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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — Instituto Consulplan 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa595796
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Iúna
Ano
2024
Cargo
Peda ( )

A quem interessa a monetização da misoginia?

 

E até quando o Congresso irá colaborar com a engrenagem que fere e mata mulheres?

 

Nos últimos dias presenciamos a atriz Paolla Oliveira sofrer uma enxurrada de ataques misóginos relativo à sua aparência, e de igual maneira assistimos também a triste notícia de que a jovem Jéssica Vitória perdeu sua vida após não suportar um linchamento virtual misógino oriundo de uma fake news difamatória a seu respeito. Entretanto é preciso dizer que esses dois casos não são isolados.

 

A verdade é que as redes sociais têm se tornado uma máquina de moer, violentar e adoecer mulheres.

 

No país que, desde sua colonização, incentiva a opressão e violência contra mulheres, o avanço legislativo que tenta mitigar esse resquício histórico misógino não tem se mostrado suficiente diante da velocidade das ferramentas tecnológicas. Isso porque a Agência Brasil apurou que, entre 2021 e 2022, houve um aumento de mais de 251% nos casos de misoginia e opressão contra mulheres nas redes sociais, e já Safernet deu conta de que mais de 67% das vítimas de discurso de ódio nas redes sociais são mulheres.

 

Esses dados acendem um alerta de que não há uma legislação específica de combate à misoginia virtual – tampouco punição efetiva para esses ataques virtuais contra as mulheres – e, por silogismo, escancara a engrenagem de uma rede coordenada de sites e páginas que encontraram em fomento, incentivo e induzimento a misoginia uma forma de auferir lucro, sem que sejam punidas judicialmente e banidas pelas plataformas digitais que hospedam. Ou seja, aproveitam-se da impunidade para auferir lucro com a dor das mulheres e o ódio contra elas.

 

Mas, se temos uma legislação ineficiente e uma punição ausente para tais páginas e sites, por outro lado é necessário lembrar que o mesmo ocorre com as plataformas digitais onde essas páginas operam, que, por não serem regulamentadas e responsabilizadas pela omissão ao não punir e banir tais páginas, demonstram de igual forma que tem sido interessante lucrar com todo esse ódio misógino contra as mulheres. E, deste modo, a pergunta que não quer calar é: até quando o Congresso Nacional seguirá se omitindo e, portanto, colaborando para que toda essa engrenagem que tem adoecido e até matado mulheres siga intacta sem qualquer punição ou sem responsabilização?

 

As plataformas digitais têm sido o motor para a manutenção desses ataques misóginos, ao se esquivarem de banir perfis que se sustentam da incitação à misoginia. E, por isso, falar em regulamentação das plataformas digitais não é falar de censura e tampouco cerceamento da liberdade de expressão (que se anote não é sinônimo de liberdade para praticar crime), é falar sobre segurança, regras, diretrizes e punições para que o ambiente virtual possa ser sadio, respeitoso e seguro para as mulheres.

 

A quem interessa a manutenção da misoginia virtual? Eu mesma respondo: a quem lucra com o ódio contra as mulheres.

 

(Fayda Belo, Advogada especialista em crimes de gênero. Folha de S. Paulo. Em: 04/01/2024.)

Releia: Mas, se temos uma legislação ineficiente e uma punição ausente para tais páginas e sites, por outro lado é necessário lembrar que o mesmo ocorre com as plataformas digitais onde essas páginas operam, que, por não serem regulamentadas e responsabilizadas pela omissão ao não punir e banir tais páginas, demonstram de igual forma que tem sido interessante lucrar com todo esse ódio misógino contra as mulheres. E, deste modo, a pergunta que não quer calar é: Até quando o Congresso Nacional seguirá se omitindo e, portanto, colaborando para que toda essa engrenagem que tem adoecido e até matado mulheres siga intacta sem qualquer punição ou sem responsabilização?”.

 

Considerando o exposto, analise as afirmativas a seguir.

