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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa596535
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Londrina
Ano
2024
Cargo
FMun ( )

A saúde pública como dever da sociedade

 

Por Eduardo Luiz da Silva e Rose Meusburguer

 

Em seu texto, a Constituição Federal de 1988 reconhece a saúde como direito universal a todosC), sem distinção. Nossa Carta Magna até hoje vigente deu origem a um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo. O Sistema Único de SaúdeB) (SUS) nasceu, inclusive, de um processo de luta pelo direitoD) humano à saúde, que é anterior à própria promulgação da Constituição. Trata-se de uma importante conquista, ainda mais se considerado o fatoE) de que nem todos os paísesA) oferecem atendimento gratuito nessa area. Entre seus princípios, estão a participação popular e o controle social. Ambos garantem à sociedade ser inclusa no processo de formulação e controle das políticas públicas de saúde.

 

Enquanto o controle social pode ser entendido como um direito subjetivo público, ou seja, pertencente a cada indivíduo e que pode ser acessado em qualquer tempo com base em garantia constitucional, a participação popular é um poder político no qual o povo assume instância deliberativa. E quanto mais eficaz for o controle social, maior a chance de desenvolvermos políticas de saúde em consonância com a democratização, a gestão e a qualidade da prestação de serviços. Na saúde, as instâncias oficiais de controle social dividem-se em Conselhos de Saúde, Conferências de Saúde e Planos Municipais de Saúde, que atuam como espaços representativos da população.

 

Criados por leis municipais, os conselhos controlam o dinheiro, participam da elaboração de metas e execução de ações em saúde, devendo reunir-se pelo menos uma vez por mês. Já as conferências, que acontecem a cada dois ou quatro anos, permitem a participação da população, além da dos conselheiros de saúde. Por fim, englobam o Plano Municipal de Saúde as ações para o próximo quadriênio de cada gestor, a ser elaborado ao início do mandato. É por meio desse controle que a sociedade pode reivindicar e fiscalizar as políticas públicas. Antigamente, a tomada de decisões no âmbito da saúde era realizada de cima para baixo, quando o governo decidia o que era melhor para a população. Dessa forma, não precisava consultá-la e, consequentemente, não procurava ter ciência das variadas demandas sociais. A falta de efetividade no uso de verbas tornava difícil o acesso à saúde, e, quanto aos recursos públicos, eram constantemente mal direcionados.

 

A participação popular em saúde não só é um direito, como também dever de todo cidadão. É preciso cunhar na sociedade a ideia de que defender o SUS não significa homologar legalmente seus problemas ou dizer que ele é um sistema perfeito. É justamente por conter pontos de melhora que a sociedade precisa se engajar. Infelizmente, o controle e a participação social não são efetivados em plenitude, panorama agravado pela falta de iniciativa da população e até mesmo pela existência de interesses escusos para que esse mesmo coletivo não saiba seus direitos. Saúde é um direito, não um favor.

 

Para isso, é fundamental que cada cidadão capacitado na saúde assuma o desafio de entender mais do que o seu segmento e atuação. É preciso, antes de tudo, que conheça a legislação que rege suas atividades. Além disso, precisa estar sempre se atualizando frente a todas as alterações que acontecem de forma dinâmica na sociedade brasileira. Para além de receber algum valor financeiro, deve estar o seu comprometimento pessoal com a melhoria da qualidade de vida da população. Com mais e mais profissionais enquadrados nesse perfil, o saber técnico ganhará corpo e poderá se fazer presente em maior peso no âmbito político. Espera-se, com isso, ser possível a tomada de decisões mais eficiente para atender nossas necessidades, tanto nas menores como nas maiores esferas sociais.

