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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa594854
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFTM
Ano
2024
Cargo
Ass Adm ( )

LUGAR AO SOL

 

Sucesso na produção de genéricos e financiamento público deram impulso a pesquisa e desenvolvimento nas farmacêuticas nacionais, mostra estudo

Fabrício Marques (Edição 296. Out. 2020)

 

A ideia de que a indústria farmacêutica realiza poucas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, dedicando-se essencialmente à produção e à venda de remédios para o mercado local, foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento e uma mudança de comportamento das fabricantes de capital nacional. Em um trabalho publicado em junho na Revista Brasileira de Inovação, o grupo mostrou que, ao longo dos últimos 20 anos, as maiores empresas brasileiras de fármacos ampliaram investimentos nas atividades internas de P&D e aumentaram o contingente de pesquisadores contratados. Já as companhias transnacionais continuaram a investir no Brasil com foco mais intenso em atividades como ensaios clínicos e treinamento, mantendo a parte mais nobre e dispendiosa de P&D em suas matrizes no exterior.

O estudo se debruçou sobre a Pesquisa de Inovação (Pintec), levantamento trienal produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é a principal fonte de informações sobre inovação na economia brasileira. Os dados, específicos do segmento farmacêutico e referentes às edições da Pintec concluídas em 2008, 2011 e 2014, foram obtidos por meio de uma tabulação encomendada ao IBGE. A análise se limitou às empresas de maior porte, com mais de 500 funcionários – na Pintec de 2014, abrangia 28 firmas nacionais e 27 transnacionais. Os faturamentos dos dois grupos tinham patamares distintos. Entre as nacionais, a soma da receita líquida de vendas cresceu 105% entre 2008 e 2014 – subindo, em termos reais, de R$ 7,8 bilhões para R$ 16 bilhões. As transnacionais cresceram em ritmo menor, mas o total de suas receitas foi de R$ 18,5 bilhões para R$ 25 bilhões, com aumento de 36,2%.

O dado que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a qualidade do investimento em P&D. “Os gastos com inovação de empresas brasileiras em geral se concentram na compra de máquinas e equipamentos, mas a indústria farmacêutica nacional rompeu essa tendência a partir de 2008 e ampliou sua capacidade de inovar ao investir mais em atividades internas de P&D, em parcerias com universidades e em treinamento de pessoal”, explica a economista Julia Paranhos, pesquisadora do Instituto de Economia da UFRJ e autora principal do estudo. Em 2014, o total investido em P&D internos pelas nacionais alcançou R$ 794 milhões e cresceu, em valores atualizados pela inflação, 174% em relação a 2008. Embora suas receitas sejam menores, isso equivale a mais do que o dobro dos R$ 344 milhões gastos nessa rubrica pelas concorrentes transnacionais. As duas categorias de empresas ampliaram o pessoal ocupado com P&D realizados internamente, mas o número de pesquisadores com nível de pós-graduação nas nacionais era quase cinco vezes maior que nas transnacionais – o placar era de 222 a 47 em 2014.

O fôlego das farmacêuticas brasileiras se deve principalmente à conquista do mercado de genéricos. Baseado na produção de princípios ativos que deixaram de ser protegidos por patentes, esse mercado dispensa investimentos de grande risco. Companhias de capital brasileiro detêm 90% desse mercado. “Com o caixa gerado pela venda de genéricos, elas puderam investir em capacitação crescente”, afirma a economista Lia Hasenclever, professora aposentada do Instituto de Economia da UFRJ e coautora do artigo. [...]

Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/lugar-ao-sol/. Acesso em: 6 dez. 2023.

 

Sobre o emprego da vírgula no texto, assinale a alternativa correta.

  1. AEm “As transnacionais cresceram em ritmo menor, mas o total de suas receitas [...]”, o emprego da vírgula é facultativo.
  2. BEm “[....] o grupo mostrou que, ao longo dos últimos 20 anos, as maiores empresas brasileiras [...]”, as vírgulas são empregadas para isolar um aposto.
  3. CEm “[...] referentes às edições da Pintec concluídas em 2008, 2011 e 2014 [...]”, a vírgula é empregada para separar um adjunto adverbial de tempo que está deslocado de sua posição canônica.
  4. DEm “[...] foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento [...]”, o emprego da vírgula é obrigatório.
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GabaritoD — Em “[...] foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento [...]”, o emprego da vírgula é obrigatório.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso da vírgula: oração adjetiva explicativa

Gabarito: letra D. A vírgula em "foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento" é obrigatória porque isola uma oração adjetiva explicativa — aquela que acrescenta uma informação acessória sobre o termo anterior, sem restringi-lo. A passagem que ancora a resposta está no 1º parágrafo do texto.

