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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa595142
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
ADEMA SE
Ano
2024
Cargo
Ana Amb ( )

Tráfico de espécies animais causa impactos em todo o meio ambiente

A partir da apreensão de ovos de arara-azul-de-lear, Cristina Yumi Miyaki adverte que toda a fauna e flora de um ecossistema estão interligadas e suas interações complexas são modificadas por essa prática criminosa

 

Julio Silva

 

No início de fevereiro, mãe e filha ucranianas foram presas na cidade mineira de Governador Valadares por tráfico internacional de animais silvestres, após serem flagradas transportando uma incubadora com ovos de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie endêmica da Caatinga brasileira que está presente na lista oficial de espécies brasileiras ameaçadas de extinção, divulgada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Cristina Yumi Miyaki, professora do Instituto de Biociências da USP, explica os riscos que essa prática ilegal traz às espécies ameaçadas de extinção e à estabilidade dos ecossistemas nacionais.

 

Riscos

Segundo a docente, a captura de espécies através do tráfico ilegal causa um impacto não apenas na população desse animal, mas também em todo o ambiente e nos outros indivíduos com os quais ele se relaciona, uma vez que toda a fauna e flora de um ecossistema estão interligadas e suas interações complexas são modificadas pela prática ilícita. “A perda de uma espécie que é a principal dispersora de sementes de uma determinada árvore vai afetar essa espécie de árvore que, por sua vez, pode ser abrigo para uma terceira espécie e assim por diante”, exemplifica a especialista.

De acordo com a professora, a maioria dos indivíduos apreendidos pelo tráfico ilegal são capturados diretamente da natureza e não sobrevivem ao processo de transporte até o destino final, pois não estão acostumados a conviver fora de seu habitat natural. Ela explica também que, para capturar animais que vivem em troncos, toda a estrutura da árvore é derrubada pelos criminosos e a perda para essa espécie torna-se ainda maior.

 

Dados

(...) O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estima que cerca de 80% dos animais traficados correspondem a aves, sendo a maioria da ordem Passeriforme, ou seja, os passarinhos. A tradição brasileira de ter essas aves em gaiolas, além da beleza das plumas e do canto, são alguns dos fatores que explicam a alta taxa de exploração ilegal dessas espécies.

 

Órgãos de preservação

Segundo Cristina, a autoridade governamental responsável pela conservação das espécies ameaçadas de extinção no Brasil é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que pertence ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Ela explica que o órgão coordena ações nacionais de combate à exploração animal em parceria com instituições e organizações não governamentais (ONGs) nacionais e internacionais.

“Além da captura de animais por meio do tráfico ilegal, a destruição e a degradação do ambiente, ou seja, do habitat, é uma outra ameaça importante que pode diminuir a área onde as espécies podem habitar ou ainda isolar suas populações em pequenas manchas de ambiente adequado, limitando então a sua dispersão”, afirma.

Um levantamento realizado pelo ICMBio mostra que das 12.256 espécies da fauna brasileira analisadas, 1.173 estão ameaçadas de extinção. Aliadas ao tráfico ilegal, outras ações humanas como queimadas e destruição dos ecossistemas para implementação de atividade agropecuária são as principais responsáveis pela grande quantidade de indivíduos em risco.

 

Métodos de prevenção

Conforme Cristina Yumi Miyaki, o combate ao tráfico ilegal exige ações coordenadas de diversas áreas, mas ela destaca a educação e conscientização de toda a população, além da fiscalização com inteligência na investigação por parte das autoridades, como fatores preponderantes no enfrentamento dessa problemática. A especialista conta que o Estado precisa exercer um forte apoio nos níveis federal, estadual e municipal para auxiliar os órgãos fiscalizadores.

“Também é necessário diminuir a alta demanda desses animais que, por muitas vezes, é internacional e por isso implica na necessidade de articulação entre diferentes países. Por isso é um tema tão complexo”, finaliza.

Adaptado de: https://jornal.usp.br/radio-usp/trafico-de-especiesanimais- causa-impactos-em-todo-o-meio-ambiente/ . Acesso em: 30 abr. 2024.

Os pronomes “que”, destacados no texto (1º, 2º e último parágrafos), referem-se, respectivamente, a
  1. Aespécie endêmica da Caatinga brasileira; uma espécie; a alta demanda desses animais.
  2. Bespécie endêmica; a perda de uma espécie; demanda desses animais.
  3. Cespécie endêmica da Caatinga brasileira; uma espécie; desses animais.
  4. DCaatinga brasileira; uma espécie; a alta demanda.
  5. Eespécie; perda; demanda.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — espécie endêmica da Caatinga brasileira; uma espécie; a alta demanda desses animais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência dos pronomes relativos "que" no texto

Gabarito: letra A. Os três "que" destacados retomam, respectivamente, "espécie endêmica da Caatinga brasileira", "uma espécie" e "a alta demanda desses animais". A resolução é puramente de coesão referencial anafórica: cada pronome relativo "que" retoma o termo imediatamente anterior que ele modifica, e a alternativa correta é a única que identifica com precisão esses três antecedentes, sem cortes ou acréscimos indevidos.

