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Questão de Português — Vocábulo "Que" — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa597557
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
AF AS ( )

A busca contínua pela “conquista” do espaço: algumas perspectivas reflexivas

 

Delton Mendes Francelino

 

Quem nunca observou o céu noturno, as estrelas, constelações, a Lua, planetas e outros astros, e ficou se perguntando sobre diversos aspectos, como a origem de tudo, possível existência de outras formas de vida fora da Terra, ou, ainda, se houve alguma inteligência que criou o cosmo? Essas inquietações estão presentes na humanidade há muito tempo, há milhares de anos, mas somente nas últimas décadas é que nossas tecnologias nos permitiram ir para além da Terra, a partir de dispositivos como sondas e naves espaciais, satélites, telescópios e radiotelescópios que, com o tempo, foram evoluindo cada vez mais e nos lançando a descobertas impressionantes.

 

Atualmente, muita discussão tem ocorrido acerca da participação mais evidente de empresas, como a Space X, nas conquistas espaciais. Órgãos estatais, como a NASA (EUA), estão ficando dependentes de parcerias diretas com esse setor, sobretudo no oferecimento de tecnologias. Ter curiosidade sobre tudo é inerente à humanidade, assim como buscar respostas, como a Ciência faz, mas será que há um limite ético para onde essa curiosidade pode nos conduzir?

 

Somente no Sistema Solar várias pesquisas têm sido feitas, seja em planetas rochosos, como Marte e Vênus, seja em planetas gasosos, como Júpiter e Saturno, mas também em luas e sobre o próprio Sol. Terraformar, ou seja, simular as condições para vida terrestre em outros locais além de nosso planeta também tem sido foco de estudos. Nos recentes anos, importantes processos ocorreram: a Space X, pela primeira vez na história, conseguiu lançar uma sonda espacial sem perder seu foguete, conseguindo pousá-lo para depois o reutilizar; além disso, tem inovado muito em várias outras áreas, como o lançamento dos satélites Starlink, que trarão novidades nos próximos anos. Além disso, três missões não tripuladas foram enviadas para Marte apenas em 2020, como o lançamento do Rover Perseverance, da Nasa, com o objetivo de entender se houve vida mais basal em Marte, em alguma era de sua história (ou se ainda há vida microbiológica).

 

A tendência é que cada vez mais projetos ocorram com objetivos similares. Também já identificamos cerca de 5.000 exoplanetas, ou seja, planetas que estão em torno de outras estrelas de nossa galáxia, alguns dos quais com a aparente condição de abrigar a vida (e ter água, por exemplo). Será que somos os únicos seres vivos presentes em nosso sistema, ou nossa galáxia, ou em nosso universo? Difícil saber. Todavia, é bem possível que nas próximas décadas muitas descobertas sejam feitas e nos lancem a uma ética diferente de compreensão de quem somos no cosmo. Esse é um ponto extremamente positivo da ciência: a capacidade de permitir a crítica, mudar modelos e, assim, renovar sempre.

 

Adaptado de: https://barbacenaonline.com.br/a-busca-continua-pela-conquista-do-espaco-algumas-perspectivas-reflexivas-2/. Acesso em: 29 de mar. 2024.

“[...] somente nas últimas décadas é que nossas tecnologias nos permitiram ir para além da Terra, a partir de dispositivos como sondas e naves espaciais, satélites, telescópios e radiotelescópios [...].”

 

Em relação ao emprego da palavra “que” destacada no trecho apresentado, é correto afirmar que se trata de um(a)

  1. Apronome que substitui uma palavra apresentada anteriormente na sentença, podendo ser substituído adequadamente por “quais”.
  2. Bpalavra que integra a expressão de realce “é que”, a qual não possui nenhuma função sintática específica, servindo somente para realçar uma parte do sentido da sentença.
  3. Cpronome que introduz uma oração de valor adjetivo, a qual qualifica um termo empregado anteriormente, ou seja, “décadas”.
  4. Dconjunção que introduz uma oração de valor adverbial, ou seja, que exprime uma circunstância da ação expressa pelo verbo correspondente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — palavra que integra a expressão de realce “é que”, a qual não possui nenhuma função sintática específica, servindo somente para realçar uma parte do sentido da sentença.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções do "que": partícula expletiva de realce

Gabarito: letra B. No trecho "somente nas últimas décadas é que nossas tecnologias nos permitiram ir para além da Terra", o "que" integra a expressão de realce "é que", sem função sintática específica, servindo apenas para enfatizar o adjunto adverbial "somente nas últimas décadas". A prova está na possibilidade de suprimir a expressão sem prejuízo gramatical ou de sentido: "somente nas últimas décadas nossas tecnologias nos permitiram ir para além da Terra".

