Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa597580
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
Ag GE ( )

Crônica da saúde: a eterna busca pela felicidade

 

Janary Damacena

 

Permaneci sentada, embora surpresa, ao observá-los trocando olhares, antes que a pergunta soasse dos lábios. “Preciso buscar a minha felicidade e ela não está aqui. Onde você vai procurar a sua?”. A dúvida entre eles voou ecoando por entre os recônditos da minha mente, que tentou absorver a importância de cada uma daquelas palavras.

 

Em meu inconsciente ainda pude ouvir outra pergunta: “Você tem ideia de quantos planos já desistiu nessa vida?”, e essa questão teve o efeito de uma explosão na minha cabeça. Depois de ouvir aquilo, eu própria não pude mais ser a mesma. Antes de perceber, eu já estava em uma reflexão. Será que aquele casal à minha frente compreendia que a felicidade não é uma condição permanente, mas uma meta a ser conquistada diariamente?

 

E não importa se não conseguirmos todos os dias, está tudo bem! É possível recomeçar sempre outra vez. Certa vez o escritor argentino Jorge Luis Borges escreveu sobre os caminhos distintos que somos forçados a escolher. Depois de decidido o trajeto, o curso inteiro de uma vida se abre com possibilidades infinitas, como se estivéssemos frente a um “jardim de caminhos que se bifurcam”. É preciso definir por onde guiar nossos passos, sempre em busca da felicidade.

 

Apesar de se tratar de uma ficção, a história de Borges possui um traço de realidade muito honesto: fala sobre a incerteza que temos cotidianamente, nas situações ao nosso redor. Ninguém está alheio às interferências e dificuldades que podem surgir em nossas vidas, e eu não seria uma pessoa diferente nesse ponto. Em certos momentos, tenho a sensação de percorrer um labirinto invisível com imagens do passado, mas que também revelam possibilidades de um futuro diferente a cada escolha. Mostram universos paralelos, realidades alternativas com os desdobramentos dessas escolhas, mas que nessa vida nunca aconteceram e nem acontecerão.

 

A cada escolha tomada podemos estar diante do fim abrupto daquilo que estávamos vivendo antes. A cada escolha é como se estivéssemos com a mão sobre a maçaneta, prestes a abrir uma porta para um novo começo, uma nova vida. Por isso é importante olhar sempre para frente; virar a cabeça e contemplar o passado trará muitas lembranças, e, por mais que elas sejam o combustível que alimenta essa caminhada, não é delas que devemos viver. O futuro está sempre ali, logo à frente, como olhar para o céu e ver o brilho das estrelas – embora num primeiro momento não se saiba por onde começar, a vida está aí, pronta, mas ela não espera.

 

[...]

 

Adaptado de: https://brasil61.com/noticia/cronica-da-saude-a-eterna-busca-pela-felicidade-pdms180651. Acesso em: 29 de mar. 2024.

Por isso é importante olhar sempre para frente; virar a cabeça e contemplar o passado trará muitas lembranças, e, por mais que elas sejam o combustível que alimenta essa caminhada, não é delas que devemos viver. O futuro está sempre ali, logo à frente, como olhar para o céu e ver o brilho das estrelas – embora num primeiro momento não se saiba por onde começar, a vida está aí, pronta, mas ela não espera.”

 

Em relação aos termos destacados nesse excerto, assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA.

  1. A“Por isso” é uma expressão de natureza adverbial, com o sentido de causa.
  2. B“trará” é uma forma verbal empregada no tempo futuro do presente do modo indicativo, e apresenta “virar a cabeça e contemplar o passado” como o seu correspondente sujeito.
  3. C“se” funciona como objeto direto da forma verbal “saiba”, completando o sentido expresso por esta.
  4. D“por mais que” é uma expressão de natureza conjuntiva, introduzindo uma oração de valor adverbial com o sentido de concessão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “se” funciona como objeto direto da forma verbal “saiba”, completando o sentido expresso por esta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise morfossintática dos termos do excerto

Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que afirma que o “se” em “não se saiba” funciona como objeto direto do verbo “saiba”. Na verdade, nesse trecho, o “se” é partícula apassivadora (ou pronome apassivador), pois o verbo “saber”, transitivo direto, está na voz passiva sintética, e o sujeito paciente é a oração “por onde começar”. Como se lê no excerto: “embora num primeiro momento não se saiba por onde começar” — o “se” não completa o verbo como objeto; ele apenas marca a voz passiva.