 

(Disponível em: www.otempo.com.br/opiniao/artigos/saude-publica-tambem-e-um-dever-da-sociedade e www.elaborandoprojetos.com.br/remuneracao-do-conselheiro-de-cultura-2/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

O pronome “seus” exerce o papel de elemento de coesão e tem como referente textual:
  1. APaíses.
  2. BSistema Único de Saúde.
  3. CTodos.
  4. DDireito.
  5. EFato.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Sistema Único de Saúde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente do pronome "seus"

Gabarito: letra B. O pronome possessivo "seus" retoma Sistema Único de Saúde (SUS), como se comprova no trecho: "defender o SUS não significa homologar legalmente seus problemas". A coesão é anafórica: o pronome aponta para um termo já mencionado, evitando a repetição de "SUS".

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique o referente textual do pronome "seus". Isso é uma tarefa de coesão referencial: descobrir a que termo anterior o pronome se liga. Não se trata de interpretar o sentido global do texto, mas de rastrear a cadeia de referência. A banca quer que você perceba que "seus" é um pronome possessivo de 3ª pessoa e que, portanto, remete a um substantivo já citado.

O texto e a localização da resposta

No 4º parágrafo, o autor escreve:

"É preciso cunhar na sociedade a ideia de que defender o SUS não significa homologar legalmente seus problemas ou dizer que ele é um sistema perfeito."

Aqui, "seus" está diretamente ligado a "SUS": os problemas são do SUS. A prova é imediata: se substituirmos "seus" por "do SUS", a frase continua perfeita: "homologar legalmente os problemas do SUS". Além disso, o pronome "ele" na sequência também retoma "SUS", confirmando a cadeia referencial.

A técnica: como achar o referente

Para resolver, siga dois passos:

  1. Localize o pronome no texto e veja qual substantivo ele acompanha ou substitui. "Seus" é possessivo e, aqui, acompanha "problemas".

  2. Pergunte: de quem são os problemas? A resposta está no contexto imediato: "defender o SUS não significa homologar legalmente seus problemas". Os problemas são do SUS.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão, substitua o pronome pelo possível antecedente e veja se a frase mantém o sentido. Se "seus" = "do SUS" funciona, é esse o referente.

Coesão referencial
  • 1Pronome possessivo "seus"
    • Retoma termo já citado (anáfora)
    • Substituição: "seus" = "do SUS"
  • 2Como achar o referente
    • Localizar o pronome
    • Perguntar: de quem é o quê?
    • Substituir pelo antecedente e testar o sentido
  • 3Distratores comuns
    • Termos que aparecem no texto
    • Mas não são o antecedente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Países aparece no 1º parágrafo: "nem todos os países oferecem atendimento gratuito nessa área". Mas "seus" não está ligado a "países" — o pronome está no 4º parágrafo, em contexto totalmente diferente. A banca coloca um termo que aparece no texto, mas que não é o antecedente, para testar se você confunde "aparecer no texto" com "ser o referente".

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como visto, "seus" retoma Sistema Único de Saúde (SUS). A prova está no trecho: "defender o SUS não significa homologar legalmente seus problemas". Os problemas são do SUS. Além disso, o pronome "ele" na sequência também retoma "SUS", reforçando a cadeia referencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Todos aparece em "direito universal a todos", mas não é o antecedente de "seus". O pronome possessivo não se refere a "todos" — se referisse, a frase seria "defender o SUS não significa homologar legalmente os problemas de todos", o que não faz sentido no contexto. A banca usa um termo que está próximo no texto, mas que não tem relação sintática com o pronome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Direito aparece em "direito humano à saúde", mas "seus" não se refere a "direito". A prova: "defender o SUS não significa homologar legalmente seus problemas" — os problemas não são do direito, são do SUS. A banca tenta confundir com um termo que está no mesmo parágrafo, mas que não é o antecedente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fato aparece em "considerado o fato de que nem todos os países oferecem atendimento gratuito". Mas "seus" não se refere a "fato". A substituição "homologar legalmente os problemas do fato" não faz sentido. A banca coloca um termo que está no texto, mas que não tem relação com o pronome.

Conclusão

A chave para acertar é perguntar sempre: de quem é o quê? O pronome possessivo "seus" exige um possuidor, e o texto deixa claro que os problemas são do SUS. As demais alternativas são termos que aparecem no texto, mas que não são o antecedente correto — a banca explora a leitura superficial.

Gabarito: letra B

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