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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa595732
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Iúna
Ano
2024
Cargo
Ana AL ( )

A quem interessa a monetização da misoginia?

 

E até quando o Congresso irá colaborar com a engrenagem que fere e mata mulheres?

 

Nos últimos dias presenciamos a atriz Paolla Oliveira sofrer uma enxurrada de ataques misóginos relativo à sua aparência, e de igual maneira assistimos também a triste notícia de que a jovem Jéssica Vitória perdeu sua vida após não suportar um linchamento virtual misógino oriundo de uma fake news difamatória a seu respeito. Entretanto é preciso dizer que esses dois casos não são isolados.

 

A verdade é que as redes sociais têm se tornado uma máquina de moer, violentar e adoecer mulheres.

 

No país que, desde sua colonização, incentiva a opressão e violência contra mulheres, o avanço legislativo que tenta mitigar esse resquício histórico misógino não tem se mostrado suficiente diante da velocidade das ferramentas tecnológicas. Isso porque a Agência Brasil apurou que, entre 2021 e 2022, houve um aumento de mais de 251% nos casos de misoginia e opressão contra mulheres nas redes sociais, e já Safernet deu conta de que mais de 67% das vítimas de discurso de ódio nas redes sociais são mulheres.

 

Esses dados acendem um alerta de que não há uma legislação específica de combate à misoginia virtual – tampouco punição efetiva para esses ataques virtuais contra as mulheres – e, por silogismo, escancara a engrenagem de uma rede coordenada de sites e páginas que encontraram em fomento, incentivo e induzimento a misoginia uma forma de auferir lucro, sem que sejam punidas judicialmente e banidas pelas plataformas digitais que hospedam. Ou seja, aproveitam-se da impunidade para auferir lucro com a dor das mulheres e o ódio contra elas.

 

Mas, se temos uma legislação ineficiente e uma punição ausente para tais páginas e sites, por outro lado é necessário lembrar que o mesmo ocorre com as plataformas digitais onde essas páginas operam, que, por não serem regulamentadas e responsabilizadas pela omissão ao não punir e banir tais páginas, demonstram de igual forma que tem sido interessante lucrar com todo esse ódio misógino contra as mulheres. E, deste modo, a pergunta que não quer calar é: até quando o Congresso Nacional seguirá se omitindo e, portanto, colaborando para que toda essa engrenagem que tem adoecido e até matado mulheres siga intacta sem qualquer punição ou sem responsabilização?

 

As plataformas digitais têm sido o motor para a manutenção desses ataques misóginos, ao se esquivarem de banir perfis que se sustentam da incitação à misoginia. E, por isso, falar em regulamentação das plataformas digitais não é falar de censura e tampouco cerceamento da liberdade de expressão (que se anote não é sinônimo de liberdade para praticar crime), é falar sobre segurança, regras, diretrizes e punições para que o ambiente virtual possa ser sadio, respeitoso e seguro para as mulheres.

 

A quem interessa a manutenção da misoginia virtual? Eu mesma respondo: a quem lucra com o ódio contra as mulheres.

 

(Fayda Belo, Advogada especialista em crimes de gênero. Folha de S. Paulo. Em: 04/01/2024.)

No trecho “Isso porque a Agência Brasil apurou que, entre 2021 e 2022, houve um aumento de mais de 251% nos casos de misoginia e opressão contra mulheres nas redes sociais, [...]” a palavra em destaque, trata-se de um verbo

  1. Apessoal, no singular e concorda com o sujeito “um aumento”.
  2. Bpessoal, no singular e concorda com o sujeito “Agência Brasil”.
  3. Cimpessoal que pode ser substituído em equivalência pelo verbo “existir”.
  4. Dimpessoal e indica tempo decorrido, semelhante ao “fazer” em indicações de tempo transcorrido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — impessoal que pode ser substituído em equivalência pelo verbo “existir”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O verbo "houve" no trecho: impessoal e equivalente a "existir"

Gabarito: letra C. No trecho “Isso porque a Agência Brasil apurou que, entre 2021 e 2022, houve um aumento de mais de 251% nos casos de misoginia e opressão contra mulheres nas redes sociais”, o verbo “houve” é impessoal — não possui sujeito — e pode ser substituído, em equivalência, pelo verbo “existir”. A banca cobra a distinção clássica entre o verbo “haver” no sentido de “existir” (impessoal, sempre na 3ª pessoa do singular) e o verbo “existir” (pessoal, que concorda com o sujeito). A alternativa C é a única que captura essa relação de equivalência semântica.

