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Questão de Português — Crase — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsCrase
Código
qa595980
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
DPE MS
Ano
2024
Cargo
Tec Def ( )

Do neolítico a D. Pedro II: a história da esfiha e

sua chegada ao Brasil

 

Elas podem ter mil recheios: cordeiro, pasta de pimentão, pinoli e até salsichas curadas. E a versão fechada sequer se se chama "esfiha".

 

Por Rafael Battaglia Publicado em 17 ago 2023, 17h40

 

Em 11 de novembro de 1876, D. Pedro II e mais uma comitiva de 200 pessoas desembarcaram na cidade de Beirute, no atual Líbano. Foi parte de uma extensa viagem internacional do imperador, que durou um ano e meio e passou por lugares como EUA, Rússia e o norte da África.

 

Pedro era um entusiasta da cultura árabe (ele aprendeu o idioma traduzindo contos de As Mil e Uma Noites). Uma passadinha no Oriente Médio, então, não poderia ficar de fora. Mas a estadia gerou mais do que um diário de viagem do rei: ela impulsionou a imigração de sírios e libaneses para o Brasil.

 

Fugindo da escassez de terras e da perseguição religiosa do Império Otomano (que durou até 1922 e seguia a fé islâmica), muitos árabes cristãos emigraram para outros países em busca de uma vida melhor. Na época em que D. Pedro II esteve no Líbano (que só viraria um Estado de fato em 1941), já havia árabes no Brasil – mas a sua visita, acompanhada de perto pela mídia local, teve um papel importante para apresentar o país como um destino possível.

 

O convite estava feito – e os árabes vieram. Entre 1884 e 1933, o Brasil recebeu 130 mil sírios e libaneses (65% deles, cristãos). A maior parte se fixou em São Paulo e foi trabalhar no comércio. Viraram mascates (vendedores viajantes), abriram lojas, fábricas – e restaurantes. Hoje, há 11,6 milhões de árabes e descendentes vivendo no Brasil, e a sua culinária é onipresente: kibe, homus, coalhada seca – esfiha.

 

Não dá para cravar quando a esfiha surgiu. Pães achatados já eram consumidos há milhares de anos na região do Levante, a porção norte do Oriente Médio (ṣafīḥa, em árabe, significa “folha”, “lâmina”, “placa fina”). Cada povo desenvolveu um modo de produzi-los, como em um saj (aquelas chapas metálicas redondas) ou num tanur (forno cilíndrico; os pães assam colados a parede, na vertical).

 

Na Idade Média, a popularização do furn (um grande forno a lenha, como o de pizza) permitiu que os pães pudessem ser recheados ou cobertos. Para o café da manhã, era comum salpicar a massa com queijo ou zaatar (uma mistura de temperos); para o almoço, carne. Não à toa, as esfihas são comumente chamadas por lá de lahm b’ajin (ou apenas lahmajin) – “carne com massa”, em árabe.

 

Vários países reivindicam a criação da esfiha, e há um sem-fim de recheios e formatos. No Líbano, alguns lugares servem versões com massa folhada. Além da carne, batata, espinafre e escarola são sabores comuns. Na Síria, costuma-se colocar pinoli; na Turquia, uma pasta feita com pimentões vermelhos. Os armênios também fazem esfihas com sujuk, uma espécie de salsicha curada (e bem temperada) feita a partir de carne bovina ou de cordeiro.

 

(Curiosidade: o que nós chamamos de “esfiha fechada”, de formato triangular e com a massa mais grossa, não é exatamente uma esfiha. No Oriente Médio, é chamado de fatayer. Além da carne, outros recheios comuns são o espinafre e o queijo feta).

 

Texto adaptado de https://super.abril.com.br/cultura/do-neolitico-a- d-pedro-ii-a-historia-da-esfiha-e-sua-chegada-ao-brasil/ Acesso em

11 set. 2023.

