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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa594863
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFTM
Ano
2024
Cargo
Aud ( )

Texto 1

Tolerância humana a ondas de calor pode estar próxima ao limite

Com um aumento superior a 2 ºC na média global, mais de 25% das estações meteorológicas da Europa vão registrar temperaturas letais para seres humanos jovens e saudáveis, no mínimo, uma vez nos próximos cem anos.

 

Um estudo publicado recentemente no periódico Science Advances revelou que, se a temperatura média da Terra aumentar mais de 1,5 ºC em relação ao patamar atual, as ondas de calor se tornarão intensas o suficiente para matar pessoas jovens e saudáveis em certas partes do planeta.

Mortes por calor (infelizmente) não são uma novidade. A diferença é que, hoje, idosos e pessoas com comorbidades são as vítimas mais comuns. No ano passado, o verão europeu já mostrou que não estava para brincadeira. Uma estimativa publicada na Nature fala em 60 mil mortes por calor no continente entre maio e setembro.

Para o pesquisador da Universidade de Oxford e líder do estudo, Carter Powis, essa situação vai variar de acordo com o local. Em regiões onde as construções e as pessoas não estão adaptadas ao calor, os efeitos podem ser mais expressivos.

“Poderíamos ter uma onda de calor muito extrema que se afasta substancialmente das normas históricas, ultrapassa esse limite e causa muito mais mortalidade do que se esperaria”, disse ele à New Scientist. “O que veremos, especialmente na Europa e na América do Norte, é um aumento na incidência dessas ondas de calor à medida que o mundo se aquece entre 1,5 e 2 ºC”.

O estudo abre espaço para uma questão ainda mais preocupante. Se ondas de calor extremas podem afetar cada vez mais a vida de pessoas na Europa, que tem médias de temperatura consideravelmente mais baixas que as brasileiras, é de se imaginar o impacto para nós e outros habitantes de regiões mais quentes.

(Aqui, vale uma digressão: essa é uma generalização. O aquecimento médio do globo é só um retrato simplificado de um processo de desequilíbrio climático bem mais confuso – que pode, de acordo com as particularidades de cada lugar do planeta, diminuir as temperaturas em vez de aumentá-las.) [...]

Nos últimos anos, pesquisadores vêm tentando descobrir qual o limite de calor que o corpo humano consegue suportar sem a necessidade de nenhum tipo de resfriamento. [...]

Lá em 2010, pesquisadores da Universidade de Purdue, Indiana, chegaram a uma resposta possível. Para isso, eles utilizaram uma técnica chamada de bulbo úmido. Ela consiste em colocar um pano molhado em torno do bulbo de um termômetro analógico (a parte gordinha na ponta inferior, onde fica armazenado o mercúrio) – e ver, conforme a água evapora, o quanto o termômetro esfria.

Isso acontece porque a evaporação consome calor. [...] E, conforme a energia térmica vai escapando de carona no vapor, o termômetro esfria. Esse processo é conhecido como resfriamento evaporativo, e funciona de maneira semelhante ao nosso suor. [...]

Segundo o relatório da ONU, a previsão é de que, até 2100, o planeta aumente de temperatura em 2,6 ºC. Ou seja: não se engane com a cifra baixa. Esse aumento é o suficiente para estragos bastante consideráveis no mundo.

Adaptado de: https://super.abril.com.br/ciencia/tolerancia-humana-a-ondas-de-calor-pode-estar-proxima-ao-limite/. Acesso em: 20 de nov. 2023.

 

Tendo em vista aspectos linguísticos que constituem o Texto 1, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.

I. No título “Tolerância humana a ondas de calor pode estar próxima ao limite”, os termos destacados acentuam-se pela mesma razão.

II. Em “[...] mais de 25% das estações meteorológicas da Europa vão registrar temperaturas letais [...]”, o verbo auxiliar da locução verbal está no plural, nesse caso, para concordar com “estações meteorológicas” e não com o numeral “25”.

III. Em “ ‘[...] ultrapassa esse limite e causa muito mais mortalidade do que se esperaria’”, disse ele à New Scientist.”, o acento indicativo de crase se justifica devido à expressão “a New Scientist” se tratar de uma locução adverbial formada por palavra feminina.

IV. No trecho “[...] pode, de acordo com as particularidades de cada lugar do planeta, diminuir as temperaturas em vez de aumentá-las.”, os termos destacados pertencem à mesma classe de palavras: pronomes – o primeiro acompanha “lugar”; o segundo retoma “temperaturas”.

