Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2024
Português›Conjunção
Código
qa597737
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
Esp S I ( )
Instruções para chorar
Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.
“Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense [...]”. O vocábulo em destaque deve ser corretamente classificado como
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Classificação do vocábulo "se" — conjunção subordinativa adverbial condicional
Gabarito: letra B. No trecho "e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior", o vocábulo "se" é uma conjunção subordinativa adverbial condicional, pois introduz uma oração que expressa a condição para que a orientação anterior ("dirija a imaginação a você mesmo") seja substituída pela alternativa ("pense num pato coberto de formigas"). A prova está na possibilidade de substituir "se" por "caso" sem alteração de sentido: "e caso isto lhe for impossível...".
O comando da questão
O enunciado pede a classificação morfossintática de um vocábulo específico dentro de um trecho do texto. Isso é diferente de uma questão de interpretação: aqui, o foco é a função gramatical da palavra "se" no contexto em que aparece. Para resolver, é preciso:
Identificar a oração que o "se" introduz.
Verificar a relação semântica que essa oração estabelece com a oração principal.
Classificar a conjunção conforme o tipo de relação (condicional, causal, temporal, integrante etc.).
O texto e o trecho analisado
O texto de Cortázar é uma instrução (tipologia injuntiva) sobre a maneira correta de chorar. No trecho destacado, o autor dá uma orientação e, em seguida, apresenta uma alternativa condicionada:
"Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca."
A oração iniciada por "se" — "se isto lhe for impossível" — estabelece uma hipótese que, se confirmada, autoriza a segunda orientação (pensar no pato). Essa é a essência da condição: a realização do fato expresso na oração principal depende da realização do fato expresso na subordinada. O verbo "for" (futuro do subjuntivo) reforça o caráter hipotético, típico das condicionais.
A técnica que decide
O teste clássico para reconhecer uma conjunção condicional é a substituição por "caso" (ou "contanto que", "desde que"):
"e caso isto lhe for impossível..." — mantém o sentido.
Já a conjunção integrante (que também pode ser "se") introduz uma oração que exerce função sintática de sujeito, objeto direto etc., e pode ser substituída por "isso":
"Não sei se ele virá" → "Não sei isso" (integrante).
No trecho, "se isto lhe for impossível" não pode ser trocado por "isso": "e isto lhe for impossível" não faz sentido como objeto. Portanto, não é integrante.
Também não é coordenada: a oração iniciada por "se" é sintaticamente dependente da oração principal — não poderia ser usada isoladamente com sentido completo. Isso a classifica como subordinada adverbial condicional.
Análise das alternativas
"Se" no trecho
1Teste decisivo
Substitui por "caso" → condicional
Substitui por "isso" → integrante
2Classificação
Subordinativa adverbial condicional
Oração dependente
Expressa hipótese
Verbo no futuro do subjuntivo ("for")
3O que não é
Integrante (não vira "isso")
Coordenativa (não existe condicional coordenativa)
Conjunção subordinativa integrante. A integrante introduz oração substantiva (sujeito, objeto etc.) e pode ser substituída por "isso". No trecho, "se isto lhe for impossível" não equivale a "isso": não exerce função de termo da oração principal. A substituição por "caso" prova o valor condicional. A banca tenta confundir o candidato que decora que "se" pode ser integrante, sem verificar o contexto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conjunção subordinativa adverbial condicional. A oração "se isto lhe for impossível" expressa a condição para a orientação alternativa. A substituição por "caso" mantém o sentido: "e caso isto lhe for impossível...". O verbo no futuro do subjuntivo ("for") reforça a hipótese. É exatamente o que a gramática define como condicional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Conjunção coordenativa sindética condicional. Não existe conjunção coordenativa condicional: as coordenativas ligam orações independentes (aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas, explicativas). A oração iniciada por "se" é dependente da principal — não pode ser usada sozinha. Portanto, é subordinada, não coordenada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pronome relativo expletivo. O "se" não é pronome relativo (que retoma um antecedente) nem partícula expletiva (que pode ser retirada sem prejuízo). Se retirarmos o "se", a frase perde a relação de condição: "e isto lhe for impossível..." vira uma simples adição, não uma hipótese. Além disso, não há antecedente para um relativo.
Conclusão
A questão testa a classificação do "se" pelo contexto. O teste decisivo é a substituição por "caso" (condicional) versus "isso" (integrante). Como a oração expressa hipótese e é dependente, a resposta é a letra B.
PEGA ESSA DICA!
Sempre que vir "se" em uma questão, pergunte: posso trocar por "caso"? Se sim, é condicional. Posso trocar por "isso"? Se sim, é integrante. Esse teste resolve a maioria dos casos.