor.

 

“A ressurgência (ou afloramento) é uma corrente vertical que vem do fundo para superfície do mar... o grande benefício da ressurgência é a riqueza de nutrientes que traz à superfície, favorecendo o desenvolvimento abundante da vida marinha” (site Master Dive).(d)

 

Quando essas correntes marinhas mais profundas e de temperatura fria ascendem para a superfície dos oceanos, elas trazem alimentação para os peixes. Isso porque as camadas mais frias das águas carregam mais oxigênio, possibilitando a taxa mais favorável à reprodução do fito e zooplâncton, propiciando significativa elevação na quantidade de peixes e outros organismos marinhos.

 

No mundo existem algumas áreas onde o fenômeno é comum: nas costas do Peru, Califórnia e Japão, em uma área costeira que vai do Marrocos ao Senegal, na costa leste da Nova Zelândia, etc... Já no Brasil, a área de ressurgência mais conhecida e estudada é da região de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro.

 

Então, quer dizer que nas áreas do globo onde este fenômeno ocorre, a produtividade de pescados é significativamente distinta das demais regiões do planeta, sendo muito mais abundante? É isso aí! Agora, voltando para a visão da Dra. Ana Beatriz...

 

No vídeo ela comenta: “A ressurgência humana seria quando a gente passa pelas etapas do autoconhecimento, conhecimento, coragem, resiliência, e aí a gente remexe na nossa essência e traz o que tem de melhor por lá”.

 

E aqui vou um passinho além que me ocorreu diante de toda essa metáfora: quando deixamos as camadas mais profundas da nossa essência emergirem, é aí onde o nosso “nutriente” está. Aquilo que vai nos alimentar, refrescar, oxigenar.

 

É no fundo do mar que muitas vezes são encontrados também tesouros perdidos, então, quando reviramos nossas profundezas, tesouros podem ser encontrados e são trazidos à tona em forma de ideias, planos futuros, projetos, novas ações e novas direções.

 

Quando nossas águas estão paradas não nos permitem o movimento. Estancamos e, muitas vezes, não somos capazes de seguir adiante, principalmente no sentido do nosso aprimoramento.

 

E como fênix que renasce, ou, ressurge das cinzas, podemos fazer o mesmo movimento aflorando o que temos de melhor.

 

Permitir-se revolver. Permitir-se descobrir. Permitir-se ressurgir... isso faz de nós caçadores de nossos tesouros perdidos.

 

E essa é uma excepcional capacidade de nos autoconhecermos e tocarmos nossa essência primordial em busca daquilo que realmente somos, e do que viemos fazer nessa experiência chamada vida.

 

(Luah Galvão. Revista Exame. Acesso em: 03/11/2023. Adaptado.)

“[...] quando reviramos nossas profundezas, ‘tesouros’ podem ser encontrados e são trazidos à tona em forma de ideias, planos futuros, projetos, novas ações e novas direções.”

 

Quanto ao acento grave indicador de crase em “à tona”, assinale a alternativa que recebe o acento pelo mesmo motivo.

  1. AAs avaliações terão início às oito horas.
  2. BMuitas pessoas foram à biblioteca após sua reforma.
  3. CAs pessoas estavam atentas às explicações do aplicador.
  4. D“[…] o grande benefício da ressurgência é a riqueza de nutrientes que traz à superfície, favorecendo o desenvolvimento abundante da vida marinha” (site Master Dive).”
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GabaritoD — “[…] o grande benefício da ressurgência é a riqueza de nutrientes que traz à superfície, favorecendo o desenvolvimento abundante da vida marinha” (site Master Dive).”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em locução adverbial feminina: o caso de "à tona"

Gabarito: letra D. A crase em "à tona" ocorre porque se trata de uma locução adverbial feminina — a preposição "a" funde-se com o artigo feminino "a" que integra a expressão. A alternativa D reproduz exatamente esse mesmo fenômeno em "traz à superfície", também uma locução adverbial feminina. As demais alternativas apresentam crase por outros motivos: por regência verbal (A, B) ou por regência nominal (C).

