Questão de Português — Conjunção — Instituto Consulplan 2024
Português›Conjunção
Código
qa595787
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Iúna
Ano
2024
Cargo
Op MP ( )
Quando eu estiver louco, afaste-se
Há que se respeitar quem sofre de depressão, disritmia, bipolaridade e demais transtornos psíquicos que afetam parte da população. Muitos desses pacientes recorrem à ajuda psicanalítica e se medicam a fim de minimizar os efeitos desastrosos que respingam em
suas relações profissionais e pessoais. Conseguem tornar, assim, mais tranquila a convivência. Mas tem um grupo que está longe de
ser doente: são os que simplesmente se autointitulam “difíceis” com o propósito de facilitar para o lado deles. São os temperamentais
que não estão seriamente comprometidos por uma disfunção psíquica – ao menos, não que se saiba, já que não possuem diagnóstico.
São morrinhas, apenas. Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um
gênio desgraçado, se decretam “difíceis” e quem estiver por perto que se adapte. Que vida mole, não?
Tem uma música bonita do Skank que começa dizendo: “Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace / Quando eu
estiver louco, subitamente se afaste / Quando eu estiver fogo / suavemente se encaixe...”. A letra é poética, sem dúvida, mas
é o melô do folgado. Você é obrigada a reagir conforme o humor da criatura.
Antigamente, quando uma amiga, um namorado ou um parente declarava-se uma pessoa difícil, eu relevava. Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo, promover discussões, criar briga do nada, encasquetar com besteira. Era alguém
difícil, coitado. E teve a gentileza de avisar antes. Como não perdoar?
Já fui muito boazinha, lembro bem.
Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando “sou uma pessoa difícil”, desejo sorte e desapareço em três segundos. Já
gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por
cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando – e claro que esses “outros” são seus afetos
mais íntimos, pois com amigos e conhecidos eles são uns doces, a tal “dificuldade” que lhes caracteriza some como num passe de
mágica. Onde foi parar o ogro que estava aqui?
Chega-se numa etapa da vida em que ser misericordioso cansa. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais.
Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em
suas relações. Já que ficam loucos a torto e a direito, só nos resta nos afastar, mesmo. E investir em pessoas alegres, educadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra para nós, os fáceis.
(Martha Medeiros. Revista O Globo. Em: abril de 2014. Adaptado.)
Considere o fragmento a seguir: “Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo, promover discussões, criar briga do nada, encasquetar com besteira.”.
Podemos afirmar que a expressão destacada expressa valor:
AAditivo.
BExplicativo.
CConcessivo.
DProporcional.
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GabaritoA — Aditivo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valor da expressão "Ora" no fragmento
Gabarito: letra A. A expressão "Ora" no trecho "Ora, estava previamente explicada a razão..." tem valor aditivo, pois introduz uma ideia que se soma ao que foi dito antes, funcionando como um reforço argumentativo. No contexto, a autora relembra que, antigamente, quando alguém se declarava "difícil", ela relevava, e o "Ora" acrescenta a justificativa que ela dava a si mesma na época: "estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo". A palavra não estabelece relação de explicação, concessão ou proporção com a oração anterior — ela apenas adiciona uma constatação que reforça o ponto de vista.
O comando da questão
A questão pede que se identifique o valor semântico da expressão destacada "Ora" no fragmento. Isso é uma tarefa de interpretação de conectivo em contexto: não basta saber a classe gramatical (advérbio ou interjeição), é preciso ver que relação de sentido a palavra estabelece entre o que vem antes e o que vem depois. O comando "expressa valor" indica que a banca quer o efeito de sentido no texto, não a classificação morfológica isolada.
O texto e o movimento argumentativo
No 4º parágrafo, a autora narra sua postura passada: "Antigamente, quando uma amiga, um namorado ou um parente declarava-se uma pessoa difícil, eu relevava." Em seguida, ela explica o raciocínio que fazia: "Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo...". O "Ora" aqui retoma e reforça a ideia de que havia uma justificativa pronta para o mau comportamento — é um acréscimo de informação que sustenta a atitude de relevar. Não há relação de causa (explicativo), nem de oposição (concessivo), nem de proporção entre os fatos.
A técnica que decide
Para identificar o valor de um conectivo, o método é substituir por sinônimos e ver qual mantém o sentido. No caso:
Aditivo: "Além disso, estava previamente explicada a razão..." — mantém o sentido de soma.
Explicativo: "Porque estava previamente explicada..." — mudaria o sentido, pois o "Ora" não introduz a causa do que foi dito antes, mas uma constatação adicional.
Concessivo: "Embora estivesse previamente explicada..." — inverteria o sentido, criando uma oposição que não existe.
Proporcional: "À medida que estava previamente explicada..." — não faz sentido no contexto.
A substituição por "além disso" preserva o sentido original, confirmando o valor aditivo.
Valor do conectivo "Ora"
1Método: substituição por sinônimos
Aditivo: "além disso"
Explicativo: "porque"
Concessivo: "embora"
Proporcional: "à medida que"
2No fragmento
Aditivo (soma constatação)
Explicativo (não é causa)
Concessivo (não há oposição)
Proporcional (não há correlação)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A expressão "Ora" tem valor aditivo. No fragmento, ela introduz uma informação que se soma ao que foi dito: a autora relevava o comportamento difícil porque "estava previamente explicada a razão" — ou seja, havia uma justificativa adicional que tornava o perdão possível. O "Ora" funciona como um reforço que acrescenta um argumento à narrativa, sem estabelecer relação de causa, oposição ou proporção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O valor explicativo ocorreria se o "Ora" introduzisse a causa ou justificativa da oração anterior. No texto, a oração anterior é "eu relevava" — e o "Ora" não explica por que ela relevava; ele apenas adiciona a constatação de que havia uma razão previamente explicada. A relação de explicação seria marcada por "porque", "pois", "já que" — não por "Ora". A alternativa confunde o valor aditivo com o explicativo, pois ambos podem introduzir justificativas, mas o "Ora" não estabelece relação causal direta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O valor concessivo expressa oposição ou quebra de expectativa ("embora", "apesar de"). No fragmento, não há oposição entre as ideias: a autora não diz algo como "Ora, embora estivesse explicada a razão, eu não relevava". Pelo contrário, o "Ora" reforça a ideia de que a explicação existia e justificava a atitude. A alternativa contradiz o sentido do texto, pois insere uma relação de contraste que não está presente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O valor proporcional expressa correlação entre dois fatos ("à medida que", "quanto mais... mais"). No fragmento, não há correlação: o "Ora" não estabelece uma relação de proporção entre a explicação e o comportamento. A alternativa extrapola o sentido, pois tenta encaixar uma relação que o texto não autoriza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "Ora" como advérbio de reforço (aditivo) e "Ora" como conjunção explicativa. No texto, o "Ora" não introduz causa — ele soma uma constatação ao que foi dito. Teste sempre substituindo por "além disso" para confirmar o valor aditivo.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o valor de um conectivo, substitua por sinônimos de cada valor (aditivo: "além disso"; explicativo: "porque"; concessivo: "embora"; proporcional: "à medida que") e veja qual mantém o sentido original. A substituição que preservar o sentido é a correta.
Gabarito: letra A — o "Ora" tem valor aditivo, pois acrescenta uma informação que reforça a narrativa da autora.