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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — Avança SP 2024

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa597229
Banca
Avança SP
Órgão
CM Louveira
Ano
2024
Cargo
Aux Adm ( )

A história do breaking, das ruas do Bronx às Olimpíadas

 

Nova York, início dos anos 1970. Em Manhattan, a parte central (e mais rica) da cidade, dezenas de boates varavam a madrugada tocando hits de bandas como Bee Gees, ABBA, Village People e Earth, Wind & Fire. Foi a era de ouro da música disco.

 

No Bronx, distrito ao norte de Nova York, a população vivia sob péssimas condições. Serviços públicos e políticas habitacionais eram raros. O ápice dessa crise foram os incêndios: somente em 1974, houve 12,3 mil. E foi bem ali, em meio aos escombros de um bairro em chamas, que nasceu um dos movimentos culturais mais importantes do século 20: o hip-hop, que engloba música (com os DJs e os rappers), arte visual (com o grafite) e dança, com o breaking.

 

Criado a partir de uma amálgama de diversos estilos de dança (e até de algumas artes marciais), o breaking nasceu junto com as primeiras festas de hip-hop. Hoje, meio século depois, os passos acrobáticos marcarão presença nas Olimpíadas de Paris.

 

No dia 11 de agosto de 1973, o americano Clive Campbell se apresentou na festa de aniversário de sua irmã, em um pequeno prédio do Bronx. Aos 18 anos, Clive, mais conhecido como DJ Kool Herc, quis testar algo diferente. Ele pegou discos de funk e soul e, em vez de tocá- los normalmente, colocou a agulha nos LPs em pontos estratégicos para tocar apenas os breaks (“pausas”) de cada música. Os breaks são os intervalos em que os vocais e alguns músicos param e só o baixo, a bateria e outros instrumentos que fazem a base (a chamada “cozinha”) permanecem. Para fazer isso, Herc usava duas cópias de um mesmo vinil: quando o break de uma música terminava, o DJ colocava a agulha no mesmo break da outra cópia do disco. A galera curtiu, e ele logo começou a fazer shows cada vez maiores. Pouco a pouco, as batidas ganharam letras.

 

Os MCs (sigla para “mestre de cerimônia”) animavam os shows com rimas cadenciadas, inspirados no ritmo de locutores de rádio, pastores, políticos e outros artistas da época. Nascia assim o rap, outro pilar do hip-hop.

 

Na pista, algumas pessoas aproveitavam os longos breaks criados por Kool Herc para exibir passos de dança. Os homens que dançavam ao som das batidas foram apelidados de b-boys (de bronx-boys, mas também de breakboys); as mulheres, de b-girls. E a dança logopassou a ser chamada de b-boying ou breaking.

 

Desde o início, o breaking esteve ligado a competições. Abria-se uma roda no meio da plateia e pessoas (ou grupos) disputavam para ver quem era o melhor. Surgiram nessa época as crews, grupos de dança que poderiam ser formados por pessoas de um único bairro ou de toda a cidade.

 

A popularidade do breaking estava nas alturas. E a exposição na mídia fez o breaking chegar a outros países, como Japão, França e, claro, Brasil.

 

Os primeiros breakers de São Paulo, inspirados pelas músicas, filmes e videoclipes que chegavam dos EUA, dançavam de maneira dispersa em alguns pontos do centro da cidade. João Break e Luisinho, dois dançarinos que moravam no centro, passaram a organizar encontros na estação São Bento. O local foi a incubadora do movimento hip-hop em São Paulo.

 

Em 2014, o Comitê Olímpico Internacional (COI) assinou a Olympics Agenda 2020, um documento com diretrizes para modernizar os Jogos e torná-los atrativos para as novas gerações. O comitê determinou que cada sede poderia escolher até cinco novos esportes para compor o seu quadro de modalidades. O breaking estava no radar do COI por uma série de fatores: além da sua natureza competitiva, a dança tem apelo entre os mais jovens, é acessível e mescla habilidades técnicas com resistência física. Em 2018, o breaking estreou nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. Em 2020, a França oficializou que o breaking, bastante popular no país, faria parte dos Jogos de Paris.

Revista Superinteressante. Adaptado. Disponível em: <https://super.abril.com.br/cultura/a-historia-dobreaking- das-ruas-do-bronx-as-olimpiadas>.

Leia o texto a seguir  para respoder à questão.

