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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa597228
Banca
Avança SP
Órgão
CM Louveira
Ano
2024
Cargo
Aux Adm ( )

A história do breaking, das ruas do Bronx às Olimpíadas

 

Nova York, início dos anos 1970. Em Manhattan, a parte central (e mais rica) da cidade, dezenas de boates varavam a madrugada tocando hits de bandas como Bee Gees, ABBA, Village People e Earth, Wind & Fire. Foi a era de ouro da música disco.

 

No Bronx, distrito ao norte de Nova York, a população vivia sob péssimas condições. Serviços públicos e políticas habitacionais eram raros. O ápice dessa crise foram os incêndios: somente em 1974, houve 12,3 mil. E foi bem ali, em meio aos escombros de um bairro em chamas, que nasceu um dos movimentos culturais mais importantes do século 20: o hip-hop, que engloba música (com os DJs e os rappers), arte visual (com o grafite) e dança, com o breaking.

 

Criado a partir de uma amálgama de diversos estilos de dança (e até de algumas artes marciais), o breaking nasceu junto com as primeiras festas de hip-hop. Hoje, meio século depois, os passos acrobáticos marcarão presença nas Olimpíadas de Paris.

 

No dia 11 de agosto de 1973, o americano Clive Campbell se apresentou na festa de aniversário de sua irmã, em um pequeno prédio do Bronx. Aos 18 anos, Clive, mais conhecido como DJ Kool Herc, quis testar algo diferente. Ele pegou discos de funk e soul e, em vez de tocá- los normalmente, colocou a agulha nos LPs em pontos estratégicos para tocar apenas os breaks (“pausas”) de cada música. Os breaks são os intervalos em que os vocais e alguns músicos param e só o baixo, a bateria e outros instrumentos que fazem a base (a chamada “cozinha”) permanecem. Para fazer isso, Herc usava duas cópias de um mesmo vinil: quando o break de uma música terminava, o DJ colocava a agulha no mesmo break da outra cópia do disco. A galera curtiu, e ele logo começou a fazer shows cada vez maiores. Pouco a pouco, as batidas ganharam letras.

 

Os MCs (sigla para “mestre de cerimônia”) animavam os shows com rimas cadenciadas, inspirados no ritmo de locutores de rádio, pastores, políticos e outros artistas da época. Nascia assim o rap, outro pilar do hip-hop.

 

Na pista, algumas pessoas aproveitavam os longos breaks criados por Kool Herc para exibir passos de dança. Os homens que dançavam ao som das batidas foram apelidados de b-boys (de bronx-boys, mas também de breakboys); as mulheres, de b-girls. E a dança logopassou a ser chamada de b-boying ou breaking.

 

Desde o início, o breaking esteve ligado a competições. Abria-se uma roda no meio da plateia e pessoas (ou grupos) disputavam para ver quem era o melhor. Surgiram nessa época as crews, grupos de dança que poderiam ser formados por pessoas de um único bairro ou de toda a cidade.

 

A popularidade do breaking estava nas alturas. E a exposição na mídia fez o breaking chegar a outros países, como Japão, França e, claro, Brasil.

 

Os primeiros breakers de São Paulo, inspirados pelas músicas, filmes e videoclipes que chegavam dos EUA, dançavam de maneira dispersa em alguns pontos do centro da cidade. João Break e Luisinho, dois dançarinos que moravam no centro, passaram a organizar encontros na estação São Bento. O local foi a incubadora do movimento hip-hop em São Paulo.

 

Em 2014, o Comitê Olímpico Internacional (COI) assinou a Olympics Agenda 2020, um documento com diretrizes para modernizar os Jogos e torná-los atrativos para as novas gerações. O comitê determinou que cada sede poderia escolher até cinco novos esportes para compor o seu quadro de modalidades. O breaking estava no radar do COI por uma série de fatores: além da sua natureza competitiva, a dança tem apelo entre os mais jovens, é acessível e mescla habilidades técnicas com resistência física. Em 2018, o breaking estreou nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. Em 2020, a França oficializou que o breaking, bastante popular no país, faria parte dos Jogos de Paris.

Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/a-historia-dobreaking- das-ruas-do-bronx-as-olimpiadas>.

Leia o texto a seguir  para respoder à questão.

 

Após a leitura da reportagem apresentada, podese dizer que o breaking, nova modalidade olímpica:

  1. ATem forte influência francesa e japonesa, embora tenha tido origem nos Estados Unidos.
  2. BDeu origem ao gênero musical hip-hop, por meio da criação de crews.
  3. COriginou-se com os breaks, batidas musicais criadas por DJs.
  4. DFoi o movimento sucessor da era disco nas boates de Manhattan, em Nova York.
  5. EFoi criado por crews de diferentes regiões de Nova York, a partir de competições de dança e artes marciais já existentes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Originou-se com os breaks, batidas musicais criadas por DJs.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Origem do Breaking: dos Breaks de DJ Kool Herc às Olimpíadas

Gabarito: letra C. O breaking originou-se com os breaks, batidas musicais criadas por DJs — como se lê no 4º parágrafo, quando o texto descreve a técnica de DJ Kool Herc de tocar apenas os breaks de cada música e, logo em seguida, afirma que "Na pista, algumas pessoas aproveitavam os longos breaks criados por Kool Herc para exibir passos de dança". A alternativa C é a única que sintetiza com fidelidade essa relação de causa e efeito: os breaks (criados por DJs) deram origem à dança.

