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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
qa597734
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
Esp S I ( )

Instruções para chorar

 

Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.

 

Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.

 

Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.

 

CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.

“Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela”.

 

Considerando que a palavra primitiva do termo destacado é “jeito”, é possível desmembrar suas partes e entender que ela se formou pelo processo de

  1. Aoneonímia, seguido de derivação sufixal.
  2. Bcomposição por justaposição, seguido de derivação parassintética.
  3. Cparassíntese, seguido de derivação prefixal.
  4. Dderivação prefixal, seguido de parassíntese.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — parassíntese, seguido de derivação prefixal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Formação da palavra "desajeitada": parassíntese e derivação prefixal

Gabarito: letra C. A palavra "desajeitada" forma-se por parassíntese (acréscimo simultâneo do prefixo des- e do sufixo -ada ao radical jeito), seguida de derivação prefixal (acréscimo do prefixo des- à forma ajeitada). O enunciado afirma que a palavra primitiva é "jeito", e o processo descrito é exatamente o que se vê em "desajeitada": primeiro, forma-se o verbo "ajeitar" por parassíntese (a- + jeito + -ar), depois, acrescenta-se o prefixo "des-" para formar "desajeitar", e o particípio "desajeitada" completa a cadeia. Como se lê no texto-base, a palavra aparece em "semelhança desajeitada e paralela", e a análise morfológica confirma o processo.

O comando e o que ele pede

A questão é de morfologia — especificamente de formação de palavras. O comando pede que se identifique o processo de formação do termo destacado ("desajeitada"), considerando que a palavra primitiva é "jeito". Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicar a regra de derivação ao vocábulo. A banca quer que o candidato desmembre a palavra em seus morfemas e reconheça a sequência de processos.

O texto e a palavra em foco

O texto de Cortázar é uma instrução irônica sobre como chorar. A palavra "desajeitada" aparece no primeiro parágrafo, descrevendo o choro que "não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela". Para a questão, o que importa é a estrutura interna da palavra, não o sentido no texto. A palavra "desajeitada" é formada a partir do radical "jeito", com acréscimo de prefixo e sufixo.

A técnica que decide: parassíntese × derivação prefixal e sufixal

A parassíntese (ou derivação parassintética) ocorre quando o prefixo e o sufixo são acrescentados simultaneamente ao radical, de modo que a retirada de um deles torna a palavra inexistente. Por exemplo, em "emagrecer" (e- + magro + -ecer), não existem "emagro" nem "magrecer" isoladamente. Já na derivação prefixal e sufixal (não simultânea), a retirada de um dos afixos ainda deixa uma palavra existente: em "deslealdade" (des- + leal + -dade), existem "lealdade" e "desleal".

No caso de "desajeitada", a análise é:

  1. Parassíntese: a- + jeito + -ar → "ajeitar" (não existem "ajeito" nem "jeitar" como palavras autônomas).

  2. Derivação prefixal: des- + ajeitar → "desajeitar" (o prefixo "des-" é acrescentado a uma palavra já existente).

  3. Derivação sufixal (para formar o particípio): desajeitar + -ada → "desajeitada".

O enunciado, porém, pergunta especificamente sobre o processo que forma a palavra a partir de "jeito", e a resposta é: parassíntese seguida de derivação prefixal. A banca considera que a formação de "desajeitada" envolve primeiro a parassíntese (a- + jeito + -ar) e depois a prefixação (des- + ajeitar).

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir parassíntese de derivação prefixal e sufixal, retire um dos afixos: se a palavra deixar de existir, é parassíntese; se continuar existindo, é derivação não simultânea.

  1. 1jeito (radical)
  2. 2ajeitar (parassíntese)
  3. 3desajeitar (prefixal)
  4. 4desajeitada (sufixal)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Oneonímia" não é um processo de formação de palavras reconhecido na língua portuguesa. O termo correto seria "onomatopeia" (reprodução de sons), mas mesmo assim não se aplica a "desajeitada", que é uma palavra derivada, não uma imitação sonora. Além disso, a derivação sufixal não é o primeiro processo na formação de "desajeitada" a partir de "jeito".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Composição por justaposição" ocorre quando duas palavras ou radicais se unem sem alteração fonética (ex.: girassol = gira + sol). "Desajeitada" não é uma composição, pois não há dois radicais; há um radical (jeito) e afixos. A derivação parassintética também não é o segundo processo, pois a parassíntese já ocorre no primeiro passo (ajeitar).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Parassíntese seguida de derivação prefixal. A palavra "desajeitada" é formada a partir de "jeito" por:

  1. Parassíntese: a- + jeito + -ar → "ajeitar" (prefixo e sufixo simultâneos).

  2. Derivação prefixal: des- + ajeitar → "desajeitar" (acréscimo do prefixo "des-" a uma palavra já existente).

O particípio "desajeitada" é a forma feminina do particípio de "desajeitar", mas o processo central é o descrito. A banca considera que a formação envolve esses dois passos, e é exatamente o que a alternativa C afirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: inversão da ordem. A derivação prefixal não ocorre antes da parassíntese. Primeiro, forma-se "ajeitar" por parassíntese; depois, acrescenta-se o prefixo "des-". A ordem correta é parassíntese → derivação prefixal, não o contrário.

Conclusão

A palavra "desajeitada" é um exemplo clássico de parassíntese seguida de derivação prefixal. A banca explora a confusão entre os processos de formação de palavras, especialmente a diferença entre parassíntese e derivação prefixal e sufixal. Lembre-se: na parassíntese, os afixos são inseparáveis; na derivação não simultânea, eles podem ser retirados sem destruir a palavra.

Gabarito: letra C.

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