Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa595861
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
DPE MS
Ano
2024
Cargo
Ana Def ( )

Eu sou prioritário

 

Das filas ao uso do Pix, as vantagens e desafios de

ser idoso

 

Por Walcyr Carrasco

Publicado em 13 ago 2023, 08h00

 

Quando fiz 60 anos, assumi a idade o mais rápido possível, entrando em toda e qualquer fila de prioridade. Tenho amigos e amigas que correm para as filas comuns para não parecerem terceira idade. Eu, não. Agradeço aos céus essa invenção. Mesmo porque fila não faz plástica. Não adianta fugir da prioritária para parecer mais novo, com o cabelo grisalho ou mal tingido... Aos poucos, fui aprendendo os macetes. Por exemplo, no caixa preferencial em um banco, ou no check-in, prioridade é lenda. Demora mais. Eu e todos os outros idosos crescemos longe do mundo digital. Tenho de esperar horas e horas o senhor da frente resolver todas as suas dúvidas desde que o avião foi inventado. Pergunta, e pergunta, e faz piada, e eu espero com o sorriso arreganhado. A fila de prioridade é mais lenta! Em troca, as companhias aéreas desrespeitam o tempo inteiro os direitos dos idosos. Vou muito para o Rio de Janeiro. No embarque, entro na fila de prioridades. Mas descubro que o embarque — ou, mais tarde, o desembarque — é remoto e tenho de pegar um ônibus até o avião. Os ágeis passageiros de 30 correm na minha frente, e depois não sobra lugar para eu botar minha malinha de mão. Pior na volta, quando a aeronave para longe. Tenho de despencar, de malinha na mão, naquela escadinha íngreme do avião. Nós, os mais idosos, sofremos. Outro dia, vi um senhor cair de joelhos para dentro do ônibus na pista do aeroporto de Congonhas.

 

Ok, ok, ok. Muita gente pode dizer que adoro mesmo é furar filas. Maldade. Nunca tive o hábito. Mas se legalmente me dão o direito... Tudo que conquistei com os anos, eu quero. Pode parecer um exagero. Mas o fato é que os anos estão passando rapidamente e o mundo digital evolui tão rápido quanto uma centopeia na Olimpíada. Eu me salvo como posso. Por exemplo, virou moda pedir Pix. O que antigamente seria uma operação delicada, cheque ou transferência, hoje é zás-trás. Encontrei uma maneira de me salvar. Digo em voz triste: “Não sei fazer Pix”. Não posso pagar hoje, eu queria, mas não consigo emprestar... E assim vai. Pix, Pix? Como é que é? Pronto. Que lástima, não sei.

 

Outro dia queriam uma reunião digital para rever o orçamento de uma reforma. Expliquei que tenho dificuldade de acesso à plataforma, ainda não me acostumei... A reunião foi transferida... e o orçamento está lá, quieto. Sendo sincero, a fragilidade da velhice pode ser vantajosa. Mas também é real. Eu realmente não sei mexer no meu celular a ponto de usar todas as suas possibilidades. (Alguém sabe?) Mas o tempo passou, eu já rodei da máquina de escrever para o laptop. Agora estão falando em inteligência artificial. E só vão inventar novidades... Tenho que dar conta de tudo isso. Ou vou ficar relegado a um nicho que não sei, não...

 

Triste é saber que nesses saltos tecnológicos fiquei chucro. Só sei que nada sei. Quando me atolo no celular, peço para qualquer criança de 8 anos resolver. Elas sempre sabem. A nova geração praticamente nasceu com um chip instalado nos neurônios.

 

Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/walcyr-carrasco/eu- sou-prioritario/. Acesso em: 18 set. 2023.

Nas alternativas a seguir, alguns trechos do texto foram modificados quanto à sua pontuação. Assinale a alternativa que, apesar da mudança, manteve-se gramaticalmente correta e na qual foi preservado o sentido equivalente ao do texto.
  1. AAssumi, a idade, o mais rápido possível quando fiz 60 anos.
  2. BOs ágeis, passageiros, de 30 correm na minha frente, e depois não sobra lugar para eu botar minha malinha de mão.
  3. CNunca tive o hábito, mas se legalmente me dão o direito...
  4. DSendo sincero a fragilidade da velhice, pode ser vantajosa.
  5. EEu realmente, não sei mexer no meu celular a ponto de usar todas as suas possibilidades.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Nunca tive o hábito, mas se legalmente me dão o direito...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação e reescrita: preservando o sentido

Gabarito: letra C. A única alternativa que mantém a correção gramatical e o sentido original é a C, pois apenas desloca a vírgula para antes da conjunção adversativa "mas", sem alterar a relação de oposição entre as orações. Como se lê no texto: "Nunca tive o hábito. Mas se legalmente me dão o direito..." — a reescrita "Nunca tive o hábito, mas se legalmente me dão o direito..." preserva integralmente o sentido, pois a vírgula antes de "mas" é obrigatória e não muda a relação adversativa.