O Comando: Compreensão, não Inferência

O enunciado pede o que "pode-se dizer" do breaking após a leitura da reportagem. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve estar explícita no texto, não ser uma dedução pessoal. A banca quer que você localize a informação e a reconheça em uma paráfrase. Portanto, o método é: para cada alternativa, pergunte "onde o texto diz exatamente isso?" — se não houver passagem que sustente, a alternativa está errada, ainda que soa plausível.

O Texto: Onde Mora a Resposta

O texto narra a origem do hip-hop e do breaking no Bronx. O ponto-chave está no 4º parágrafo, que explica a técnica de DJ Kool Herc:

"Ele pegou discos de funk e soul e, em vez de tocá-los normalmente, colocou a agulha nos LPs em pontos estratégicos para tocar apenas os breaks ('pausas') de cada música."

E o 6º parágrafo estabelece a relação direta entre os breaks e a dança:

"Na pista, algumas pessoas aproveitavam os longos breaks criados por Kool Herc para exibir passos de dança."

A alternativa C é a paráfrase exata dessa relação: os breaks (criados por DJs) deram origem à dança. As demais alternativas ou invertem a relação de causa, ou extrapolam informações, ou contradizem o texto.

A Técnica: Paráfrase Fiel vs. Extrapolação

A questão testa sua capacidade de distinguir paráfrase fiel (reescritura com outras palavras, mas mesmo sentido) de extrapolação (acrescentar informação que o texto não traz). A alternativa correta é a que reescreve o que está dito, sem acrescentar nada. As incorretas, em geral, misturam informações verdadeiras com relações causais que o texto não estabelece, ou generalizam o que é específico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora oferecer alternativas que contêm fatos verdadeiros (ex.: o breaking chegou ao Japão e à França) mas que não respondem à pergunta — a origem. Fique atento ao comando: ele pede a origem, não a difusão.

PEGA ESSA DICA!

Grife no texto as palavras que indicam causa ("originou-se", "nasceu", "criado a partir de") e as que indicam consequência ("passou a ser chamada", "surgiram"). Isso ajuda a não inverter a relação.

  1. 1Localizar a origem no texto
  2. 2Comparar com cada alternativa
  3. 3Identificar paráfrase fiel
  4. 4Descartar extrapolações
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona que o breaking chegou ao Japão e à França ("A popularidade do breaking estava nas alturas. E a exposição na mídia fez o breaking chegar a outros países, como Japão, França e, claro, Brasil."), mas não afirma que o breaking tem "forte influência francesa e japonesa". A palavra "influência" sugere que esses países contribuíram para a formação do breaking, o que o texto não diz. A alternativa extrapola ao transformar a mera difusão em influência formativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que o hip-hop engloba o breaking ("o hip-hop, que engloba música (com os DJs e os rappers), arte visual (com o grafite) e dança, com o breaking"), ou seja, o hip-hop é o movimento maior, do qual o breaking faz parte. A alternativa B inverte essa relação ao dizer que o breaking "deu origem ao gênero musical hip-hop". Na verdade, o texto mostra que o hip-hop surgiu antes e o breaking nasceu junto com as primeiras festas de hip-hop ("o breaking nasceu junto com as primeiras festas de hip-hop"). Além disso, a criação de crews é posterior ("Surgiram nessa época as crews"), não é a causa do hip-hop.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto descreve a técnica de DJ Kool Herc de tocar apenas os breaks ("colocou a agulha nos LPs em pontos estratégicos para tocar apenas os breaks") e, em seguida, afirma que as pessoas aproveitavam esses breaks para dançar ("Na pista, algumas pessoas aproveitavam os longos breaks criados por Kool Herc para exibir passos de dança"). A alternativa C resume exatamente essa relação: o breaking originou-se com os breaks, que são batidas musicais criadas por DJs. Não há acréscimo nem omissão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto apresenta a era disco e o breaking como contextos diferentes: a disco era em Manhattan ("Em Manhattan, a parte central (e mais rica) da cidade, dezenas de boates varavam a madrugada tocando hits... Foi a era de ouro da música disco"), enquanto o breaking nasceu no Bronx, em meio à crise ("E foi bem ali, em meio aos escombros de um bairro em chamas, que nasceu... o hip-hop"). O texto não diz que o breaking foi "movimento sucessor" da disco; são fenômenos paralelos, não sequenciais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e contradição. O texto menciona que o breaking foi "criado a partir de uma amálgama de diversos estilos de dança (e até de algumas artes marciais)", mas não diz que foi criado por crews. Na verdade, as crews surgiram depois ("Surgiram nessa época as crews"), como consequência das competições, não como causa. Além disso, o texto não afirma que as crews eram "de diferentes regiões de Nova York" — diz apenas que poderiam ser formadas por pessoas de um único bairro ou de toda a cidade. A alternativa extrapola ao atribuir às crews um papel de criação que o texto não lhes dá.

Conclusão: A questão pede a origem do breaking. O texto é claro: os breaks criados por DJs (Kool Herc) deram origem à dança. A alternativa C é a única que reescreve essa informação sem acrescentar nada. As demais ou extrapolam (A, E), ou contradizem (B, D), ou invertem a relação de causa (B).

Gabarito: letra C

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