O comando da questão

O enunciado pede que você assinale a alternativa INCORRETA sobre os termos destacados. Isso muda tudo: as alternativas A, B e D podem estar corretas (e estão), e a errada é a única que não se sustenta. A banca mistura morfologia (classe e valor de palavras) com sintaxe (função dos termos na oração). Você precisa, para cada termo, perguntar: qual é a classe? qual é o valor semântico? qual é a função sintática? — e conferir tudo no texto.

O texto e o trecho analisado

O trecho é uma reflexão sobre a busca da felicidade e a importância de olhar para o futuro. A frase-chave é: “O futuro está sempre ali, logo à frente, como olhar para o céu e ver o brilho das estrelas – embora num primeiro momento não se saiba por onde começar, a vida está aí, pronta, mas ela não espera.”

Aqui, a oração “embora num primeiro momento não se saiba por onde começar” é uma subordinada adverbial concessiva, introduzida por “embora”. Dentro dela, o verbo “saber” está na voz passiva sintética: o “se” é partícula apassivadora, e o sujeito paciente é a oração subordinada substantiva “por onde começar”.

A técnica que decide

Para identificar a função do “se”, use o teste clássico: se o verbo é transitivo direto e o “se” pode ser retirado com a frase virando voz passiva analítica, então é partícula apassivadora. Veja:

  • “não se saiba por onde começar” → “não seja sabido por onde começar” (voz passiva analítica).

O “se” não é objeto direto porque o verbo “saber” já tem seu complemento: a oração “por onde começar” (que funciona como sujeito paciente). Se o “se” fosse objeto direto, a frase seria ativa e teria um sujeito agente explícito — o que não ocorre.

1Função real
Partícula apassivadora
Voz passiva sintética
2Teste de confirmação
Converter para passiva analítica
"não seja sabido por onde começar"
3O que NÃO é
Objeto direto
Índice de indeterminação do sujeito
"se" em "não se saiba"
LEVELsoulevel.com.br
"se" em "não se saiba": Função real (Partícula apassivadora, Voz passiva sintética); Teste de confirmação (Converter para passiva analítica, "não seja sabido por onde começar"); O que NÃO é (Objeto direto, Índice de indeterminação do sujeito)

Alternativa A — ✅ Correta

“Por isso” é uma locução adverbial com valor de causa? Cuidado: na verdade, “por isso” é uma locução conclusiva (equivale a “portanto”, “logo”), e não causal. Mas a alternativa diz “com o sentido de causa” — e isso está errado? Vamos ao texto: “Por isso é importante olhar sempre para frente”. O “por isso” retoma toda a ideia anterior (a de que cada escolha abre um novo começo) e introduz uma conclusão: é importante olhar para frente por causa disso. Ou seja, o valor é de conclusão/consequência, não de causa. A alternativa A afirma que é “expressão de natureza adverbial, com o sentido de causa” — isso está incorreto? Não: a banca considerou A correta, e de fato “por isso” é uma locução adverbial (de valor conclusivo), e o sentido de causa está implícito na relação de conclusão (a causa é o que foi dito antes). A alternativa não diz que é exclusivamente causal; diz “com o sentido de causa”, o que é aceitável porque a conclusão se apoia numa causa. Portanto, A está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

“trará” é futuro do presente do indicativo (3ª pessoa do singular), e o sujeito é a oração “virar a cabeça e contemplar o passado”. No trecho: “virar a cabeça e contemplar o passado trará muitas lembranças”. O sujeito é composto por duas orações reduzidas de infinitivo, que equivalem a um sujeito oracional. A concordância no singular (“trará”) é aceita quando o sujeito é uma oração. Portanto, B está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que “se” funciona como objeto direto de “saiba”. Isso é falso. No trecho “não se saiba por onde começar”, o “se” é partícula apassivadora: o verbo “saber” é transitivo direto, e a oração “por onde começar” é o sujeito paciente. A prova: podemos converter para a voz passiva analítica — “não seja sabido por onde começar”. O “se” não completa o verbo; ele apenas marca a passividade. Portanto, C é a incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta

“por mais que” é uma locução conjuntiva concessiva, equivalente a “embora”, “ainda que”. No trecho: “por mais que elas sejam o combustível que alimenta essa caminhada, não é delas que devemos viver”. A oração introduzida expressa uma concessão: mesmo que as lembranças sejam o combustível, não devemos viver delas. Portanto, D está correta.

Conclusão

A única alternativa que não se sustenta é a C, pois o “se” em “não se saiba” é partícula apassivadora, e não objeto direto. As demais estão corretas. Gabarito: letra C.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o “se” apassivador, tente converter a frase para a voz passiva analítica (ser + particípio). Se a conversão for possível, o “se” é apassivador; se não, pode ser índice de indeterminação do sujeito ou outra função.

Link permanente: /questoes/qa597580