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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FUNDATEC 2024

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa596496
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Londrina
Ano
2024
Cargo
Ag Con ( )

A incrível descoberta de Marie Tharp

 

Por Eder Molina

 

Marie Tharp nasceu nos Estados Unidos em 1920. Naquela época, as mulheres não tinham muitas opções de trabalho fora de casa. Ser cientista, então, era bem difícil. Mas Marie não se conformou e fez uma das maiores descobertas submarinas do seu tempo: desvendou o fundo do oceano na década de 1950, confirmando uma teoria científica que mudaria a história da Terra.

 

No início dos anos 1940, morando nos Estados Unidos, Marie estava com dificuldades em escolher o curso adequado para se formar. Naquele tempo, as profissões oferecidas para mulheres eram as de secretária, professora ou enfermeira. De nenhuma delas Marie gostava. Então, formou-se em Letras e Música.

 

Em 1941, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial. A maior parte dos homens mais jovens do país foi convocada para lutar. Alguns cursos até então oferecidos exclusivamente a eles abriram oportunidades para mulheres, e Marie conseguiu se formar em Geologia. Em seguida, conquistou uma vaga importante em uma companhia de petróleo e aproveitou para fazer também faculdade de Matemática. Trabalhar pesquisando petróleo não era sua paixão. Então, ela se mudou, em 1948, do Estado de Michigan para Nova Iorque. O famoso Museu Americano de História Natural ofereceu uma oportunidade de trabalho em paleontologia, mas, ao descobrir que extrair um fóssil de uma rocha poderia demorar mais de dois anos, Marie desistiu da ideia e tentou atuar como técnica de laboratório na Universidade Columbia. Por ter conhecimentos de matemática e habilidade com desenho, foi aceita e logo encontrou a profissão de sua vida: a cartografia! Queria desenhar mapas do fundo do mar.

 

Na época em que Marie trabalhava, pouco se conhecia a respeito da estrutura do fundo do oceano. Inicialmente, acreditava-se que fosse algo muito uniforme e plano, mas as primeiras medidas, feitas com pesos (bolas de canhão amarradas a cordas muito longas) mostraram algo bastante irregular. Então, o mundo submerso passou a ser intrigante…

 

Com o desenvolvimento de equipamentos como o sonar – uma espécie de aparelho de ultrassom, como os usados para ver os bebês dentro da barriga das mulheres –, foi possível investigar e registrar um pouco melhor o fundo oceânico. Muitos dados foram sendo coletados, mas precisavam de uma representação consistente. E nisso Marie se mostrou diferenciada!

 

Após quase uma década estudando os dados de profundidade do fundo oceânico, Marie desenvolveu uma técnica para completar os que faltavam, permitindo visualizar, de forma consistente, as estruturas existentes no fundo do mar. Assim, depois de inúmeras investigações, já se conheciam as estruturas do fundo dos oceanos, como montanhas e vales, mas algo ainda chamava a atenção: uma enorme cordilheira que serpenteava entre os continentes, indo desde o Ártico até a Antártida. Marie já havia desenhado esta cordilheira em seus mapas, mas notou algo inédito: bem no meio desta cadeia de montanhas submersa havia uma enorme rachadura. Por que a descoberta de Marie incomodava tanto? Porque ela descobriu que aquela rachadura era mais uma prova para a teoria da deriva continental, segundo a qual os continentes eram um só no passado da Terra, pois eles foram se afastando ao longo do tempo e formariam um grande quebra-cabeças, se tentássemos juntá-los novamente.

 

Nenhum cientista estadunidense admitia a deriva continental como um fato. Foi preciso que o renomado oceanógrafo francês Jacques Costeau, que também não acreditava na possibilidade de aquilo estar correto, fosse com seu submarino averiguar a estrutura e a apresentasse ao público, em 1959. Mesmo após a aposentadoria, a cientista seguiu trabalhando com mapas, recebendo pelo Congresso dos Estados Unidos, em 1997, o título de uma das quatro maiores cartógrafas do século XX. Marie morreu em 2006, aos 86 anos.

 

(Disponível em: www.chc.org.br/artigo/a-incrivel-descoberta-de-marie-tharp/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Os travessões foram utilizados no quinto parágrafo do texto para:
  1. AIntroduzir uma fala de Marie Tharp.
  2. BIndicar um pensamento do autor.
  3. CDemonstrar a surpresa do autor com uma informação.
  4. DIntroduzir uma frase explicativa.
  5. EIsolar um vocativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Introduzir uma frase explicativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do travessão no quinto parágrafo

Gabarito: letra D. Os travessões no quinto parágrafo isolam uma frase explicativa — mais precisamente, um aposto explicativo que esclarece o que é o sonar. A prova está no próprio trecho:

"Com o desenvolvimento de equipamentos como o sonar – uma espécie de aparelho de ultrassom, como os usados para ver os bebês dentro da barriga das mulheres –, foi possível investigar e registrar um pouco melhor o fundo oceânico."

