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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — Avança SP 2024

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
qa597225
Banca
Avança SP
Órgão
CM Louveira
Ano
2024
Cargo
Ana Adm ( )

Cem anos sem Kafka: como sua obra foi publicada contra sua vontade

 

Há cem anos morria de tuberculose Franz Kafka, o escritor austro-húngaro (nascido em Praga, hoje seria tcheco) que inaugurou uma nova era da literatura. Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo: chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante, mas que temos que aceitar.

 

Morto aos 40 anos, Kafka publicou poucos contos em vida, sem chamar muita atenção do público. A Metamorfose, O Veredito e Na Colônia Penal são as histórias curtas mais conhecidas publicadas com a autorização do autor, mas só foram reconhecidas como geniais após a morte de Kafka. O resto de sua obra, como os célebres romances O Processo e O Castelo, foram publicados e venerados depois que Kafka morreu, mudando a história da literatura mundial. Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados.

 

Com 29 anos, Franz Kafka ainda não tinha publicado nenhum livro, só alguns contos em revistas literárias. Seu amigo da época da universidade, Max Brod, era um ano mais jovem e um autor importante da literatura expressionista, responsável por apresentar a obra de Kafka para seu editor alemão, Kurt Wolff. O editor lembrou de Kafka, anos depois, como o único autor que lhe disse que ficaria mais grato pela devolução do manuscrito do que pela publicação. O editor não ouviu o jovem autor, inseguro com sua literatura, e publicou diversos livros do autor tcheco, até mesmo após sua morte.

 

Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos. No leito de morte, ele revisou o livro Um artista da fome, o último livro publicado com a autorização do autor. Depois disso, ele deixou Brod como o responsável pelo seu testamento, e seu pedido foi bem claro: queime tudo que esteja inédito e incompleto. “Caríssimo Max, meu último pedido”, escreveu Kafka. “Queimar completamente, sem ler, tudo o que se encontrar no meu espólio […]”.

 

O último desejo de Kafka não foi respeitado. Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod.

 

O Processo é um romance que não tinha uma ordem definida por Kafka. Os capítulos poderiam ser lidos individualmente, sem seguir uma cronologia muito óbvia. Os episódios mais delimitados temporalmente são o que apresenta a detenção e, portanto, inicia a história, e o capítulo com o título “Fim”. A ordem em que o romance é conhecido foi desenvolvida e pensada por Brod, finalizando o livro do amigo por ele.

 

Brod confiou mais na qualidade da obra literária do amigo do que no desejo expresso de Kafka de ter seus escritos queimados. Depois da morte de Brod, os arquivos de Kafka ficaram com a secretária do amigo, Esther Hoffe. Ela morreu aos 101 anos, em Tel Aviv, e aí começou uma disputa legal pelo espólio de Kafka entre suas herdeiras, o Estado de Israel e sua Biblioteca Nacional, e a Alemanha, por meio do Arquivo Literário de Marbach.

 

Franz Kafka não é o único autor a ser desrespeitado por seus herdeiros e testamentários. Roberto Bolaño, escritor chileno influenciado por Kafka e um dos maiores nomes da literatura latino-americana, morreu aos 50 anos de falência hepática em 2003. No ano seguinte, ele teve um livro publicado contra sua vontade. Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose. Em 2024, foi publicado um romance póstumo que García Márquez disse que nunca deveria ser lançado.

 

Pode ser um exercício interessante pensar no que teria acontecido se a vontade de Kafka tivesse sido respeitada, mas uma coisa é certa: a literatura mundial seria bem diferente.

Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/cem-anossem- kafka-como-sua-obra-foi-publicada-contra-suavontade>.

Leia o Texto a seguir para responder à questão.

 

O adjetivo formado a partir do nome de Kafka, apresentado em “[...] chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante [...]”, é uma palavra:

  1. Aderivada por sufixação.
  2. Bderivada por prefixação.
  3. Cderivada por prefixação e sufixação.
  4. Dcomposta por aglutinação.
  5. Ecomposta por justaposição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — derivada por sufixação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Formação de Palavras: Derivação Sufixal

Gabarito: letra A. A palavra "kafkiano" é formada pelo radical "Kafka" + o sufixo "-iano", o que caracteriza derivação sufixal — processo em que uma nova palavra surge pelo acréscimo de um sufixo após o radical. Como se lê no texto: "chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante". O sufixo "-iano" é o elemento que transforma o substantivo próprio "Kafka" em adjetivo, indicando relação, origem ou característica.