 

I. O verbo “temos”, no texto, assinala um sujeito oculto.

 

II. O uso do pronome “onde”, no texto, está equivocado, pois o mesmo deve indicar lugar.

 

III. A conjunção “mas” estabelece ideia de oposição ao último período do parágrafo anterior.

 

IV. A palavra “intacta” é um adjetivo que qualifica o termo “essa engrenagem”.

 

V. Os dois pontos foram colocados antes de um aposto enumerativo.

 

VI. Em “essa engrenagem”, o pronome “essa” estabelece a relação coesiva de sinonímia.

 

Está correto o que se afirma em

  1. AI, II, III, IV, V e VI.
  2. BI, II, IV e V, apenas.
  3. CI, IV, V e VI, apenas.
  4. DI, III, IV e VI, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, III, IV e VI, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise das afirmativas sobre o trecho do texto

Gabarito: letra D. Apenas as afirmativas I, III, IV e VI estão corretas. O item II é falso porque o pronome "onde" está empregado corretamente, indicando lugar (as plataformas digitais); o item V é falso porque os dois-pontos introduzem uma citação direta (a pergunta), e não um aposto enumerativo. A banca mistura itens verdadeiros e falsos sobre o mesmo trecho, exigindo análise sintática e coesiva precisa.

O comando

A questão pede que você analise cada afirmativa sobre o trecho destacado. Não é uma questão de compreensão global do texto, mas de gramática aplicada: sujeito, pronome relativo, conjunção, adjetivo, pontuação e coesão. O comando "analise as afirmativas" indica que você deve julgar cada item como verdadeiro ou falso, e depois escolher a alternativa que reúne os verdadeiros.

O texto

O trecho em análise é o último parágrafo do texto, em que a autora critica a omissão do Congresso Nacional e das plataformas digitais diante da misoginia virtual. A pergunta retórica "Até quando o Congresso Nacional seguirá se omitindo..." é o clímax argumentativo. É nesse trecho que estão os elementos gramaticais cobrados.

A técnica

Para cada afirmativa, você deve localizar o termo no trecho e verificar sua função ou valor. Não basta saber a regra geral; é preciso aplicá-la ao contexto. Por exemplo, o "onde" só é incorreto se não indicar lugar; no trecho, "plataformas digitais onde essas páginas operam" — o pronome retoma "plataformas digitais", que é lugar, então está correto. Já os dois-pontos introduzem a fala da autora, uma citação direta, não uma enumeração.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que todos os itens estão corretos. Como os itens II e V são falsos, a alternativa está errada. Ela generaliza ao incluir itens que não resistem à análise do trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B inclui os itens I, II, IV e V. O item II é falso (o "onde" está correto) e o item V é falso (os dois-pontos não introduzem aposto enumerativo). Portanto, a alternativa B está errada por incluir itens falsos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C inclui os itens I, IV, V e VI. O item V é falso, pois os dois-pontos introduzem uma citação direta, não um aposto enumerativo. Logo, a alternativa C está errada por incluir um item falso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D reúne os itens I, III, IV e VI, que são exatamente os verdadeiros. Vejamos cada um:

  • Item I (correto): O verbo "temos" tem sujeito oculto (nós), como em "se temos uma legislação ineficiente". O sujeito é desinencial, marcado pela desinência "-mos".

  • Item III (correto): A conjunção "mas" estabelece oposição ao que foi dito antes. No trecho, "Mas, se temos uma legislação ineficiente..." contrasta com a ideia anterior de que as plataformas lucram com o ódio.

  • Item IV (correto): "Intacta" é adjetivo que qualifica "essa engrenagem", como em "siga intacta sem qualquer punição".

  • Item VI (correto): O pronome "essa" em "essa engrenagem" retoma, por coesão referencial, a ideia de "engrenagem" mencionada anteriormente, estabelecendo uma relação de sinonímia com o termo já citado.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar itens, teste cada um isoladamente. Se um item for falso, elimine as alternativas que o contêm. Aqui, os itens II e V são falsos, então só a letra D sobra.

Gabarito: letra D

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