O comando pede que você avalie reescrituras com pontuação modificada: a alternativa deve ser gramaticalmente correta E manter o sentido equivalente ao do texto original. Isso exige dois testes simultâneos: (1) a pontuação está de acordo com a norma culta? (2) o sentido permanece o mesmo? Muitas vezes a banca insere uma vírgula que, embora gramaticalmente aceitável, altera a relação entre os termos — e isso já torna a alternativa errada.

No texto, o autor afirma que nunca teve o hábito de furar filas, mas que, se a lei lhe dá o direito, ele o usa. A conjunção "mas" estabelece uma oposição entre a primeira ideia (não furar filas) e a segunda (usar o direito legal). Na reescrita da alternativa C, a vírgula antes de "mas" é obrigatória (separa orações coordenadas adversativas) e não interfere no sentido: continua havendo a mesma oposição. Por isso, a alternativa C é a correta.

A técnica central aqui é não confundir vírgula facultativa com vírgula obrigatória, e principalmente perceber quando a vírgula muda a função sintática de um termo. Por exemplo, na alternativa B, a vírgula entre "ágeis" e "passageiros" transforma "ágeis" em um adjunto adnominal isolado, o que não existe no original — lá, "ágeis" é um adjetivo que qualifica "passageiros" diretamente, sem pausa. Já na alternativa D, a vírgula após "sincero" separa o adjunto adverbial do restante da oração, mas o original não tem essa pausa, e a reescrita cria uma leitura ambígua.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre vírgula obrigatória e facultativa, e a alteração de sentido causada pela inserção indevida de vírgulas. Fique atento: uma vírgula pode mudar a função sintática de um termo (como em B) ou criar uma pausa que não existe no original (como em D).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita "Assumi, a idade, o mais rápido possível quando fiz 60 anos" isola o objeto direto "a idade" com vírgulas, o que é proibido — não se separa o verbo de seu complemento. No original, "assumi a idade" é uma sequência direta: "Quando fiz 60 anos, assumi a idade o mais rápido possível". A vírgula entre "assumi" e "a idade" quebra a relação sintática e torna a frase incorreta. Erro: contradiz a norma de pontuação (vírgula separando verbo e objeto).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescrita "Os ágeis, passageiros, de 30 correm na minha frente" insere vírgulas entre o adjetivo "ágeis" e o substantivo "passageiros", o que é incorreto — não se separa o adjunto adnominal do núcleo. No original, "Os ágeis passageiros de 30" forma um sintagma único, sem pausa. A vírgula aqui cria uma leitura de aposto ou vocativo, que não existe no texto. Erro: vírgula separando adjunto adnominal do núcleo (uso proibido).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescrita "Nunca tive o hábito, mas se legalmente me dão o direito..." mantém a correção e o sentido. No original, a frase é "Nunca tive o hábito. Mas se legalmente me dão o direito..." — a vírgula antes de "mas" é obrigatória (separa orações coordenadas adversativas) e não altera a relação de oposição. A mudança de ponto para vírgula apenas une as duas orações, preservando o sentido. Correta: vírgula obrigatória antes de conjunção adversativa, sem alteração de sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A reescrita "Sendo sincero a fragilidade da velhice, pode ser vantajosa" é ambígua e incorreta. No original, "Sendo sincero, a fragilidade da velhice pode ser vantajosa" — a vírgula após "sincero" isola o adjunto adverbial "sendo sincero". Na reescrita, a vírgula foi deslocada para depois de "velhice", fazendo "a fragilidade da velhice" parecer o sujeito de "pode ser vantajosa", mas o adjunto "sendo sincero" fica solto, sem vírgula que o isole. Isso altera a estrutura e o sentido. Erro: deslocamento da vírgula que quebra a estrutura sintática e gera ambiguidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita "Eu realmente, não sei mexer no meu celular" insere uma vírgula entre o advérbio "realmente" e o verbo "sei", o que é incorreto — não se separa o adjunto adverbial do verbo quando está em posição normal. No original, "Eu realmente não sei mexer no meu celular" — "realmente" é um adjunto adverbial de afirmação que modifica o verbo, sem pausa. A vírgula cria uma pausa indevida e altera a entonação. Erro: vírgula separando adjunto adverbial do verbo (uso proibido).

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com pontuação, teste sempre: a vírgula separa termos que não podem ser separados (verbo e complemento, adjunto e núcleo)? Se sim, está errada. E verifique se a pausa criada muda a função sintática de algum termo — se mudar, o sentido também muda.

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/qa595861