O comando da questão

A questão pede que você identifique a alternativa em que o acento grave indicador de crase é usado pelo mesmo motivo que em "à tona". Isso exige classificar o tipo de crase presente em cada ocorrência. Não basta saber se há crase; é preciso saber por que há crase em cada caso. O comando "pelo mesmo motivo" é o coração da questão — ele transforma uma questão de reconhecimento em uma questão de classificação.

O texto e o fenômeno

No trecho do texto-base, "são trazidos à tona" — a expressão "à tona" é uma locução adverbial feminina que indica estado/lugar figurado. A crase é obrigatória porque a locução é formada por palavra feminina e exige a preposição "a" + artigo "a". O mesmo ocorre em "traz à superfície" (alternativa D): "superfície" é substantivo feminino, e a locução adverbial "à superfície" segue a mesma lógica — preposição "a" + artigo "a".

"[...] o grande benefício da ressurgência é a riqueza de nutrientes que traz à superfície, favorecendo o desenvolvimento abundante da vida marinha"

Aqui, "à superfície" é locução adverbial feminina de lugar, exatamente como "à tona".

A técnica que decide

Para resolver, classifique cada crase:

Alternativa

Ocorrência

Tipo de crase

A

"às oito horas"

Locução adverbial de tempo (feminina)

B

"à biblioteca"

Regência verbal (ir a + a biblioteca)

C

"às explicações"

Regência nominal (atento a + as explicações)

D

"à superfície"

Locução adverbial de lugar (feminina)

A alternativa A também é locução adverbial, mas de tempo, não de lugar. A questão pede o mesmo motivo — e o motivo em "à tona" é ser locução adverbial feminina. A alternativa D é a única que repete exatamente essa classificação.

Análise das alternativas

Crase
  • 1Locução adverbial feminina
    • De lugar
      • à tona
      • à superfície
    • De tempo
      • às oito horas
  • 2Regência verbal
    • ir à biblioteca
  • 3Regência nominal
    • atento às explicações
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"As avaliações terão início às oito horas."

Aqui, "às oito horas" é locução adverbial de tempo (feminina). Embora também seja locução adverbial, o motivo é diferente: indica tempo, não lugar. A banca explora a semelhança — ambas são locuções adverbiais femininas — mas o motivo (a classificação específica) não é o mesmo. A crase em "à tona" é locução adverbial de lugar/estado, não de tempo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Muitas pessoas foram à biblioteca após sua reforma."

A crase aqui é por regência verbal: o verbo "ir" exige a preposição "a" (ir a algum lugar), e "biblioteca" admite o artigo feminino "a". Temos preposição + artigo = crase. O motivo é completamente diferente do de "à tona", que não depende de regência de verbo algum — é uma locução fixa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"As pessoas estavam atentas às explicações do aplicador."

A crase é por regência nominal: o adjetivo "atento" exige a preposição "a" (atento a algo), e "explicações" admite o artigo "as". Novamente, o motivo é a regência — agora de um nome (adjetivo), não de verbo. Não é locução adverbial, portanto não se equipara a "à tona".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"[...] o grande benefício da ressurgência é a riqueza de nutrientes que traz à superfície, favorecendo o desenvolvimento abundante da vida marinha"

"À superfície" é locução adverbial feminina de lugar, exatamente como "à tona". A preposição "a" funde-se com o artigo "a" que antecede o substantivo feminino "superfície". O motivo é idêntico: locução adverbial feminina. É a única alternativa que repete a mesma classificação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca a alternativa A ("às oito horas") como isca — também é locução adverbial feminina, mas de tempo, não de lugar. A questão pede o mesmo motivo, e o motivo em "à tona" é locução adverbial de lugar/estado. Não basta ser locução adverbial; é preciso que a classificação coincida.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de crase, classifique cada ocorrência antes de comparar: regência verbal, regência nominal, locução adverbial (de tempo, de lugar, de modo), pronome demonstrativo etc. Só depois compare os motivos.

Gabarito: letra D — a única em que a crase ocorre pelo mesmo motivo de "à tona": locução adverbial feminina de lugar.

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