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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa595160
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
ADEMA SE
Ano
2024
Cargo
Tec Amb ( )

Do guarda-roupa ao meio ambiente: qual o impacto ambiental do jeans?

As várias etapas da produção do jeans apresentam diversos problemas para o meio ambiente; a aposta em uma economia circular pode ser um caminho para diminuir esses impactos

 

Ana Beatriz Fogaça

 

A calça jeans é uma das peças mais versáteis e está presente no guarda-roupa de grande parte das pessoas. Apesar da sua popularidade, o jeans, da confecção ao descarte, muitas vezes inadequado, apresenta diversos impactos para o meio ambiente. Em relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado em 2020, consta a informação de que a produção de uma calça jeans consome 3.789 litros de água, sem contar o tingimento com produtos químicos poluentes.

Grande parte desse problema surge no Brasil, que é um dos maiores fabricantes de jeans no mundo. A professora Júlia Baruque Ramos, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, pesquisadora na área de reciclagem têxtil, comenta sobre a importância da produção do jeans na economia brasileira. “O Brasil é o quinto maior produtor de têxtil do planeta e o quarto maior produtor de artigos confeccionados. O Brasil tem todas as etapas da cadeia têxtil”.

 

O jeans no Brasil e os fatores ambientais

Atualmente no Brasil são fabricados, principalmente, dois tipos de jeans. O primeiro é o jeans premium, feito 100% de algodão e com tingimentos, acabamentos e modelagens, mas com o preço mais elevado. O segundo é o jeans misto, geralmente usado no dia a dia, que é composto de algodão com poliéster, e às vezes pode ter poliuretano, conhecido popularmente como lycra, para dar uma maior flexibilidade. Esses dois tipos de jeans são tingidos com corantes sintéticos, que contêm poluentes, ou não são tingidos, que é o jeans branco.

O segundo tipo, o jeans misto, é o mais produzido no Brasil, por ser mais barato e mais resistente, devido à mistura de materiais. No entanto, apesar desses benefícios, a especialista conta que a decomposição desse material tem duas principais problemáticas. “A primeira é a presença do poliéster e poliuretano que dificulta qualquer possibilidade de reciclagem e de transformar o tecido do jeans em fibra de novo e reincorporar. E a segunda é a decomposição, o algodão em mais ou menos três anos se decompõe, mas o poliéster e o poliuretano levam mais de 400 anos.”

Para além dos problemas já citados, Júlia menciona a poluição das águas em razão do tingimento dos tecidos, tanto o misto como o 100% algodão, e das lavagens em casa, que acabam contaminando a água com microplásticos oriundos das fibras sintéticas.

 

Economia circular

Atualmente, na tentativa de diminuir esses impactos ambientais, o conceito de economia circular está sendo colocado em prática. A ideia é não encerrar o ciclo de vida de determinado produto, neste caso as roupas de jeans, e sim integrá-lo para que seja reciclado e reutilizado para produzir outros itens.

Nos casos das empresas que trabalham com o tecido 100% algodão, elas estão recolhendo as aparas, que são as sobras dos cortes feitos para a produção de uma peça de jeans, e as desfibrando e reincorporando ao algodão virgem para fazer um novo tecido de jeans. Com os tecidos mistos isso não é possível, por sua composição, mas usar suas aparas para preencher almofadas e bichos de pelúcia é uma boa opção para dar continuidade ao seu ciclo de vida. […]

Vale ressaltar que, por ser um dos maiores produtores têxteis do mundo, o setor emprega milhões de trabalhadores brasileiros. Segundo dados do relatório anual da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e Confecção (Abit), em parceria com o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), o setor têxtil empregava, em 2021, de forma direta, mais de um 1,3 milhão de trabalhadores, e oito milhões se contar os empregos indiretos.

Adaptado de: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/do-guardaroupa- ao-meio-ambiente-qual-o-impacto-ambiental-do-jeans/. Acesso em: 30 abr. 2024.

No que se refere ao emprego correto da vírgula, os seguintes excertos poderiam receber, sem qualquer incorreção gramatical, a reescrita indicada nos parênteses, EXCETO
  1. A“Atualmente no Brasil são fabricados [...]”. (Atualmente, no Brasil, são fabricados).
  2. B“[...] e às vezes pode ter poliuretano [...]”. (e, às vezes, pode ter poliuretano).
  3. C“[...] o algodão em mais ou menos três anos se decompõe [...]”. (o algodão em mais ou menos três anos, se decompõe).
  4. D“[...] neste caso as roupas de jeans [...]”. (neste caso, as roupas de jeans).
  5. E“[...] e sim integrá-lo para que seja reciclado e reutilizado para produzir outros itens.” (e sim integrá-lo, para que seja reciclado e reutilizado para produzir outros itens).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “[...] o algodão em mais ou menos três anos se decompõe [...]”. (o algodão em mais ou menos três anos, se decompõe).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula: reescrita de excertos e casos proibidos

Gabarito: letra C. A reescrita proposta em C é a única incorreta, pois insere uma vírgula entre o sujeito "o algodão" e o verbo "se decompõe", separando-os indevidamente. Como se lê no trecho original: "o algodão em mais ou menos três anos se decompõe", a reescrita "o algodão em mais ou menos três anos, se decompõe" coloca uma vírgula exatamente entre o núcleo do sujeito e o verbo, o que é proibido pela norma culta. As demais alternativas apresentam reescritas gramaticalmente corretas, pois isolam adjuntos adverbiais deslocados ou orações intercaladas.

