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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa596490
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Londrina
Ano
2024
Cargo
Admin (Londrina)

Obesidade na adolescência: taxa no Brasil é quase o dobro da média global

 

Por Vanessa Lima

 

A cada dez adolescentes brasileiros, atualmente, três têm obesidade ou sobrepeso. Enquanto por aqui a obesidade e o sobrepeso afetam 31% dos adolescentes, a média do mundo é de 18%, de acordo com o levantamento “Observatório da Saúde na Infância”. Embora as taxas de obesidade e sobrepeso entre as crianças menores também tenham aumentado e sejam maiores no Brasil em comparação com a média global, a incidência do problema nos adolescentes preocupa os pesquisadores sobremaneira, por ser algo ainda mais impactante. Mas por que a adolescência é uma fase tão vulnerável para esse ganho exagerado de peso?

 

As principais explicações estão relacionadas às mudanças físicas do corpo que ocorrem nessa fase da vida, somadas ao momento do desenvolvimento social e emocional, além da alimentação e do estilo de vida. De acordo com a nutricionista Alessandra Leonardo, no início da adolescência, há uma hiperplasia celular, ou seja, um ganho acelerado de células adiposas. “Nesse período, o adolescente vai ganhar peso para sustentar o estirão do crescimento, mas esse aumento não deve ser exagerado. Existe também toda a modificação da puberdade, com o crescimento das mamas, dos testículos, dos pelos e as alterações hormonais”, explica.

 

A parte emocional, nessa fase da vida, também tem um grande impacto. “A adolescência é um período em que o indivíduo está aprendendo a lidar com as próprias emoções, a tomar decisões, a lidar com conflitos e a administrá-los sozinho”, lembra a professora Raquel Boff, da Universidade de Caxias do Sul. “Tudo é muito intenso. O adolescente se apaixona pela primeira vez e geralmente se ilude no amor. Os amigos são tudo para ele. Há uma certa desregulação emocional”, aponta. E é natural que isso aconteça dessa maneira. Em muitos casos, a estratégia de enfrentamento a essas emoções envolve algum tipo de transtorno alimentar.

 

Quando a criança é pequena, os familiaresA) ainda controlam as suas refeições. Já o adolescente tem mais opçõesB) em seus cardápiosC). “Os adolescentesD) passam a ter mais autonomia para o consumo de alimentosE) calóricos e ultraprocessados”, diz a nutricionista Alessandra. “Eles comem mais vezes fora de casa, com os amigos. E as escolhas nesses momentos não costumam ser as mais saudáveis”, salienta. “Quando saem, eles vão geralmente aos shoppings ou ao cinema, em que há todo um estímulo para a alimentação inadequada. Os bons alimentos ficam calados nessa hora”, afirma a especialista.

 

Isso tudo também tem a ver com o fato de os jovens ficarem mais tempo dentro de casa diante das telas, acessando a internet para conversar com os amigos apenas virtualmente ou entrar nas redes sociais, nos aplicativos de mensagens e em jogos online. “A tendência, nessas situações, é aumentar o consumo de alimentos e diminuir drasticamente o nível de atividade física”, enfatiza a nutricionista da Fiocruz. Isso sem falar nos impactos no sono, sendo que dormir bem e por uma quantidade de tempo adequada é uma ferramenta importante para manter a saúde e combater a obesidade e o sobrepeso. Além de todos esses fatores ligados ao ambiente e aos hábitos, é preciso, ainda, avaliar o contexto familiar. Em alguns casos, existe o risco genético, quando a mãe, o pai ou outros familiares próximos também são obesos.

 

Para Alessandra, prevenir a obesidade é olhar para os hábitos alimentares e de atividade física dos jovens, além do estilo de vida. “É importante regular o tempo de tela, o sono, trabalhar a conscientização sobre a alimentação. A prática de atividade física recomendada para um adolescente, de acordo com o Ministério da Saúde, é de pelo menos 60 minutos diários”, alerta. Manter um bom padrão de sono, entre 8 e 10 horas, também é fundamental. “As escolas precisariam aumentar a atividade física para os jovens, melhorar as refeições, os alimentos vendidos nas cantinas, reduzindo, por exemplo, a venda de bebidas açucaradas”, orienta. Para ela, em termos de políticas públicas, pode-se pensar em uma taxação em alimentos e bebidas com mais açúcar, por exemplo, o que reduziria o consumo. “A arrecadação extra abre a possibilidade para a ampliação de investimentos sociais em reeducação alimentar”, sugere.

 

(Disponível em: revistacrescer.globo.com/pre-adolescentes/saude/noticia/2024/03/obesidade-na-adolescenciataxa- no-brasil-e-quase-o-dobro-da-media-global.ghtml– texto adaptado especialmente para esta prova)

No que se refere à coesão textual, o pronome “Eles” está retomando:
  1. A“familiares”.
  2. B“opções”.
  3. C“cardápios”.
  4. D“adolescentes”.
  5. E“alimentos”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “adolescentes”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o pronome "Eles" e seu antecedente — Gabarito: letra D.

