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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa594796
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref SM Jetibá
Ano
2024
Cargo
Cov ( )

Outro de elevador

 

“Ascende” dizia o ascensorista. Depois: “Eleva-se”. “Para cima”. “Para o alto”. “Escalando”. Quando perguntavam “Sobe ou desce?” Respondia “A primeira alternativa”. Depois dizia “Descende”, “Ruma para baixo”, “Cai controladamente”, “A segunda alternativa”… “Gosto de improvisar”, justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo.

 

Quando perguntavam “Sobe?” Respondia “É o que veremos…” ou então “Como a Virgem Maria”. Desce? “Dei” Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia “tem seus altos e baixos”, como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados… E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: “Era só me pedirem – eu também canto!”.

 

(Luís Fernando Veríssimo. Jornal O Globo. 2002.)

É possível considerar que o ascensorista fica frustrado ao ser demitido, pois o elevador antigo foi substituído por um mais moderno.   Tal fato pode ser confirmado por meio do trecho:
  1. A“Gosto de improvisar”
  2. B“Cai controladamente”
  3. C“A primeira alternativa”
  4. D“Era só me pedirem – eu também canto!”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Era só me pedirem – eu também canto!”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A frustração do ascensorista: a ironia da última fala

Gabarito: letra D. O trecho que confirma a frustração do ascensorista ao ser demitido é “Era só me pedirem – eu também canto!”, pois, no contexto da substituição do elevador antigo por um automático, a fala revela que ele se dispõe a fazer algo a mais (cantar) para continuar no emprego — um último e irônico apelo. Como se lê no final do texto: “E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: ‘Era só me pedirem – eu também canto!’”.

A questão pede que você localize no texto o trecho que comprova a frustração do personagem diante da demissão. Trata-se de uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita, mas exige que você perceba o sentido irônico da fala. O ascensorista, ao saber que o elevador novo toca música ambiental, oferece-se para cantar — ou seja, ele tenta se adaptar à nova realidade para não ser dispensado. Essa tentativa revela o quanto a demissão o frustra.

O texto narra a história de um ascensorista que improvisa respostas criativas durante o trabalho. Quando o elevador é substituído por um automático, ele perde o emprego. A ironia está em sua última fala: em vez de aceitar passivamente a demissão, ele sugere que poderia cantar junto com a música ambiental, como se isso fosse um diferencial para mantê-lo no cargo. Essa fala, carregada de humor e resignação, é a prova de que ele não queria sair — daí a frustração.

A técnica que decide: para questões de compreensão, a resposta é uma paráfrase do texto, mas aqui a banca testa se você capta o subentendido — a informação implícita que não está dita, mas é sugerida. A fala “Era só me pedirem – eu também canto!” não diz literalmente “estou frustrado”, mas o contexto (a demissão, a música ambiental do novo elevador) obriga a essa leitura. É uma inferência ancorada em pistas: o verbo “cantar” remete à música do elevador novo, e a condicional “era só me pedirem” indica que ele se ofereceria para continuar. Qualquer outra leitura seria extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca falas soltas do ascensorista (A, B, C) que, fora do contexto, parecem apenas criativas, mas não têm relação com a demissão. A correta (D) é a única que, no contexto da substituição do elevador, revela a frustração — por isso é preciso voltar ao texto e ver o que antecede e sucede cada fala.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que citam trechos do texto, mas fora do contexto. Pergunte: “este trecho, no lugar onde está, comprova o que o enunciado afirma?”. Se não, é distrator.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Gosto de improvisar” é uma fala do ascensorista que explica seu comportamento criativo, mas não tem relação com a demissão. Ela aparece no início do texto, quando ele ainda está empregado, e apenas justifica suas respostas inusitadas. Não há, nesse trecho, qualquer menção à substituição do elevador ou à frustração. Erro: tangencia o tema — fala do personagem, mas não do fato que o enunciado pede para confirmar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Cai controladamente” é uma das respostas improvisadas para “desce”. É uma expressão criativa, mas não está ligada à demissão. O trecho em que aparece descreve as variações de resposta do ascensorista, sem qualquer relação com o elevador novo ou com a perda do emprego. Erro: fora do escopo — não aborda o fato da demissão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“A primeira alternativa” é outra resposta improvisada, usada quando perguntam se o elevador sobe ou desce. Novamente, é uma fala do cotidiano do personagem, sem conexão com a demissão. O trecho não menciona a substituição do elevador nem a frustração. Erro: tangencia o tema — é uma fala do personagem, mas não comprova o que o enunciado pede.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho “Era só me pedirem – eu também canto!” é a única fala que, no contexto, revela a frustração. O texto diz que ele perdeu o emprego porque o elevador antigo foi substituído por um automático “daqueles que têm música ambiental”. Ao ouvir isso, o ascensorista responde que poderia cantar — ou seja, ele se oferece para se adaptar à nova realidade, mostrando que não queria sair. Essa fala é irônica e carregada de resignação, confirmando a frustração. A passagem que prova: “E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: ‘Era só me pedirem – eu também canto!’”.

Conclusão: a questão testa a compreensão do sentido contextual — a fala só faz sentido como prova de frustração quando lida junto com a informação da demissão e da música ambiental. As demais alternativas são falas soltas, sem esse vínculo. Gabarito: letra D.

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