O comando pede que se identifique a reescrita que não poderia ser feita sem incorreção gramatical. Isso exige analisar cada par (original + reescrita) e verificar se a vírgula inserida respeita as regras de pontuação. A questão é de gramática normativa, não de interpretação: o foco está na função sintática dos termos e na posição da vírgula.

No texto-base, o trecho de C aparece na fala da especialista sobre a decomposição do jeans: "o algodão em mais ou menos três anos se decompõe, mas o poliéster e o poliuretano levam mais de 400 anos". Aqui, "em mais ou menos três anos" é um adjunto adverbial de tempo que está intercalado entre o sujeito e o verbo. A regra é clara: não se separa o sujeito do verbo por vírgula, mesmo que haja um adjunto entre eles. O adjunto, por ser deslocado, poderia ser isolado por vírgulas, mas isso exigiria duas vírgulas (uma antes e outra depois), não apenas uma. A reescrita proposta coloca uma única vírgula antes do verbo, o que quebra a estrutura sintática.

A técnica para resolver: identifique o sujeito e o verbo de cada oração. Se a vírgula proposta separar esses dois elementos, está errada. Nas alternativas A, B, D e E, a vírgula isola adjuntos adverbiais ou orações intercaladas, o que é permitido. Em C, a vírgula separa sujeito e verbo, o que é proibido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca um adjunto adverbial entre o sujeito e o verbo para tentar induzir o candidato a achar que a vírgula é facultativa. Mas a regra é absoluta: sujeito e verbo não se separam por vírgula, mesmo com termo intercalado.

Vírgula: regras
  • 1Isola adjunto adverbial deslocado
    • Ex.: "Atualmente, no Brasil, ..."
    • Ex.: "e, às vezes, ..."
  • 2Isola oração subordinada deslocada
    • Ex.: "integrá-lo, para que ..."
  • 3Separa sujeito do verbo
    • Ex.: "o algodão ..., se decompõe"
    • Proibido mesmo com termo intercalado
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Alternativa A — ✅ Correta

A reescrita "Atualmente, no Brasil, são fabricados" está correta. O adjunto adverbial "Atualmente" e o adjunto adverbial de lugar "no Brasil" estão deslocados para o início da oração, e a vírgula os isola. Isso é permitido e até recomendado para clareza. O sujeito ("dois tipos de jeans") aparece depois do verbo, mas não há separação indevida.

Alternativa B — ✅ Correta

A reescrita "e, às vezes, pode ter poliuretano" está correta. "Às vezes" é um adjunto adverbial de tempo deslocado, intercalado entre a conjunção "e" e o verbo "pode". A vírgula dupla isola o adjunto, o que é facultativo e gramaticalmente aceito. Não há separação de sujeito e verbo.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A reescrita "o algodão em mais ou menos três anos, se decompõe" está errada. A vírgula separa o sujeito "o algodão" do verbo "se decompõe". O adjunto adverbial "em mais ou menos três anos" está intercalado, mas a vírgula deveria vir antes dele (ou seja, "o algodão, em mais ou menos três anos, se decompõe"), isolando o adjunto com duas vírgulas. Colocar apenas uma vírgula antes do verbo quebra a relação sujeito-verbo, o que é proibido.

Alternativa D — ✅ Correta

A reescrita "neste caso, as roupas de jeans" está correta. "Neste caso" é uma expressão de situação (ou adjunto adverbial) deslocada, e a vírgula a isola. Não há separação de sujeito e verbo, pois "as roupas de jeans" é o sujeito e o verbo virá depois.

Alternativa E — ✅ Correta

A reescrita "e sim integrá-lo, para que seja reciclado e reutilizado para produzir outros itens" está correta. A vírgula separa a oração subordinada adverbial final "para que seja reciclado..." da oração principal "integrá-lo". Isso é permitido, pois a oração subordinada está deslocada (vem depois da principal, mas a vírgula é facultativa e aceita). Não há separação de sujeito e verbo.

Conclusão: a única reescrita incorreta é a da letra C, pois viola a regra de não separar sujeito e verbo. As demais isolam adjuntos adverbiais ou orações subordinadas, o que é gramaticalmente válido. Lembre-se: vírgula entre sujeito e verbo é sempre erro, mesmo com termo intercalado.

Gabarito: letra C

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