 

No excerto

“[...] Os homens que dançavam ao som das batidas foram apelidados de b-boys (de bronx-boys, mas também de break-boys) [...]”, a locução “mas também” atua como recurso coesivo, que insere, no contexto dado, uma:

  1. Aoposição.
  2. Bcondição.
  3. Cadição.
  4. Dcomparação.
  5. Econcessão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — adição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Locução "mas também" e o Valor de Adição

Gabarito: letra C. A locução "mas também" atua como recurso coesivo que insere uma adição — ou seja, soma uma informação a outra — e não uma oposição, condição, comparação ou concessão. No trecho, o autor explica que os homens foram apelidados de "b-boys" e acrescenta duas possíveis origens para o nome: "de bronx-boys, mas também de break-boys". A segunda expressão não contrasta com a primeira; ela a complementa, somando uma nova possibilidade de etimologia.

"Os homens que dançavam ao som das batidas foram apelidados de b-boys (de bronx-boys, mas também de break-boys)"

A passagem mostra que "mas também" soma a segunda origem à primeira, funcionando como um conectivo aditivo, equivalente a "e também" ou "além de". A banca explora a ambiguidade do "mas", que normalmente é adversativo, mas que, na locução "mas também", perde o valor de oposição e assume o de soma.

O Comando da Questão

O enunciado pede que se identifique a relação semântica que a locução "mas também" estabelece no contexto. Isso é uma questão de semântica e coesão textual: não se trata de decorar a classificação isolada da conjunção "mas", mas de observar o efeito de sentido que a locução produz no trecho. A palavra-chave é "no contexto dado" — ou seja, a resposta depende do uso específico, não do valor geral da conjunção.

O Valor de "mas também" no Trecho

A conjunção "mas" é tradicionalmente adversativa (oposição), como em "estudei, mas não passei". No entanto, quando aparece na locução "mas também", ela se combina com o advérbio "também" e passa a indicar adição, somando um argumento a outro. É o que ocorre no trecho: o autor apresenta duas explicações para o apelido "b-boys" — uma ligada ao bairro (bronx-boys) e outra ligada à dança (break-boys). A segunda não se opõe à primeira; ela a acrescenta, ampliando a informação.

Essa é uma pegadinha clássica: a banca oferece "oposição" como distrator, pois o "mas" isolado tem esse valor. Mas, na locução "mas também", o sentido é de soma, e não de contraste. Para resolver, basta substituir mentalmente a locução por "e também" ou "além de": se a frase continuar fazendo sentido, o valor é aditivo.

Análise das Alternativas

1Valor no contexto
Adição (soma)
2"mas" isolado
Oposição (adversativo)
3Substituição mental
"e também"
"além de"
"mas também"
LEVELsoulevel.com.br
"mas também": Valor no contexto (Adição (soma)); "mas" isolado (Oposição (adversativo)); Substituição mental ("e também", "além de")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Oposição. O "mas" isolado pode indicar oposição, mas na locução "mas também" ele perde esse valor. No trecho, "bronx-boys" e "break-boys" não se opõem; são duas origens possíveis que se somam. A banca explora o valor isolado da conjunção para induzir ao erro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Condição. A locução não estabelece nenhuma relação de condição ("se... então"). Não há hipótese ou exigência no trecho; há apenas o acréscimo de uma informação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Adição. A locução "mas também" soma a segunda origem à primeira, funcionando como conectivo aditivo. A substituição por "e também" ou "além de" preserva o sentido: "de bronx-boys, e também de break-boys". O autor acrescenta uma nova possibilidade, sem estabelecer contraste.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Comparação. Não há comparação entre os termos. A locução não estabelece uma relação de semelhança ou diferença; ela apenas soma informações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Concessão. A concessão ("embora", "ainda que") indica uma ressalva, uma quebra de expectativa. No trecho, não há ressalva; há acréscimo. A segunda origem não contraria a primeira; ela a complementa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o valor adversativo isolado do "mas" para atrair o candidato à alternativa A. Mas, na locução "mas também", o sentido é de adição — o "mas" perde a oposição e se soma ao "também".

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "mas também", substitua mentalmente por "e também" ou "além de". Se o sentido for preservado, o valor é aditivo, não adversativo.

Conclusão: a locução "mas também" é um conectivo aditivo, pois soma a segunda origem à primeira. A alternativa C é a única que nomeia corretamente essa relação.

Gabarito: letra C.

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