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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — Avança SP 2024

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa597227
Banca
Avança SP
Órgão
CM Louveira
Ano
2024
Cargo
Ana Adm ( )

Cem anos sem Kafka: como sua obra foi publicada contra sua vontade

 

Há cem anos morria de tuberculose Franz Kafka, o escritor austro-húngaro (nascido em Praga, hoje seria tcheco) que inaugurou uma nova era da literatura. Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo: chamamos de kafkiano aquilo que é inexplicavelmente confuso e frustrante, mas que temos que aceitar.

 

Morto aos 40 anos, Kafka publicou poucos contos em vida, sem chamar muita atenção do público. A Metamorfose, O Veredito e Na Colônia Penal são as histórias curtas mais conhecidas publicadas com a autorização do autor, mas só foram reconhecidas como geniais após a morte de Kafka. O resto de sua obra, como os célebres romances O Processo e O Castelo, foram publicados e venerados depois que Kafka morreu, mudando a história da literatura mundial. Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados.

 

Com 29 anos, Franz Kafka ainda não tinha publicado nenhum livro, só alguns contos em revistas literárias. Seu amigo da época da universidade, Max Brod, era um ano mais jovem e um autor importante da literatura expressionista, responsável por apresentar a obra de Kafka para seu editor alemão, Kurt Wolff. O editor lembrou de Kafka, anos depois, como o único autor que lhe disse que ficaria mais grato pela devolução do manuscrito do que pela publicação. O editor não ouviu o jovem autor, inseguro com sua literatura, e publicou diversos livros do autor tcheco, até mesmo após sua morte.

 

Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos. No leito de morte, ele revisou o livro Um artista da fome, o último livro publicado com a autorização do autor. Depois disso, ele deixou Brod como o responsável pelo seu testamento, e seu pedido foi bem claro: queime tudo que esteja inédito e incompleto. “Caríssimo Max, meu último pedido”, escreveu Kafka. “Queimar completamente, sem ler, tudo o que se encontrar no meu espólio […]”.

 

O último desejo de Kafka não foi respeitado. Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod.

 

O Processo é um romance que não tinha uma ordem definida por Kafka. Os capítulos poderiam ser lidos individualmente, sem seguir uma cronologia muito óbvia. Os episódios mais delimitados temporalmente são o que apresenta a detenção e, portanto, inicia a história, e o capítulo com o título “Fim”. A ordem em que o romance é conhecido foi desenvolvida e pensada por Brod, finalizando o livro do amigo por ele.

 

Brod confiou mais na qualidade da obra literária do amigo do que no desejo expresso de Kafka de ter seus escritos queimados. Depois da morte de Brod, os arquivos de Kafka ficaram com a secretária do amigo, Esther Hoffe. Ela morreu aos 101 anos, em Tel Aviv, e aí começou uma disputa legal pelo espólio de Kafka entre suas herdeiras, o Estado de Israel e sua Biblioteca Nacional, e a Alemanha, por meio do Arquivo Literário de Marbach.

 

Franz Kafka não é o único autor a ser desrespeitado por seus herdeiros e testamentários. Roberto Bolaño, escritor chileno influenciado por Kafka e um dos maiores nomes da literatura latino-americana, morreu aos 50 anos de falência hepática em 2003. No ano seguinte, ele teve um livro publicado contra sua vontade. Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose. Em 2024, foi publicado um romance póstumo que García Márquez disse que nunca deveria ser lançado.

 

Pode ser um exercício interessante pensar no que teria acontecido se a vontade de Kafka tivesse sido respeitada, mas uma coisa é certa: a literatura mundial seria bem diferente.

Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/cem-anossem- kafka-como-sua-obra-foi-publicada-contra-suavontade>.

Leia o Texto a seguir para responder à questão.   Identifique nos excertos a seguir, retirados do texto, uma oração subordinada adverbial consecutiva introduzida pela palavra “que”.
  1. A“Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod.”
  2. B“Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos.”
  3. C“Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados.”
  4. D“Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo”.
  5. E“Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose.”
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GabaritoD — “Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações Subordinadas Adverbiais Consecutivas

Gabarito: letra D. A oração "que seu nome até virou adjetivo" é uma subordinada adverbial consecutiva, pois expressa a consequência da intensidade indicada por "tão importante". A estrutura "tão... que" é a marca clássica da consecutiva, e o trecho do texto confirma: "Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo".