No texto, há um desvio em relação ao uso do acento grave (`) indicativo de crase. Tal acento é utilizado quando há uma contração de duas vogais idênticas – preposição a e artigo definido feminino a, por exemplo. Assinale a alternativa que apresenta o trecho do texto com essa incorreção, no qual deveria haver a indicação dessa fusão mediante acentuação no item destacado.
  1. A“[...] ele aprendeu o idioma traduzindo contos de As Mil e Uma Noites”.
  2. B“[...]mas a sua visita, acompanhada de perto pela mídia local [...]”.
  3. C“[...]era comum salpicar a massa com queijo ou zaatar [...]”.
  4. D“[...] os pães assam colados a parede, na vertical [...]”.
  5. E“[...]um grande forno a lenha [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “[...] os pães assam colados a parede, na vertical [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: o desvio no texto sobre a esfiha

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que apresenta desvio de crase: em "os pães assam colados a parede", o substantivo feminino "parede" admite artigo definido e o verbo "colar" exige a preposição "a" — logo, deveria haver a fusão a + a = à: "colados à parede". A passagem que ancora a resposta é:

"os pães assam colados a parede, na vertical"

Aqui, "colados" pede a preposição "a" (quem cola, cola a algo), e "parede" é um substantivo feminino determinado no contexto (a parede do forno). Portanto, ocorre a crase, que deveria ser marcada com acento grave.

O comando e a técnica

A questão pede que você identifique o desvio no uso do acento grave. Isso significa que você deve procurar o trecho em que o "a" deveria ser acentuado, mas não foi. A técnica é testar cada ocorrência: verifique se há preposição "a" exigida por um termo anterior e se o termo seguinte é um substantivo feminino que admite artigo definido "a". Se ambos existirem, há crase.

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos). Para saber se há crase, substitua o termo feminino por um masculino: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. Aplicando ao caso:

  • "colados a parede" → "colados ao muro" (aparece "ao") → há crase: à parede.

Nas demais alternativas, o "a" é apenas preposição, sem artigo, ou o termo seguinte não admite artigo definido feminino.

Análise das alternativas

Crase (fusão a + a)
  • 1Teste: substituir por masculino
    • Aparece "ao" → há crase
    • Aparece só "a" → não há crase
  • 2Casos do texto
    • "colados a parede" → "ao muro" → [+] à parede (desvio)
    • "forno a lenha" → "a carvão" → [-] sem crase
    • "a massa" → artigo, sem preposição → [-] sem crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"ele aprendeu o idioma traduzindo contos de As Mil e Uma Noites"

Aqui, "de" é a preposição exigida por "contos" (contos de algo), e "As Mil e Uma Noites" é o título da obra. Não há preposição "a" antes de um substantivo feminino que admita artigo — o "a" não aparece. Portanto, não há crase. A alternativa está correta no uso do acento grave, pois não há fusão a ocorrer.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"mas a sua visita, acompanhada de perto pela mídia local"

Aqui, "a" é artigo definido feminino que acompanha "visita", mas não há preposição "a" antes dele. O "mas" é conjunção adversativa, e "a sua visita" é o sujeito da oração. Sem preposição, não há crase. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"era comum salpicar a massa com queijo ou zaatar"

Aqui, "a" é artigo definido feminino que acompanha "massa", mas não há preposição "a" antes dele. O verbo "salpicar" é transitivo direto (salpicar algo), e "a massa" é o objeto direto. Sem preposição, não há crase. A alternativa está correta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"os pães assam colados a parede, na vertical"

Aqui, "colados" exige a preposição "a" (quem cola, cola a algo), e "parede" é um substantivo feminino que admite artigo definido "a". Portanto, ocorre a fusão a + a = à: "colados à parede". O desvio está em não ter usado o acento grave. Esta é a única alternativa com incorreção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"um grande forno a lenha"

Aqui, "a" é preposição que introduz a locução adjetiva "a lenha" (forno a lenha), mas "lenha" é um substantivo feminino usado em sentido genérico, sem artigo definido. Não há fusão de preposição com artigo, pois não há artigo. Portanto, não há crase. A alternativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "a" preposição e "a" artigo. Em "a lenha", o substantivo está em sentido genérico (não é "a lenha" específica), então não há artigo — logo, não há crase. Já em "a parede", o substantivo está determinado (a parede do forno), então há artigo e crase.

PEGA ESSA DICA!

Para testar crase, substitua o termo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. Ex.: "colados a parede" → "colados ao muro" (há crase); "forno a lenha" → "forno a carvão" (não há crase).

Gabarito: letra D. A única alternativa com desvio de crase é a D, pois "colados a parede" deveria ser "colados à parede". As demais usam corretamente o "a" sem acento, pois não há fusão de preposição com artigo.

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