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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa594754
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Espera Feliz
Ano
2024
Cargo
Prof ( )

Qual romance você está lendo?

 

Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão. E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura – ficção literária.

 

Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria que concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada. Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Science (migre.me/gkK9J), Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind (ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano.

 

Uma explicação. Na expressão “teoria da mente”, “teoria” significa “visão” (esse é o sentido originário da palavra). Em psicologia, a “teoria da mente” é nossa capacidade de enxergar os outros e de lhes atribuir de maneira correta crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos.

 

A teoria da mente emocional é a capacidade de reconhecer o que os outros sentem e, portanto, de experimentar empatia e compaixão por eles; a teoria da mente cognitiva é a capacidade de reconhecer o que os outros pensam e sabem e, portanto, de dialogar e de negociar soluções racionais. Obviamente, enxergar o que os outros sentem e pensam é uma condição para ter uma vida social ativa e interessante.

 

(Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo, 17/10/2013.)

Texto para responder à questão.

 

Refletindo sobre o papel da literatura na formação do leitor jovem, analise as afirmativas a seguir.

 

I. A literatura infanto-juvenil, ao apresentar narrativas complexas em um formato acessível, auxilia os jovens leitores a desenvolverem uma melhor compreensão das emoções e pensamentos alheios, fomentando a empatia.

 

II. Embora a literatura infanto-juvenil introduza os jovens a diferentes perspectivas, seu impacto no desenvolvimento da teoria da mente é limitado, sendo mais eficaz em estágios mais avançados de leitura.

 

III. A literatura infanto-juvenil contribui para o desenvolvimento da teoria da mente ao encorajar os jovens leitores a explorarem diversos cenários e personagens, embora a profundidade dessa contribuição possa variar.

 

Está correto o que se afirma apenas em

  1. AI.
  2. BIII.
  3. C I e II.
  4. D I e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de texto: literatura infanto-juvenil e teoria da mente

Gabarito: letra A. Apenas a afirmativa I está correta. O texto de Contardo Calligaris sustenta que a leitura de ficção literária melhora a "teoria da mente" — a capacidade de reconhecer o que os outros sentem e pensam —, e a afirmativa I é uma paráfrase fiel dessa ideia aplicada ao público jovem. As afirmativas II e III falham: a II contradiz o texto ao afirmar que o impacto é "limitado" e "mais eficaz em estágios avançados", e a III extrapola ao introduzir a ressalva de que "a profundidade dessa contribuição possa variar", algo que o autor não afirma.

O comando

A questão pede que se analise cada afirmativa à luz do texto-base. Não se trata de uma questão de inferência profunda, mas de compreensão/recorrência: cada afirmativa deve ser confrontada com o que o texto efetivamente diz. O verbo "analisar" aqui exige que você verifique se a ideia apresentada em cada item é sustentada pelo texto, sem acrescentar nada que não esteja lá.

O texto

O texto de Calligaris defende a tese de que ler ficção literária melhora a "teoria da mente" — a capacidade de enxergar os outros e atribuir-lhes corretamente crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos. O autor distingue a teoria da mente emocional (reconhecer o que os outros sentem, gerando empatia) da cognitiva (reconhecer o que os outros pensam, permitindo o diálogo). A passagem central que ancora a resposta é:

"A teoria da mente emocional é a capacidade de reconhecer o que os outros sentem e, portanto, de experimentar empatia e compaixão por eles; a teoria da mente cognitiva é a capacidade de reconhecer o que os outros pensam e sabem e, portanto, de dialogar e de negociar soluções racionais."

É essa definição que a afirmativa I parafraseia ao falar em "compreensão das emoções e pensamentos alheios, fomentando a empatia".

A técnica que decide

A armadilha central desta questão é a extrapolação e a contradição. A banca cria afirmativas que parecem plausíveis, mas que ou vão além do que o texto afirma (III) ou invertem o que ele diz (II). O método é simples: para cada afirmativa, pergunte "onde no texto isso está dito?". Se não houver passagem que autorize, a afirmativa está errada — mesmo que soe verdadeira no mundo real.

O gancho

Teste cada afirmativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? A afirmativa I é autorizada pela definição de teoria da mente; a II é desautorizada pela tese central (o texto diz que a ficção melhora a teoria da mente, não que o impacto é limitado); a III é desautorizada pela ausência de qualquer ressalva sobre "profundidade variável".

Item I — ✅ Correto

A afirmativa I afirma que a literatura infanto-juvenil, ao apresentar narrativas complexas em formato acessível, auxilia os jovens a desenvolverem melhor compreensão das emoções e pensamentos alheios, fomentando a empatia. Isso é uma paráfrase direta da tese do texto. O autor afirma que a ficção literária melhora a teoria da mente, e define essa teoria como a capacidade de reconhecer o que os outros sentem (gerando empatia) e pensam. A afirmativa apenas aplica essa ideia ao público jovem, o que é uma inferência legítima — o texto não fala especificamente de jovens, mas a aplicação é coerente com a tese geral, sem acrescentar nenhuma informação nova que o texto não sustente.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmativa II contradiz o texto. Ela afirma que o impacto da literatura infanto-juvenil no desenvolvimento da teoria da mente é "limitado" e "mais eficaz em estágios mais avançados de leitura". O texto, ao contrário, afirma que a ficção literária melhora a teoria da mente, sem qualquer ressalva de que esse efeito seja limitado ou dependa de estágios avançados. A palavra "embora" no início da afirmativa tenta criar uma aparência de ponderação, mas a ideia central — a limitação do impacto — é incompatível com a tese do autor. O texto não diz que o efeito é limitado; diz que a ficção melhora a teoria da mente. A afirmativa inverte o sentido do texto.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa III extrapola o texto. Ela afirma que a literatura infanto-juvenil contribui para o desenvolvimento da teoria da mente, o que é coerente com o texto, mas acrescenta a ressalva de que "a profundidade dessa contribuição possa variar". Essa ressalva não está no texto. O autor não faz nenhuma ponderação sobre a profundidade variável do efeito; ele afirma categoricamente que a ficção literária melhora a teoria da mente. A afirmativa III, portanto, vai além do que o texto diz, introduzindo uma ideia que não é sustentada por nenhuma passagem. É a clássica armadilha da extrapolação: a primeira parte da afirmativa é verdadeira, mas a segunda parte (a ressalva) é uma invenção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação na afirmativa III (a ressalva sobre "profundidade variável" não existe no texto) e a contradição na afirmativa II (o texto diz que a ficção melhora a teoria da mente, não que o impacto é limitado). A afirmativa I é a única que se limita a parafrasear o texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "analise as afirmativas", grife no texto a passagem que sustenta cada item. Se não encontrar a passagem, o item está errado — mesmo que a ideia pareça razoável. Desconfie de ressalvas ("embora", "mas", "no entanto") que introduzem ideias que o texto não menciona.

Conclusão: apenas a afirmativa I é correta, pois é a única que encontra respaldo direto no texto. A II contradiz a tese central, e a III extrapola ao acrescentar uma ressalva inexistente. Portanto, o gabarito é a letra A.

Gabarito: letra A

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