Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa594739
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref SM Jetibá
Ano
2024
Cargo
Ana ( )

Revolva-se por inteiro... e se encontre

 

Com tantas mudanças exponenciais aumentando diariamente a velocidade do mundo, muitos de nós, de repente, experimentamos o ritmo oposto. É como se a vida estivesse parada, em suspensão.

 

É aquele típico momento quando sentimos que nossas águas ficam represadas, em uma espécie de calmaria que ao invés de benigna, só gera angústia, incerteza e nos intoxica de cortisol. Nesse contexto, nossa mente dispara, e entra em atividade frenética. É aí onde os questionamentos começam!

 

E de repente, a vontade é de revirar tudo, remexer, não deixar “ficar pedra sobre pedra”. Buscar nas profundezas, respostas ainda ocultas. A expressão popular “Não ficar pedra sobre pedra” significa: “ser completamente demolido; operar-se uma revolução completa”. Isso pode valer para muitas situações do nosso cotidiano e também se aplicar em questões mais íntimas do nosso próprio ser.

 

Quando em nossa jornada de vida, nossas ações e/ou relações travam por completo, essa pode ser uma difícil, mas belíssima oportunidade para encontrar novamente o fio da meada, o sentido da caminhada – sentido aqui, tanto como propósito quanto direção.

 

Esses dias, assistindo um vídeo muito interessante da Dra. Ana Beatriz Barbosa – psiquiatra e escritora, ouvi uma passagem que me gerou bastante curiosidade. Ana Beatriz, em seu vídeo intitulado de “O melhor método para ter saúde mental em 2023”, cita, em determinado momento, o fenômeno da RESSURGÊNCIA. E a pesquisadora traça uma relação entre ressurgência e a capacidade humana de revirar suas profundezas em busca do seu melhor.

 

“A ressurgência (ou afloramento) é uma corrente vertical que vem do fundo para superfície do mar... o grande benefício da ressurgência é a riqueza de nutrientes que traz à superfície, favorecendo o desenvolvimento abundante da vida marinha” (site Master Dive).

 

Quando essas correntes marinhas mais profundas e de temperatura fria ascendem para a superfície dos oceanos, elas trazem alimentação para os peixes. Isso porque as camadas mais frias das águas carregam mais oxigênio, possibilitando a taxa mais favorável à reprodução do fito e zooplâncton, propiciando significativa elevação na quantidade de peixes e outros organismos marinhos.

 

No mundo existem algumas áreas onde o fenômeno é comum: nas costas do Peru, Califórnia e Japão, em uma área costeira que vai do Marrocos ao Senegal, na costa leste da Nova Zelândia, etc... Já no Brasil, a área de ressurgência mais conhecida e estudada é da região de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro.

 

Então, quer dizer que nas áreas do globo onde este fenômeno ocorre, a produtividade de pescados é significativamente distinta das demais regiões do planeta, sendo muito mais abundante? É isso aí! Agora, voltando para a visão da Dra. Ana Beatriz...

 

No vídeo ela comenta: “A ressurgência humana seria quando a gente passa pelas etapas do autoconhecimento, conhecimento, coragem, resiliência, e aí a gente remexe na nossa essência e traz o que tem de melhor por lá”.

 

E aqui vou um passinho além que me ocorreu diante de toda essa metáfora: quando deixamos as camadas mais profundas da nossa essência emergirem, é aí onde o nosso “nutriente” está. Aquilo que vai nos alimentar, refrescar, oxigenar.

 

É no fundo do mar que muitas vezes são encontrados também tesouros perdidos, então, quando reviramos nossas profundezas, tesouros podem ser encontrados e são trazidos à tona em forma de ideias, planos futuros, projetos, novas ações e novas direções.

 

Quando nossas águas estão paradas não nos permitem o movimento. Estancamos e, muitas vezes, não somos capazes de seguir adiante, principalmente no sentido do nosso aprimoramento.

 

E como fênix que renasce, ou, ressurge das cinzas, podemos fazer o mesmo movimento aflorando o que temos de melhor.

 

Permitir-se revolver. Permitir-se descobrir. Permitir-se ressurgir... isso faz de nós caçadores de nossos tesouros perdidos.

 

E essa é uma excepcional capacidade de nos autoconhecermos e tocarmos nossa essência primordial em busca daquilo que realmente somos, e do que viemos fazer nessa experiência chamada vida.

 

(Luah Galvão. Revista Exame. Acesso em: 03/11/2023. Adaptado.)