"[...] foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento e uma mudança de comportamento das fabricantes de capital nacional."

A oração iniciada por "que" explica algo sobre todo o grupo de pesquisadores da UFRJ (não sobre uma parte específica dele), por isso é explicativa e exige a vírgula. Se a vírgula fosse retirada, a oração passaria a ser restritiva, indicando que apenas alguns pesquisadores da UFRJ — não todos — identificaram o crescimento, o que mudaria o sentido. Como o texto se refere ao grupo como um todo, a vírgula é de uso obrigatório.

O comando da questão

A questão pede que se analise o emprego da vírgula em trechos específicos do texto. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de gramática aplicada ao texto: é preciso identificar a função sintática que a vírgula exerce em cada ocorrência e julgar se o uso é obrigatório, facultativo ou proibido. A técnica central é reconhecer os termos e orações que a vírgula isola:

  • Oração adjetiva explicativa: sempre isolada por vírgulas (obrigatório), pois acrescenta uma qualidade que não restringe o sentido do antecedente. Ex.: "O homem, que é mortal, vive pouco." (todo homem é mortal).

  • Oração adjetiva restritiva: não admite vírgula, pois restringe o sentido do antecedente. Ex.: "O homem que é mortal vive pouco." (apenas os mortais).

  • Aposto: termo que explica ou especifica um substantivo, também isolado por vírgulas (obrigatório). Ex.: "Ares, o deus da guerra, inspirava os troianos."

  • Adjunto adverbial deslocado: quando antecipado ou intercalado, a vírgula é facultativa (se curto) ou obrigatória (se longo). Ex.: "Semana passada, viajei para o Amapá." (facultativa).

  • Conjunção adversativa (mas, porém, todavia): a vírgula é obrigatória antes da oração que introduz. Ex.: "Estudou muito, mas não passou."

A banca adora confundir aposto com oração adjetiva explicativa — ambos são isolados por vírgulas, mas o aposto é um termo (sem verbo), enquanto a oração adjetiva tem verbo. Outra pegadinha clássica é chamar de facultativo um uso obrigatório, como no caso da oração explicativa.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"As transnacionais cresceram em ritmo menor, mas o total de suas receitas [...]"

A vírgula antes de "mas" é obrigatória, não facultativa. A conjunção "mas" é adversativa e introduz uma oração coordenada sindética adversativa; a norma gramatical exige vírgula antes dela. A alternativa erra ao classificar como facultativo um uso obrigatório — erro de classificação (troca conceito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"[...] o grupo mostrou que, ao longo dos últimos 20 anos, as maiores empresas brasileiras [...]"

As vírgulas isolam um adjunto adverbial de tempo deslocado ("ao longo dos últimos 20 anos"), não um aposto. O aposto é um termo que explica um substantivo, sem verbo; aqui temos uma locução adverbial que indica tempo. A alternativa confunde aposto com adjunto adverbial — erro de troca de conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"[...] referentes às edições da Pintec concluídas em 2008, 2011 e 2014 [...]"

A vírgula aqui separa elementos de uma enumeração (anos), não um adjunto adverbial deslocado. A função é separar termos coordenados em uma série. A alternativa atribui função incorreta à vírgula — erro de troca de conceito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"[...] foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento [...]"

A vírgula isola uma oração adjetiva explicativa, introduzida pelo pronome relativo "que". Essa oração acrescenta uma informação sobre todo o grupo de pesquisadores, sem restringi-lo. A vírgula é obrigatória para marcar a explicação. Se retirada, a oração se tornaria restritiva, alterando o sentido (apenas alguns pesquisadores). Portanto, a alternativa está correta.

Conclusão

A questão testa o domínio das funções da vírgula. A alternativa D é a única que identifica corretamente um uso obrigatório (oração adjetiva explicativa). As demais ou classificam como facultativo um uso obrigatório (A) ou atribuem função errada à vírgula (B e C).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função da vírgula: aposto por adjunto adverbial, enumeração por adjunto deslocado, e ainda chama de facultativo um uso obrigatório. Fique atento à presença de verbo na oração isolada: se houver verbo, é oração adjetiva; se não, pode ser aposto.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir explicativa de restritiva, pergunte: "a informação se aplica a todo o conjunto ou a uma parte?" Se for a todo o conjunto, é explicativa e exige vírgula. Se for a uma parte, é restritiva e não admite vírgula.

Gabarito: letra D

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