  1. AApenas I e III.
  2. BApenas II e IV.
  3. CApenas I, II e III.
  4. DApenas I, II e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas II e IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise linguística do Texto 1 — acentuação, concordância, crase e pronomes

Gabarito: letra B (apenas II e IV). A assertiva II está correta porque o verbo auxiliar "vão" concorda com o núcleo do sujeito "25%"? Não: concorda com o especificador "estações meteorológicas", como manda a regra de concordância com percentuais. A assertiva IV está correta porque "cada" é pronome indefinido adjetivo (acompanha "lugar") e "as" (em "aumentá-las") é pronome pessoal oblíquo que retoma "temperaturas". A assertiva I está errada: "Tolerância" é proparoxítona (todas são acentuadas), mas "próxima" é paroxítona terminada em ditongo (regra específica). A assertiva III está errada: a crase em "à New Scientist" ocorre pela regência do verbo "disse" (quem diz, diz algo a alguém) + artigo feminino, não por ser locução adverbial.

O comando

A questão pede para analisar aspectos linguísticos — ou seja, cada assertiva deve ser julgada pela regra gramatical correta, não pela aparência ou pelo senso comum. É uma questão de conceito (gramática metalinguística), não de interpretação de texto. O texto serve apenas de contexto; o que importa é a análise das estruturas destacadas.

O texto

O Texto 1 trata da tolerância humana a ondas de calor e do aumento da temperatura global. Para esta questão, o conteúdo é secundário: o foco está nos trechos citados em cada assertiva. Por isso, a leitura deve ser seletiva: localize cada trecho mencionado e aplique a regra.

A técnica

Cada assertiva exige uma regra específica. Vamos a elas:

  • Acentuação: "Tolerância" é proparoxítona (todas são acentuadas); "próxima" é paroxítona terminada em ditongo (regra específica). Não é a mesma razão.

  • Concordância com percentual: quando o sujeito é formado por numeral percentual + especificador, o verbo concorda com o especificador (ou com o numeral, se não houver especificador). No trecho, o especificador é "estações meteorológicas", por isso "vão" está no plural.

  • Crase: ocorre pela fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "disse") com o artigo "a" (que antecede "New Scientist"). Não é locução adverbial.

  • Pronomes: "cada" é pronome indefinido adjetivo (acompanha "lugar"); "as" (em "aumentá-las") é pronome pessoal oblíquo que retoma "temperaturas".

Análise linguística
  • 1Acentuação
    • Tolerância (proparoxítona)
    • próxima (paroxítona com ditongo)
  • 2Concordância com percentual
    • Verbo concorda com o especificador
    • "25% das estações... vão"
  • 3Crase
    • Regência do verbo "disse" + artigo
    • Não é locução adverbial
  • 4Pronomes
    • "cada" (indefinido adjetivo)
    • "as" (oblíquo, retoma "temperaturas")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A assertiva I está errada: "Tolerância" é proparoxítona (todas são acentuadas), mas "próxima" é paroxítona terminada em ditongo (regra específica). A assertiva III também está errada: a crase em "à New Scientist" ocorre pela regência do verbo "disse" (quem diz, diz algo a alguém) + artigo feminino, não por ser locução adverbial. Portanto, a combinação I e III não é correta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A assertiva II está correta: no trecho "mais de 25% das estações meteorológicas da Europa vão registrar", o verbo auxiliar "vão" concorda com o especificador "estações meteorológicas", não com o numeral "25%". A assertiva IV está correta: "cada" é pronome indefinido adjetivo (acompanha "lugar") e "as" (em "aumentá-las") é pronome pessoal oblíquo que retoma "temperaturas". Portanto, apenas II e IV são corretas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A assertiva I está errada (como visto), e a assertiva III também está errada (a crase é por regência, não por locução adverbial). Portanto, a combinação I, II e III não é correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A assertiva I está errada (como visto). Portanto, a combinação I, II e IV não é correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura regras gramaticais com aparências: a crase em "à New Scientist" parece locução adverbial, mas é regência; a concordância com "25%" parece ser com o numeral, mas é com o especificador.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar assertivas de gramática, identifique a regra exata antes de julgar. Não se deixe levar pela aparência: "Tolerância" e "próxima" têm acentos por razões diferentes; "à" pode ser crase por regência, não só por locução.

Conclusão: a questão cobra domínio de regras específicas de acentuação, concordância, crase e pronomes. A única combinação correta é II e IV, portanto o gabarito é a letra B.

Gabarito: letra B

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