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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa595786
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Iúna
Ano
2024
Cargo
Op MP ( )
Quando eu estiver louco, afaste-se 

     Há que se respeitar quem sofre de depressão, disritmia, bipolaridade e demais transtornos psíquicos que afetam parte da população. Muitos desses pacientes recorrem à ajuda psicanalítica e se medicam a fim de minimizar os efeitos desastrosos que respingam em suas relações profissionais e pessoais. Conseguem tornar, assim, mais tranquila a convivência. Mas tem um grupo que está longe de ser doente: são os que simplesmente se autointitulam “difíceis” com o propósito de facilitar para o lado deles. São os temperamentais que não estão seriamente comprometidos por uma disfunção psíquica – ao menos, não que se saiba, já que não possuem diagnóstico. São morrinhas, apenas. Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado, se decretam “difíceis” e quem estiver por perto que se adapte. Que vida mole, não?
     Tem uma música bonita do Skank que começa dizendo: “Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace / Quando eu estiver louco, subitamente se afaste / Quando eu estiver fogo / suavemente se encaixe...”. A letra é poética, sem dúvida, mas é o melô do folgado. Você é obrigada a reagir conforme o humor da criatura.
     Antigamente, quando uma amiga, um namorado ou um parente declarava-se uma pessoa difícil, eu relevava. Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo, promover discussões, criar briga do nada, encasquetar com besteira. Era alguém difícil, coitado. E teve a gentileza de avisar antes. Como não perdoar?
     Já fui muito boazinha, lembro bem.
     Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando “sou uma pessoa difícil”, desejo sorte e desapareço em três segundos. Já gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando – e claro que esses “outros” são seus afetos mais íntimos, pois com amigos e conhecidos eles são uns doces, a tal “dificuldade” que lhes caracteriza some como num passe de mágica. Onde foi parar o ogro que estava aqui?
     Chega-se numa etapa da vida em que ser misericordioso cansa. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais. Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em suas relações. Já que ficam loucos a torto e a direito, só nos resta nos afastar, mesmo. E investir em pessoas alegres, educadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra para nós, os fáceis.

(Martha Medeiros. Revista O Globo. Em: abril de 2014. Adaptado.) 

“Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado, se decretam ‘difíceis’ e quem estiver por perto que se adapte.”

 

Levando-se em consideração as informações enfatizadas ao longo do texto, depreende-se que a expressão “narcisismo crônico” significa:

  1. ASensação esporádica de direito e exigência de admiração excessiva.
  2. BDesvalorização de outras pessoas, a fim de manter uma sensação casual e fortuita de superioridade.
  3. CDificuldade incerta para regular a autoestima; necessidade de louvação e afiliações com pessoas próximas.
  4. DDependência permanente e habitual de afeto e amor do outro (para manter o sentido de si mesmo) e, ao mesmo tempo, não se preocupa com a necessidade do outro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Dependência permanente e habitual de afeto e amor do outro (para manter o sentido de si mesmo) e, ao mesmo tempo, não se preocupa com a necessidade do outro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O sentido de "narcisismo crônico" no texto de Martha Medeiros

Gabarito: letra D. A expressão "narcisismo crônico" designa a dependência permanente e habitual de afeto e amor do outro para manter o sentido de si mesmo, sem se preocupar com a necessidade do outro — exatamente o que a alternativa D afirma. Essa leitura é autorizada pelo trecho em que a autora descreve os "difíceis": eles usam o "temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando". O adjetivo "crônico" (permanente, habitual) e o substantivo "narcisismo" (amor excessivo de si, que exige admiração e afeto) são explicitamente ancorados no texto.

O comando pede que se depreenda o significado da expressão — ou seja, trata-se de uma questão de inferência a partir das pistas textuais, não de uma definição de dicionário. O candidato deve cruzar o sentido literal dos vocábulos com o uso que a autora faz deles no contexto. A resposta não está escrita palavra por palavra, mas é obrigatoriamente deduzida do que o texto diz sobre o comportamento dos "difíceis".