O comando

A questão pede que você identifique o referente de cada ocorrência do pronome relativo "que" nos 1º, 2º e último parágrafos. Isso é uma tarefa de coesão referencial: o pronome relativo é um mecanismo que retoma (função anafórica) um termo já mencionado, evitando sua repetição. Para resolver, você não precisa interpretar o texto — precisa localizar o antecedente exato de cada pronome, ou seja, o termo que ele substitui e ao qual se liga sintaticamente.

O texto e a técnica

A técnica é simples e mecânica: o pronome relativo "que" introduz uma oração subordinada adjetiva e retoma o termo imediatamente anterior que ele modifica. Vamos localizar cada ocorrência:

1º parágrafo:

"...ovos de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie endêmica da Caatinga brasileira que está presente na lista oficial..."

Aqui, o "que" retoma "espécie endêmica da Caatinga brasileira" — é essa espécie que "está presente na lista oficial". Note que o antecedente é o sintagma completo, não apenas "espécie" ou "Caatinga".

2º parágrafo:

"A perda de uma espécie que é a principal dispersora de sementes..."

O "que" retoma "uma espécie" — é essa espécie que "é a principal dispersora de sementes". O antecedente é "uma espécie", e não "a perda de uma espécie", pois o pronome se liga ao núcleo do sintagma, que é "espécie".

Último parágrafo:

"...diminuir a alta demanda desses animais que, por muitas vezes, é internacional..."

O "que" retoma "a alta demanda desses animais" — é essa demanda que "é internacional". O antecedente é o sintagma completo, incluindo o complemento "desses animais".

A armadilha central

A banca explora a tendência de truncar o antecedente, ou seja, de considerar apenas parte do sintagma como referente. Veja o padrão:

Ocorrência

Antecedente completo

Armadilha (truncamento)

1º parágrafo

espécie endêmica da Caatinga brasileira

"espécie endêmica" (B) ou "Caatinga brasileira" (D)

2º parágrafo

uma espécie

"a perda de uma espécie" (B)

Último parágrafo

a alta demanda desses animais

"demanda desses animais" (B) ou "desses animais" (C)

A alternativa B, por exemplo, erra ao dizer que o segundo "que" retoma "a perda de uma espécie" — mas o pronome retoma apenas "uma espécie", pois é a espécie que é dispersora, não a perda. Da mesma forma, a alternativa C trunca o terceiro antecedente para "desses animais", quando o correto é "a alta demanda desses animais".

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Identifica com precisão os três antecedentes: "espécie endêmica da Caatinga brasileira" (1º), "uma espécie" (2º) e "a alta demanda desses animais" (3º). Confere exatamente com os trechos citados acima.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra no segundo antecedente: diz que o "que" retoma "a perda de uma espécie", mas o pronome retoma apenas "uma espécie" — é a espécie que é dispersora, não a perda. Também trunca o terceiro antecedente para "demanda desses animais", omitindo o artigo "a" e o adjetivo "alta", que fazem parte do sintagma. Erro: troca de referente (truncamento).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta os dois primeiros antecedentes, mas erra o terceiro: diz que o "que" retoma "desses animais", quando na verdade retoma "a alta demanda desses animais" — é a demanda que é internacional, não os animais. Erro: troca de referente (truncamento).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra no primeiro antecedente: diz que o "que" retoma "Caatinga brasileira", mas o pronome retoma "espécie endêmica da Caatinga brasileira" — é a espécie que está na lista, não a Caatinga. Também trunca o terceiro antecedente para "a alta demanda", omitindo "desses animais". Erro: troca de referente (truncamento).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Trunca todos os antecedentes: "espécie", "perda" e "demanda". No 2º parágrafo, o "que" retoma "uma espécie", não "perda"; no 1º, retoma o sintagma completo "espécie endêmica da Caatinga brasileira". Erro: troca de referente (truncamento generalizado).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de truncar o antecedente do pronome relativo, considerando apenas parte do sintagma. A regra de ouro: o "que" retoma o termo imediatamente anterior que ele modifica, e esse termo pode ser um sintagma completo, não apenas o núcleo.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome relativo, pergunte: "o que está sendo modificado pela oração adjetiva?" A resposta é o antecedente completo. Teste substituindo o "que" pelo suposto referente: se a frase fizer sentido, acertou.

Gabarito: letra A — a única que identifica os três antecedentes sem truncamento ou troca de referente.

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