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique a classificação morfossintática do "que" destacado. Isso exige analisar a função que a palavra exerce no contexto — se retoma um termo (pronome relativo), se introduz uma oração substantiva (conjunção integrante) ou se é mero reforço enfático (partícula expletiva). A banca testa justamente a capacidade de distinguir essas três funções, que são as mais cobradas em provas.

O texto e o trecho em análise

O trecho pertence ao primeiro parágrafo do texto, que discute a evolução tecnológica que permitiu a exploração espacial. A frase completa é:

"somente nas últimas décadas é que nossas tecnologias nos permitiram ir para além da Terra"

A expressão "é que" está inserida entre o adjunto adverbial "somente nas últimas décadas" e o restante da oração. Essa construção é típica da partícula expletiva de realce: ela não exerce função sintática, não retoma nada, não liga orações — apenas dá ênfase ao termo que a precede.

A técnica que decide

O teste decisivo para identificar a partícula expletiva é retirar a expressão e verificar se a frase continua gramatical e semanticamente íntegra. Veja:

  • Com "é que": "somente nas últimas décadas é que nossas tecnologias nos permitiram..."

  • Sem "é que": "somente nas últimas décadas nossas tecnologias nos permitiram..."

A frase permanece correta e com o mesmo sentido. Isso comprova que o "que" não é pronome relativo (que não pode ser retirado sem quebrar a estrutura) nem conjunção integrante (que introduz uma oração obrigatória).

PEGA ESSA DICA!

Sempre que aparecer "é que" (ou "foi que", "são que"), teste a supressão. Se a frase continuar íntegra, é partícula expletiva de realce.

Análise das alternativas

"Que" no trecho
  • 1Partícula expletiva de realce
    • Integra "é que"
    • Sem função sintática
    • Supressão preserva o sentido
  • 2Outras funções (não se aplicam)
    • Pronome relativo (retoma antecedente)
    • Conjunção integrante (oração substantiva)
    • Conjunção adverbial (circunstância)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o "que" é pronome relativo substituível por "quais". Isso é falso: o pronome relativo retoma um antecedente e introduz oração adjetiva. No trecho, não há antecedente — o "que" não se refere a "décadas" nem a qualquer outro termo. Além disso, a substituição por "quais" não é possível: "somente nas últimas décadas é quais nossas tecnologias..." não faz sentido. Erro: troca de conceito — confunde partícula expletiva com pronome relativo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve exatamente a função do "que": integra a expressão de realce "é que", sem função sintática, apenas para realçar o adjunto adverbial. A retirada da expressão não altera o sentido, como demonstrado. Correta — é a única que identifica a partícula expletiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o "que" é pronome relativo que introduz oração adjetiva qualificando "décadas". Isso exigiria que o "que" retomasse "décadas" e que houvesse uma oração adjetiva, o que não ocorre. A oração "nossas tecnologias nos permitiram..." não é adjetiva — é a oração principal. Erro: troca de conceito — atribui função de pronome relativo a uma partícula expletiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o "que" é conjunção que introduz oração adverbial. Não há valor adverbial (tempo, causa, condição etc.) na estrutura. A conjunção integrante introduziria oração substantiva (ex.: "disse que viria"), e a adverbial exigiria uma circunstância. Nenhuma das duas se aplica. Erro: troca de conceito — confunde partícula expletiva com conjunção subordinativa.

Conclusão

A questão exige reconhecer a partícula expletiva de realce, identificada pela possibilidade de supressão sem prejuízo. As demais alternativas oferecem classificações plausíveis, mas que não se sustentam no trecho. Gabarito: letra B.

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