O Comando

A questão pede que você identifique o processo de formação da palavra "kafkiano". Isso é uma tarefa de conceito — não de interpretação de texto. O texto serve apenas como contexto para apresentar a palavra; a resposta depende do seu conhecimento de morfologia (estrutura e formação de palavras). O comando "é uma palavra:" indica que você deve classificar o processo, não analisar o sentido no texto.

O Texto e a Palavra

O texto fala sobre Kafka e sua obra, e usa "kafkiano" como exemplo de adjetivo derivado do nome do autor. A palavra em questão é:

"chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante"

Aqui, "kafkiano" é um adjetivo que se refere a algo relacionado a Kafka. Para analisar sua formação, precisamos decompor a palavra:

  • Radical: Kafka (nome próprio, palavra primitiva)

  • Sufixo: -iano (acréscimo após o radical)

O sufixo "-iano" é um sufixo nominal que forma adjetivos a partir de substantivos, indicando relação, origem ou característica (ex.: "shakespeariano", "freudiano", "maquiavélico"). Como há apenas um afixo (o sufixo), o processo é derivação sufixal.

A Técnica: Derivação × Composição

Para resolver, é essencial distinguir os dois grandes processos de formação de palavras:

Processo

Definição

Exemplo

Derivação

Formação de nova palavra a partir de uma única palavra primitiva, pelo acréscimo de afixos (prefixos e/ou sufixos).

kafkiano (Kafka + -iano)

Composição

Formação de nova palavra pela união de duas ou mais palavras ou radicais.

girassol (gira + sol)

Dentro da derivação, há subtipos:

  • Prefixal: acréscimo de prefixo (ex.: injusto)

  • Sufixal: acréscimo de sufixo (ex.: lealdade)

  • Prefixal e sufixal: acréscimo de prefixo e sufixo, mas de forma não simultânea (ex.: deslealdade — pode-se retirar um dos afixos e a palavra continua existindo: "desleal" ou "lealdade")

  • Parassintética: acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo (ex.: emmagrecer — não existe "emmagro" nem "magrecer")

No caso de "kafkiano", há apenas um afixo (o sufixo "-iano"), então é derivação sufixal pura.

Análise das Alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Kafkiano" é formado pelo radical "Kafka" + sufixo "-iano". O sufixo é o único afixo presente, e ele é responsável por mudar a classe gramatical (de substantivo próprio para adjetivo). Isso é exatamente a definição de derivação sufixal: acréscimo de sufixo após o radical para formar nova palavra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A derivação prefixal ocorre quando há acréscimo de prefixo (antes do radical), como em "injusto". Em "kafkiano", não há prefixo — há apenas o sufixo "-iano". A alternativa confunde o tipo de afixo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A derivação prefixal e sufixal exige a presença de dois afixos (um prefixo e um sufixo), como em "deslealdade". Em "kafkiano", há apenas um afixo (o sufixo), então não se aplica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A composição por aglutinação ocorre quando duas palavras ou radicais se unem com alteração fonética (perda de sons), como em "planalto" (plano + alto). "Kafkiano" tem apenas um radical (Kafka), não dois, e não há união de palavras.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A composição por justaposição ocorre quando duas palavras ou radicais se unem sem alteração fonética, como em "girassol" (gira + sol). "Kafkiano" tem apenas um radical, não dois, então não é composição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre derivação (uma palavra primitiva + afixos) e composição (duas palavras ou radicais). "Kafkiano" tem um único radical, então só pode ser derivação. Além disso, a presença de apenas um afixo (o sufixo) elimina as opções de derivação prefixal e prefixal-sufixal.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a formação de uma palavra, primeiro decomponha-a em radical e afixos. Depois, verifique: há mais de um radical? Se sim, é composição. Há apenas um radical? Se sim, é derivação. Por fim, identifique quais afixos estão presentes (prefixo, sufixo ou ambos) para determinar o subtipo.

Gabarito: letra A — "kafkiano" é derivada por sufixação, pois o sufixo "-iano" é acrescentado ao radical "Kafka" para formar o adjetivo.

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