O comando da questão

O enunciado pede que você classifique o verbo “houve” no trecho destacado. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido global do artigo, mas de reconhecer a natureza sintática do verbo “haver” naquele contexto específico. A banca quer saber se você domina a regra de concordância do verbo “haver” quando empregado com sentido de “existir”.

O texto e o trecho em análise

O texto trata da monetização da misoginia nas redes sociais e da omissão do Congresso. No trecho citado, a autora apresenta dados da Agência Brasil para sustentar o argumento de que a violência contra mulheres cresceu exponencialmente no ambiente virtual. O verbo “houve” aparece na construção “houve um aumento de mais de 251%”, indicando a existência desse aumento.

A regra que decide a questão

O verbo “haver”, quando empregado no sentido de “existir”, é impessoal: não tem sujeito, pois indica a existência de algo de forma genérica. Por isso, permanece sempre na 3ª pessoa do singular, independentemente do termo que o segue. No trecho, “um aumento de mais de 251%” não é o sujeito de “houve”, mas sim o objeto direto — é aquilo que existe, não quem pratica a ação.

A equivalência com o verbo “existir” é perfeita: “existiu um aumento de mais de 251%”. A diferença é que “existir” é pessoal e, portanto, concordaria com o sujeito: “existiram aumentos” (plural). Já “haver” permanece invariável: “houve aumentos”.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se “haver” é impessoal, tente substituí-lo por “existir” e veja se o termo seguinte vira sujeito. Se virar, o “haver” é impessoal e fica no singular.

Análise das alternativas

1Impessoal
Sem sujeito
Sempre 3ª pessoa do singular
Termo seguinte = objeto direto
2Equivalência
"Houve um aumento" = "Existiu um aumento"
3Diferença
"Haver" → invariável
"Existir" → concorda com o sujeito
Verbo "haver" (sentido de existir)
LEVELsoulevel.com.br
Verbo "haver" (sentido de existir): Impessoal (Sem sujeito, Sempre 3ª pessoa do singular, Termo seguinte = objeto direto); Equivalência ("Houve um aumento" = "Existiu um aumento"); Diferença ("Haver" → invariável, "Existir" → concorda com o sujeito)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que “houve” é pessoal e concorda com o sujeito “um aumento”. Isso está errado: “um aumento” é objeto direto, não sujeito. O verbo “haver” no sentido de existir é impessoal e não concorda com nenhum termo. A alternativa contradiz a regra e inverte a função sintática do termo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que “houve” é pessoal e concorda com o sujeito “Agência Brasil”. Também errado: “Agência Brasil” é o sujeito da oração anterior (“a Agência Brasil apurou”), não do verbo “houve”. O verbo “haver” não se refere à Agência; ele indica a existência do aumento. A alternativa confunde o sujeito de outra oração com o de “houve”.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que “houve” é impessoal e pode ser substituído em equivalência pelo verbo “existir”. Exato: “houve um aumento” equivale a “existiu um aumento”. A impessoalidade do “haver” é a característica central, e a equivalência com “existir” é o teste clássico. A alternativa está inteiramente correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que “houve” é impessoal e indica tempo decorrido, semelhante ao “fazer” em indicações de tempo transcorrido. A primeira parte está certa (impessoal), mas a segunda não: “houve” aqui indica existência, não tempo decorrido. O verbo “fazer” em “faz dois anos” indica tempo; “houve” em “houve um aumento” indica existência. A alternativa mistura dois usos diferentes do verbo impessoal.

Conclusão

A questão testa a distinção entre o verbo “haver” impessoal (existir) e o verbo “haver” pessoal (ter, possuir). No trecho, “houve” é impessoal e equivale a “existiu”. A alternativa C é a única que acerta essa classificação e a equivalência.

Gabarito: letra C.

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