A conjunção aditiva “e”, dependendo do contexto de uso, pode assumir outros valores semânticos.

 

Considerando o exposto, analise o seguinte trecho: “Revolva-se por inteiro... e se encontre”.

 

Neste contexto, a conjunção introduz uma oração com sentido de:

  1. ACausa.
  2. BCondição.
  3. COposição.
  4. DFinalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A conjunção "e" com valor de finalidade: "Revolva-se por inteiro... e se encontre"

Gabarito: letra D. No trecho “Revolva-se por inteiro... e se encontre”, a conjunção "e" não soma simplesmente duas ações: ela introduz a finalidade da primeira ação. O sentido é: revolva-se por inteiro para que se encontre. A pista está no próprio texto, que associa o ato de revolver as próprias profundezas ao objetivo de encontrar a si mesmo — como se lê em: “quando reviramos nossas profundezas, tesouros podem ser encontrados e são trazidos à tona em forma de ideias, planos futuros, projetos, novas ações e novas direções”.

O comando: valor semântico de uma conjunção no contexto

A questão pede que você identifique o valor semântico que a conjunção "e" assume naquele contexto específico. Não se trata de classificar a conjunção isoladamente (ela é, em sua origem, aditiva), mas de perceber que, no uso, ela pode carregar outros sentidos — como finalidade, conclusão, adversidade, consequência. O comando "dependendo do contexto de uso" é o aviso de que a resposta não está na gramática decorada, mas na leitura da relação entre as orações.

O texto: a metáfora do revolvimento interior

O texto desenvolve uma metáfora: assim como a ressurgência marinha traz nutrientes do fundo para a superfície, o autoconhecimento exige "revolver" as próprias profundezas para trazer à tona o que há de melhor. O trecho final — “Permitir-se revolver. Permitir-se descobrir. Permitir-se ressurgir... isso faz de nós caçadores de nossos tesouros perdidos” — deixa claro que revolver-se é o meio para se encontrar. A oração "e se encontre" expressa, portanto, o objetivo da ação de revolver-se.

A técnica: teste de substituição

Para confirmar o valor de finalidade, substitua a conjunção por uma locução final equivalente:

  • "Revolva-se por inteiro para que se encontre." — faz sentido e preserva o sentido original.

Se a conjunção fosse meramente aditiva, a substituição por "e também" funcionaria: "Revolva-se por inteiro e também se encontre" — mas isso não captura a relação de propósito. A relação é de meio e fim: revolver-se é o caminho; encontrar-se é a meta.

Análise das alternativas

  1. 1Substitua por outra conjunção
  2. 2Teste o sentido no contexto
  3. 3Confirme a relação entre orações
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Causa. A conjunção não introduz uma causa. Causa seria: "Revolva-se por inteiro porque se encontre" (o que não faz sentido). No trecho, a segunda oração não é a razão da primeira, mas a sua finalidade. O texto não estabelece relação de causa e efeito entre "revolver-se" e "encontrar-se"; ao contrário, apresenta o encontrar-se como consequência desejada, não como causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Condição. Não há valor condicional. Uma condição seria: "Se você se revolver por inteiro, você se encontrará" — mas o trecho não apresenta uma hipótese; ele apresenta uma ordem/conselho com um objetivo. A conjunção "e" não equivale a "se" aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Oposição. Não há contraste entre as orações. Oposição seria: "Revolva-se por inteiro, mas não se encontre" — o que contraria o sentido do texto. As duas ações são complementares, não antagônicas. A conjunção "e" não tem valor adversativo neste contexto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Finalidade. A segunda oração expressa o propósito da primeira. A prova está na substituição por "para que": "Revolva-se por inteiro para que se encontre". O texto reforça essa leitura ao afirmar que, ao revolver as profundezas, "tesouros podem ser encontrados e são trazidos à tona em forma de ideias, planos futuros, projetos, novas ações e novas direções" — ou seja, o revolvimento é o meio para o encontro consigo mesmo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o valor mais comum da conjunção "e" (adição) para induzir ao erro. Mas o contexto pede finalidade: a segunda oração responde à pergunta "para quê?" da primeira. Sempre que houver uma relação de meio e fim, desconfie do valor aditivo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de uma conjunção, substitua-a por outra de valor conhecido e veja se o sentido se mantém. Se "para que" funciona, é finalidade; se "mas" funciona, é oposição; se "portanto" funciona, é conclusão.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/qa594739