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Questão de Português — Advérbio — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsAdvérbio
Código
qa595865
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
DPE MS
Ano
2024
Cargo
Ana Def ( )

Eu sou prioritário

 

Das filas ao uso do Pix, as vantagens e desafios de

ser idoso

 

Por Walcyr Carrasco

Publicado em 13 ago 2023, 08h00

 

Quando fiz 60 anos, assumi a idade o mais rápido possível, entrando em toda e qualquer fila de prioridade. Tenho amigos e amigas que correm para as filas comuns para não parecerem terceira idade. Eu, não. Agradeço aos céus essa invenção. Mesmo porque fila não faz plástica. Não adianta fugir da prioritária para parecer mais novo, com o cabelo grisalho ou mal tingido... Aos poucos, fui aprendendo os macetes. Por exemplo, no caixa preferencial em um banco, ou no check-in, prioridade é lenda. Demora mais. Eu e todos os outros idosos crescemos longe do mundo digital. Tenho de esperar horas e horas o senhor da frente resolver todas as suas dúvidas desde que o avião foi inventado. Pergunta, e pergunta, e faz piada, e eu espero com o sorriso arreganhado. A fila de prioridade é mais lenta! Em troca, as companhias aéreas desrespeitam o tempo inteiro os direitos dos idosos. Vou muito para o Rio de Janeiro. No embarque, entro na fila de prioridades. Mas descubro que o embarque — ou, mais tarde, o desembarque — é remoto e tenho de pegar um ônibus até o avião. Os ágeis passageiros de 30 correm na minha frente, e depois não sobra lugar para eu botar minha malinha de mão. Pior na volta, quando a aeronave para longe. Tenho de despencar, de malinha na mão, naquela escadinha íngreme do avião. Nós, os mais idosos, sofremos. Outro dia, vi um senhor cair de joelhos para dentro do ônibus na pista do aeroporto de Congonhas.

 

Ok, ok, ok. Muita gente pode dizer que adoro mesmo é furar filas. Maldade. Nunca tive o hábito. Mas se legalmente me dão o direito... Tudo que conquistei com os anos, eu quero. Pode parecer um exagero. Mas o fato é que os anos estão passando rapidamente e o mundo digital evolui tão rápido quanto uma centopeia na Olimpíada. Eu me salvo como posso. Por exemplo, virou moda pedir Pix. O que antigamente seria uma operação delicada, cheque ou transferência, hoje é zás-trás. Encontrei uma maneira de me salvar. Digo em voz triste: “Não sei fazer Pix”. Não posso pagar hoje, eu queria, mas não consigo emprestar... E assim vai. Pix, Pix? Como é que é? Pronto. Que lástima, não sei.

 

Outro dia queriam uma reunião digital para rever o orçamento de uma reforma. Expliquei que tenho dificuldade de acesso à plataforma, ainda não me acostumei... A reunião foi transferida... e o orçamento está lá, quieto. Sendo sincero, a fragilidade da velhice pode ser vantajosa. Mas também é real. Eu realmente não sei mexer no meu celular a ponto de usar todas as suas possibilidades. (Alguém sabe?) Mas o tempo passou, eu já rodei da máquina de escrever para o laptop. Agora estão falando em inteligência artificial. E só vão inventar novidades... Tenho que dar conta de tudo isso. Ou vou ficar relegado a um nicho que não sei, não...

 

Triste é saber que nesses saltos tecnológicos fiquei chucro. Só sei que nada sei. Quando me atolo no celular, peço para qualquer criança de 8 anos resolver. Elas sempre sabem. A nova geração praticamente nasceu com um chip instalado nos neurônios.

 

Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/walcyr-carrasco/eu- sou-prioritario/. Acesso em: 18 set. 2023.

No trecho “Agora estão falando em inteligência artificial.”, o item em destaque fornece à oração um sentido

  1. Alocativo.
  2. Bquantitativo.
  3. Ctemporal.
  4. Dintensificador.
  5. Econdicional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — temporal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico do advérbio "agora" no contexto

Gabarito: letra C. O advérbio "agora" confere à oração um sentido temporal, pois indica o momento em que se fala sobre inteligência artificial — um marco no tempo presente, em contraste com o passado (máquina de escrever, laptop) e o futuro (novidades por vir). Como se lê no trecho: "Mas o tempo passou, eu já rodei da máquina de escrever para o laptop. Agora estão falando em inteligência artificial." — o "agora" situa a ação no tempo presente da narrativa.

O comando

A questão pede que você identifique o valor semântico do advérbio destacado, ou seja, a circunstância que ele expressa na oração. Não se trata de classificar a palavra isoladamente, mas de perceber como ela funciona no contexto: que ideia ela acrescenta ao verbo "estão falando"? As alternativas oferecem cinco possibilidades: locativo (lugar), quantitativo (quantidade), temporal (tempo), intensificador (intensidade) e condicional (condição).

O texto

O cronista Walcyr Carrasco discute as vantagens e desafios de ser idoso em um mundo digital. No parágrafo em questão, ele reflete sobre a evolução tecnológica: "Mas o tempo passou, eu já rodei da máquina de escrever para o laptop. Agora estão falando em inteligência artificial. E só vão inventar novidades...". A sequência temporal é clara: passado (máquina de escrever, laptop) → presente (inteligência artificial) → futuro (novidades). O advérbio "agora" marca exatamente o presente desse percurso, opondo-se ao que já passou e ao que virá.

A técnica

O advérbio é uma classe invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, acrescentando uma circunstância. As circunstâncias mais cobradas são: modo (como), tempo (quando) e intensidade (quanto). Para resolver, pergunte: "Quando?" — a resposta é "agora", ou seja, no momento atual. Isso elimina as demais opções: não há ideia de lugar (locativo), nem de quantidade (quantitativo), nem de intensidade (intensificador), nem de condição (condicional).

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um advérbio, faça a pergunta correspondente: "quando?" → tempo; "onde?" → lugar; "como?" → modo; "quanto?" → intensidade. Se a resposta for "agora", é tempo.

Advérbio "agora"
  • 1Valor semântico
    • Temporal (quando?)
      • Presente da narrativa
      • Oposição ao passado e futuro
    • Locativo (onde?)
    • Quantitativo (quanto?)
    • Intensificador (intensidade)
    • Condicional (condição)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Locativo indicaria lugar, como "aqui" ou "ali". No trecho, "agora" não responde a "onde?", mas a "quando?". O texto não traz qualquer referência espacial ligada ao advérbio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Quantitativo expressaria quantidade ou grau, como "muito" ou "pouco". "Agora" não modifica a intensidade da ação de "falar", apenas situa o momento em que ela ocorre.

Alternativa C — ✅ Correta

Temporal é o valor correto. O advérbio "agora" indica o momento presente, em oposição ao passado ("já rodei da máquina de escrever") e ao futuro ("só vão inventar novidades"). Ele responde à pergunta "quando estão falando em inteligência artificial?" — agora, no tempo atual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Intensificador aumentaria a intensidade de uma ação ou qualidade, como "muito" em "muito rápido". "Agora" não intensifica nada; apenas localiza temporalmente a ação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Condicional expressaria uma condição, como "se" ou "caso". Não há qualquer relação de condição no trecho; "agora" não introduz uma hipótese, mas uma afirmação temporal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre os valores do advérbio. "Agora" é um advérbio de tempo clássico, mas muitos candidatos podem ser tentados por "locativo" (por associação com "aqui") ou "intensificador" (por confusão com "agora" em expressões como "agora sim"). A chave é sempre perguntar: que circunstância ele acrescenta ao verbo?

Gabarito: letra C.

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