O pronome "Eles" retoma "adolescentes", como se comprova no trecho: "Os adolescentes passam a ter mais autonomia para o consumo de alimentos calóricos e ultraprocessados", diz a nutricionista Alessandra. "Eles comem mais vezes fora de casa, com os amigos." A pista decisiva é a concordância de número e a continuidade semântica: "Eles" (plural) só pode se referir a um termo plural que faça sentido como sujeito de "comem" — e, no contexto, quem come fora de casa são os adolescentes, não os familiares, as opções, os cardápios ou os alimentos.

O comando: identificar o referente de um pronome

A questão pede que você identifique o antecedente de um pronome pessoal reto ("Eles") — ou seja, o termo que ele retoma anaforicamente no texto. Isso é coesão referencial: o pronome evita a repetição do nome e "aponta" para algo já dito. Para resolver, você não precisa de interpretação profunda; basta voltar no texto e ver qual termo, pela lógica e pela concordância, o pronome substitui.

O texto: onde está a resposta

No 4º parágrafo, a nutricionista Alessandra fala sobre a autonomia alimentar dos adolescentes. O trecho-chave é:

"Os adolescentes passam a ter mais autonomia para o consumo de alimentos calóricos e ultraprocessados", diz a nutricionista Alessandra. "Eles comem mais vezes fora de casa, com os amigos."

Aqui, "Eles" aparece logo após "Os adolescentes" e retoma exatamente esse termo. A concordância confirma: "Eles" está no plural, e o verbo "comem" concorda com ele. Quem come fora de casa? Os adolescentes. Os familiares controlam as refeições das crianças, mas não são eles que saem com os amigos. As opções e os cardápios não comem. Os alimentos são consumidos, não consomem. A lógica semântica e a concordância apontam para a mesma resposta.

A técnica: anáfora e concordância

Anáfora é o mecanismo de coesão em que um termo retoma outro já mencionado. O pronome "Eles" é um pronome pessoal reto que funciona como anafórico, substituindo o substantivo "adolescentes" para evitar repetição. Para identificar o referente, use dois critérios:

  1. Concordância: o pronome deve concordar em gênero e número com o antecedente. "Eles" é masculino plural; "adolescentes" é masculino plural (no contexto, refere-se a ambos os gêneros, mas gramaticalmente é masculino).

  2. Semântica: o pronome deve fazer sentido no lugar do antecedente. "Eles comem mais vezes fora de casa" → "Os adolescentes comem mais vezes fora de casa" — perfeito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"familiares" — Os familiares são mencionados no parágrafo anterior: "Quando a criança é pequena, os familiares ainda controlam as suas refeições." Mas "Eles" não se refere a eles, pois o texto diz que os adolescentes têm autonomia e comem fora de casa, o que contrasta com o controle dos familiares. Além disso, "familiares" está distante do pronome, e a concordância até seria possível, mas a semântica não: familiares não "comem mais vezes fora de casa" no contexto. Erro: troca de referente por proximidade temática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"opções" — "opções" aparece em "os adolescentes têm mais opções em seus cardápios". Mas "opções" é um substantivo abstrato, não pode ser sujeito de "comem". Quem come são seres animados. Erro: confusão com termo da mesma frase, sem valor semântico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"cardápios" — "cardápios" também está na mesma frase, mas é um objeto, não um agente. Cardápios não comem. Erro: confusão com termo da mesma frase, sem valor semântico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"adolescentes" — Como provado acima, "Eles" retoma "Os adolescentes", que é o sujeito lógico da ação de comer fora de casa. A concordância e a semântica confirmam. É a única alternativa que faz sentido completo no contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"alimentos" — "alimentos" aparece em "consumo de alimentos calóricos e ultraprocessados". Embora esteja na mesma frase, alimentos são o objeto do consumo, não quem come. "Eles comem" não pode ter "alimentos" como sujeito, pois alimentos não comem. Erro: confusão com termo da mesma frase, sem valor semântico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca vários substantivos na mesma frase (opções, cardápios, alimentos) para tentar confundir o candidato. A dica é sempre testar: "quem pratica a ação?" — o pronome deve ser o sujeito lógico.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, substitua-o pelo termo candidato na frase e veja se faz sentido. Ex.: "Os adolescentes comem mais vezes fora de casa" — faz sentido. "Os alimentos comem mais vezes fora de casa" — não faz.

Conclusão: a coesão referencial exige que o pronome retome um termo que concorde em número e faça sentido no contexto. Aqui, "Eles" só pode ser "adolescentes". Portanto, Gabarito: letra D.

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