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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa597718
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MGI
Ano
2024
Cargo
Esp ( )

ÁGUA FILTRADA É REALMENTE MAIS

SAUDÁVEL DO QUE ÁGUA DA TORNEIRA?

 

Filtros removem substâncias contaminantes da água,

mas, sem manutenção adequada, podem fazer mal

 

Sandy Ong

 

Sempre que pode, Shima Chin-See evita beber água direto da torneira.

 

A geladeira da sua casa em Northwich, no Reino Unido, onde ela mora com sua jovem família, tem um dispensador de água na porta, ligado a um filtro. E, quando ela sai de casa, sempre leva uma garrafa autolimpante de sua confiança, que esteriliza a água através de um chip ultravioleta embutido na tampa. “O gosto da água filtrada, simplesmente, é melhor”, afirma Chin-See. “Eu consigo sentir o cheiro e o gosto das substâncias químicas na água da torneira”.

 

Algumas pessoas acham estranho ouvir isso e uma delas era o seu marido. Certa vez, ele fez com ela uma prova cega de sabor da água. O resultado: ela realmente conseguiu identificar a água da torneira filtrada e não filtrada.

 

Na verdade, Chin-See está longe de ser a única. A organização sem fins lucrativos Grupo de Trabalho Ambiental entrevistou 2,8 mil pessoas espalhadas pelos Estados Unidos: a metade delas respondeu que a água da torneira não é segura para beber e cerca de 35% delas filtram sua água para consumo.

 

Da mesma forma, uma pesquisa de 2023 com mais de 500 pessoas no Reino Unido, realizada pela companhia sueca de filtros Tappwater, concluiu que 42% “não confiam ou não gostam do sabor da água da torneira”. Um quarto dos participantes acredita que a água que sai da sua torneira não é limpa. Suas principais preocupações são os contaminantes, substâncias químicas e bactérias. Por isso, mais da metade dos moradores de Londres, 54%, afirmam que usam filtro de água. [...]

 

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/04/agua-filtrada-e-realmente-

mais-saudavel-do-que-agua-da-torneira.shtml. Acesso em: 10 de maio 2024.

Assinale a alternativa que analisa corretamente o subtítulo do texto.
  1. AA relação sintático-semântica estabelecida entre as orações é de concessão.
  2. BA locução verbal “podem fazer” não poderia ser substituída pela forma “fazem” sem que isso modificasse o sentido do excerto.
  3. CO termo “mal” é grafado com “l” porque se trata de um adjetivo antônimo de “bom”.
  4. DA vírgula que antecede a palavra “mas” é facultativa.
  5. EO verbo “podem” está no plural porque estabelece concordância com o termo “substâncias”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A locução verbal “podem fazer” não poderia ser substituída pela forma “fazem” sem que isso modificasse o sentido do excerto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do subtítulo: o valor semântico de "podem fazer"

Gabarito: letra B. A locução verbal "podem fazer" não pode ser substituída por "fazem" sem alterar o sentido, porque "podem" expressa possibilidade (os filtros podem causar mal, mas não necessariamente causam), enquanto "fazem" expressaria certeza/fato (os filtros causam mal). Essa distinção está ancorada no próprio subtítulo: "Filtros removem substâncias contaminantes da água, mas, sem manutenção adequada, podem fazer mal".

O comando pede que você analise corretamente o subtítulo — ou seja, cada alternativa deve ser testada contra o que está escrito e contra a gramática que rege o trecho. Não é uma questão de interpretação global do texto, mas de gramática aplicada ao contexto: você precisa avaliar relações sintático-semânticas, valor de verbos, ortografia e pontuação dentro do excerto.

O subtítulo é: "Filtros removem substâncias contaminantes da água, mas, sem manutenção adequada, podem fazer mal". Estruturalmente, temos duas orações coordenadas: a primeira afirma um benefício (remover contaminantes); a segunda, introduzida por "mas", apresenta uma ressalva (podem fazer mal). O conectivo "mas" é adversativo — estabelece oposição/contraste entre as ideias. O verbo "podem" é o auxiliar da locução "podem fazer", e seu valor semântico é de possibilidade, não de certeza.