O comando pede que você identifique um excerto com oração subordinada adverbial consecutiva introduzida por "que". Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de sentido global, mas de reconhecimento da função que a oração exerce dentro do período. A chave está em saber que a consecutiva sempre vem acompanhada de um termo intensificador na oração principal (como "tão", "tanto", "tal", "de tal forma"), e o "que" é a conjunção que liga a consequência a essa intensidade.

No texto, a passagem decisiva está no primeiro parágrafo:

"Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo"

Aqui, "tão" indica o grau elevado da importância, e a oração "que seu nome até virou adjetivo" apresenta o resultado desse grau: virar adjetivo foi a consequência de ser tão importante. Essa relação de causa e efeito entre a intensidade e o resultado é exatamente o que define a oração subordinada adverbial consecutiva.

A técnica para resolver é simples: procure o intensificador (tão, tanto, tamanho, de tal modo) na oração principal. Se ele estiver presente e o "que" introduzir a consequência, você está diante de uma consecutiva. Nas demais alternativas, o "que" tem outras funções: conjunção integrante (substantiva), pronome relativo (adjetiva) ou parte de locução conjuntiva (causal). Vamos analisar cada uma.

1Consecutiva (tão... que)
"tão importante que virou adjetivo"
2Adjetiva (pronome relativo)
"obras que foram escritas"
"escritor que ganhou Nobel"
3Substantiva (conjunção integrante)
"estima que Kafka queimou"
4Causal (locução "já que")
"já que o autor queria"
"Que" nas orações
LEVELsoulevel.com.br
"Que" nas orações: Consecutiva (tão... que) ("tão importante que virou adjetivo"); Adjetiva (pronome relativo) ("obras que foram escritas", "escritor que ganhou Nobel"); Substantiva (conjunção integrante) ("estima que Kafka queimou"); Causal (locução "já que") ("já que o autor queria")

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Se tivesse sido, o mundo nunca teria lido O Processo, América ou O Castelo, obras que foram escritas por Kafka, mas organizadas e editadas por Brod."

Aqui, o "que" é um pronome relativo que retoma "obras" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva (ou explicativa, dependendo da pontuação). Não há intensificador, e a oração não expressa consequência — ela apenas caracteriza as obras. Erro: troca de conceito — confunde oração adjetiva com adverbial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Durante a vida, se estima que Kafka queimou cerca de 90% de seus escritos."

O "que" aqui é uma conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada substantiva objetiva direta (complemento do verbo "estima"). Não há relação de consequência. Erro: troca de conceito — confunde oração substantiva com adverbial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Mas tudo isso quase não aconteceu, já que o autor queria que seus manuscritos fossem queimados."

A locução "já que" é uma conjunção causal — introduz uma oração subordinada adverbial causal (explica o motivo de "quase não aconteceu"). O "que" faz parte da locução, mas não é consecutivo. Erro: troca de conceito — confunde causal com consecutiva.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Sua obra é tão importante que seu nome até virou adjetivo"

Como vimos, "tão" é o intensificador e "que" introduz a consequência. É a única alternativa com estrutura tão... que típica da consecutiva. Correta — reconhece a função adverbial consecutiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Gabriel García Márquez, o escritor colombiano que ganhou o Nobel de Literatura, começou a escrever seu primeiro conto um dia depois de ler A Metamorfose."

O "que" é pronome relativo (retoma "escritor colombiano") e introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa. Não há consequência. Erro: troca de conceito — confunde adjetiva com adverbial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura orações com "que" em diferentes funções (substantiva, adjetiva, causal) para testar se você reconhece a estrutura tão... que da consecutiva. Fique atento ao intensificador!

PEGA ESSA DICA!

Para identificar uma consecutiva, procure na oração principal um intensificador (tão, tanto, tamanho, de tal modo) e verifique se o "que" introduz o resultado. Se não houver intensificador, não é consecutiva.

Conclusão: a única alternativa com oração subordinada adverbial consecutiva é a letra D, pois apresenta a estrutura "tão... que" que expressa consequência. As demais usam "que" como pronome relativo, conjunção integrante ou parte de locução causal.

Gabarito: letra D

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