O texto de Martha Medeiros é uma crônica argumentativa em que a autora critica pessoas que se autointitulam "difíceis" como desculpa para maltratar os outros. No segundo parágrafo, ela lista possíveis causas desse comportamento: "insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado". A expressão "narcisismo crônico" aparece como uma das explicações para o fato de alguém "se decretar difícil" e exigir que os outros se adaptem. A chave para o sentido está no sexto parágrafo, quando a autora descreve o comportamento dessas pessoas:

"esses 'difíceis' que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando"

Aqui estão os dois elementos centrais do narcisismo: (1) a centralidade no próprio eu ("autocentrado", "se levando a sério demais") e (2) a indiferença ao outro ("passar por cima dos sentimentos dos outros", "sem ligar a mínima se estão magoando"). O adjetivo "crônico" reforça que não é algo passageiro, mas um traço permanente e habitual — o que elimina alternativas que usam palavras como "esporádica", "casual" ou "incerta".

A técnica para resolver é testar cada alternativa contra o texto: a correta deve conter apenas elementos que o texto autoriza, sem acrescentar nada de fora. As distratoras erram ao introduzir qualificadores que restringem ou enfraquecem o sentido ("esporádica", "casual", "incerta") ou ao omitir a dimensão da indiferença ao outro, que é central no texto.

1Dependência permanente e habitual
de afeto e amor do outro
para manter o sentido de si mesmo
2Indiferença ao outro
passa por cima dos sentimentos
sem ligar se magoa
3Distratoras
Esporádica (A)
Casual e fortuita (B)
Incerta (C)
Narcisismo crônico (sentido no texto)
LEVELsoulevel.com.br
Narcisismo crônico (sentido no texto): Dependência permanente e habitual (de afeto e amor do outro, para manter o sentido de si mesmo); Indiferença ao outro (passa por cima dos sentimentos, sem ligar se magoa); Distratoras (Esporádica (A), Casual e fortuita (B), Incerta (C))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que narcisismo crônico é uma "sensação esporádica de direito e exigência de admiração excessiva". O erro está no adjetivo "esporádica": o texto fala em "crônico", que significa permanente, habitual, contínuo. A alternativa restringe o alcance do termo ao trocar "crônico" por "esporádico", invertendo o sentido. Além disso, o texto não fala em "sensação de direito", mas em comportamento autocentrado que "passa por cima" dos outros.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "desvalorização de outras pessoas, a fim de manter uma sensação casual e fortuita de superioridade". O erro está em "casual e fortuita": o texto diz "crônico", ou seja, algo permanente e habitual, não ocasional. A alternativa restringe indevidamente o sentido ao qualificar a superioridade como casual. Além disso, o texto não fala em "desvalorização" como objetivo, mas em usar o temperamento como "álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "dificuldade incerta para regular a autoestima; necessidade de louvação e afiliações com pessoas próximas". O erro está em "incerta": o texto fala em "crônico", que é permanente e definido, não incerto. A alternativa restringe o sentido ao trocar "crônico" por "incerto". Além disso, o texto não fala em "afiliações com pessoas próximas" — pelo contrário, os "difíceis" são descritos como indiferentes aos afetos mais íntimos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que narcisismo crônico é a "dependência permanente e habitual de afeto e amor do outro (para manter o sentido de si mesmo) e, ao mesmo tempo, não se preocupa com a necessidade do outro". Isso é exatamente o que o texto descreve: os "difíceis" são "autocentrados", usam o temperamento como "álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando". A expressão "permanente e habitual" corresponde a "crônico", e a indiferença ao outro é o traço central do narcisismo descrito. A alternativa parafraseia fielmente o texto, sem acrescentar nem omitir nada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca do adjetivo "crônico" por sinônimos que restringem o sentido ("esporádica", "casual", "incerta"). O candidato que não percebe que "crônico" significa permanente e habitual cai nas distratoras A, B e C.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "depreende-se", grife as palavras-chave do texto que definem o sentido (aqui: "autocentrado", "passar por cima", "sem ligar a mínima") e confronte cada alternativa com elas. Desconfie de adjetivos que enfraquecem o sentido ("esporádico", "casual", "incerto") quando o texto usa um termo forte como "crônico".

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a única que mantém o sentido de permanência ("crônico") e a indiferença ao outro, ambos ancorados no texto.

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