A técnica central aqui é perceber o valor semântico do verbo "poder". Em "podem fazer mal", o autor não afirma que os filtros fazem mal; ele afirma que eles podem fazer mal — ou seja, há uma hipótese, uma eventualidade. Se trocássemos por "fazem", a frase passaria a afirmar categoricamente que os filtros causam mal, o que mudaria completamente o sentido. Essa é a pegadinha clássica da banca: trocar um verbo modal por um verbo pleno, alterando o valor de possibilidade para certeza.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre possibilidade (poder + infinitivo) e certeza (verbo no presente do indicativo). A troca de "podem fazer" por "fazem" não é apenas uma questão de tempo verbal — é uma mudança de modalidade: de eventualidade para fato.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar locuções verbais com "poder", "dever", "precisar", pergunte-se: o autor está afirmando um fato ou uma possibilidade? Se for possibilidade, a substituição por um verbo pleno no presente altera o sentido.

1Valor semântico
Possibilidade (eventualidade)
Não é certeza/fato
2Substituição por "fazem"
Altera o sentido
Afirmaria certeza
3Verbo "poder"
Verbo modal
Expressa hipótese
"Podem fazer" (locução verbal)
LEVELsoulevel.com.br
"Podem fazer" (locução verbal): Valor semântico (Possibilidade (eventualidade), Não é certeza/fato); Substituição por "fazem" (Altera o sentido, Afirmaria certeza); Verbo "poder" (Verbo modal, Expressa hipótese)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A relação entre as orações não é de concessão. A concessão é estabelecida por conectivos como "embora", "ainda que", "mesmo que" — e expressa uma ressalva que não impede a ação principal. No subtítulo, o conectivo é "mas", que estabelece oposição/contraste (relação adversativa), não concessão. A frase "Filtros removem substâncias contaminantes, mas podem fazer mal" apresenta duas ideias que se contrastam: o benefício (remover) versus o risco (fazer mal). A concessão seria algo como "Embora removam substâncias, podem fazer mal" — aí sim teríamos concessão. A alternativa confunde oposição com concessão.

Alternativa B — ✅ Correta

A locução verbal "podem fazer" não pode ser substituída por "fazem" sem alterar o sentido. O verbo "poder" é um verbo modal que expressa possibilidade — o autor não afirma que os filtros fazem mal, mas que podem fazer mal, ou seja, há uma eventualidade. Se trocássemos por "fazem", a frase passaria a afirmar categoricamente que os filtros causam mal, o que mudaria o sentido de possibilidade para certeza. Essa é a análise correta do subtítulo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O termo "mal" em "podem fazer mal" não é um adjetivo antônimo de "bom" — é um advérbio de modo (ou, mais precisamente, um substantivo no contexto "fazer mal"). A grafia com "l" se deve ao fato de ser um advérbio (oposto de "bem"), enquanto o adjetivo antônimo de "bom" é "mau" (grafado com "u"). A alternativa confunde "mal" (advérbio) com "mau" (adjetivo). No trecho, "mal" funciona como núcleo do objeto direto da locução "fazer mal" — é um substantivo, não um adjetivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A vírgula que antecede "mas" não é facultativa — é obrigatória. A conjunção adversativa "mas" exige vírgula quando introduz uma oração coordenada sindética adversativa. A regra é: orações coordenadas sindéticas adversativas são separadas por vírgula obrigatoriamente. A alternativa afirma que a vírgula é facultativa, o que contraria a norma padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo "podem" está no plural não porque concorda com "substâncias", mas porque concorda com o sujeito "Filtros" (elíptico na segunda oração). O sujeito da locução "podem fazer" é "Filtros" (retomado por elipse), que está no plural. A alternativa erra o referente da concordância: o verbo concorda com o sujeito, não com o objeto. Se o sujeito fosse "substâncias", a frase seria "substâncias podem fazer mal" — mas o sentido seria outro (as substâncias fariam mal, não os filtros).

Conclusão: a única alternativa que analisa corretamente o subtítulo é a letra B, pois reconhece o valor de possibilidade do verbo "poder" e a impossibilidade de substituí-lo por "fazem" sem alterar o sentido. As demais cometem erros de confusão conceitual (A, C), regra gramatical (D) e concordância (E).

Gabarito: letra B

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