O trecho entre travessões explica o que é o sonar, acrescentando uma informação acessória. Não há fala, pensamento, surpresa ou vocativo — apenas uma explicação intercalada.

O comando

A questão pergunta para que os travessões foram usados. Isso é uma questão de função da pontuação: você deve identificar o efeito que o sinal produz no texto. Não é uma questão de interpretação profunda, mas de reconhecer o uso padrão do travessão: isolar termos explicativos, intercalados, que podem ser retirados sem prejuízo sintático.

O texto

O quinto parágrafo apresenta o sonar como um equipamento que permitiu investigar o fundo oceânico. O autor, ao citar o sonar, insere uma explicação para o leitor leigo: "uma espécie de aparelho de ultrassom, como os usados para ver os bebês dentro da barriga das mulheres". Essa explicação é um aposto explicativo — um termo que se junta a outro para esclarecê-lo. Os travessões funcionam como parênteses ou vírgulas nesse caso: isolam um termo acessório, suprimível.

A técnica

O travessão tem três funções principais:

  1. Marcar fala direta em diálogos (discurso direto).

  2. Isolar termos explicativos ou intercalados (aposto, oração interferente).

  3. Indicar mudança de interlocutor (em diálogos).

No texto, não há diálogo, nem mudança de locutor. O trecho entre travessões é uma explicação que poderia ser substituída por vírgulas ou parênteses sem alterar o sentido:

  • Com travessões: "o sonar – uma espécie de aparelho de ultrassom –"

  • Com vírgulas: "o sonar, uma espécie de aparelho de ultrassom,"

  • Com parênteses: "o sonar (uma espécie de aparelho de ultrassom)"

A retirada do trecho não prejudica a frase: "Com o desenvolvimento de equipamentos como o sonar, foi possível investigar..." — continua correta. Isso confirma que se trata de um termo acessório explicativo.

Análise das alternativas

Travessão
  • 1Funções
    • Marcar fala direta
    • Isolar termo explicativo (aposto)
    • Indicar mudança de interlocutor
  • 2Teste: substituir por vírgulas ou parênteses
    • Mantém o sentido → explicativo
    • Não mantém → outra função
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Introduzir uma fala de Marie Tharp. Não há discurso direto no parágrafo. O travessão que introduz fala aparece em diálogos, como em "— Onde você estava?". Aqui, o trecho entre travessões não é uma fala, é uma explicação do autor. Erro: troca de função — confunde travessão de diálogo com travessão explicativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indicar um pensamento do autor. O trecho entre travessões não expressa um pensamento subjetivo, mas uma definição objetiva do que é sonar. Não há marcas de subjetividade (como "eu acho", "talvez"). Erro: acrescenta opinião — atribui ao trecho um caráter que ele não tem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Demonstrar a surpresa do autor com uma informação. Não há nenhuma marca de surpresa (como ponto de exclamação ou vocabulário exclamativo). O trecho é meramente informativo. Erro: extrapola — inventa uma emoção que o texto não expressa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Introduzir uma frase explicativa. Exatamente o que ocorre: o trecho entre travessões explica o que é o sonar. Como vimos, é um aposto explicativo — termo que esclarece o anterior. A função do travessão aqui é isolar uma explicação intercalada, podendo ser substituído por vírgulas ou parênteses.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Isolar um vocativo. Vocativo é um chamamento ao interlocutor, como em "Felipe, seja mais gentil!". No trecho, não há nenhum chamamento; há uma explicação sobre o sonar. Erro: troca de conceito — confunde aposto explicativo com vocativo.

Fechamento

A questão testa se você sabe distinguir as funções do travessão. A regra de ouro: pergunte-se o que o trecho entre travessões faz na frase — se explica um termo anterior, é aposto explicativo; se chama alguém, é vocativo; se reproduz uma fala, é discurso direto. Aqui, a explicação é clara, e a alternativa D é a única que corresponde.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver travessões, teste a substituição por vírgulas ou parênteses. Se a frase continuar correta e o sentido se mantiver, é um termo explicativo intercalado.

Gabarito: letra D

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