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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa597740
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
Esp S I ( )

Instruções para chorar

 

Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.

 

Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.

 

Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.

 

CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.

Em “Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela.”, há uma mensagem implícita, a de que
  1. Aum choro que penetre no escândalo e que insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela representa uma maneira incorreta de chorar.
  2. Bum choro que penetre no escândalo e que insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela representa uma maneira correta de chorar.
  3. Cum choro que não tenha motivos representa uma maneira incorreta de chorar.
  4. Dum choro que tenha motivos representa uma maneira correta de chorar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — um choro que penetre no escândalo e que insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela representa uma maneira incorreta de chorar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A mensagem implícita sobre a maneira correta de chorar

Gabarito: letra A. A questão pede a mensagem implícita (inferência) do trecho, e a única alternativa que o texto autoriza é a que afirma que um choro que "penetre no escândalo" e "insulte o sorriso" representa uma maneira incorreta de chorar. Essa conclusão é extraída da definição de choro correto dada pelo autor: "entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso". Se o choro correto é o que não faz essas coisas, o que as faz é, por oposição, incorreto.

O comando é claro: "há uma mensagem implícita". Isso significa que a resposta não está literal no texto, mas é uma dedução ancorada em pistas — exatamente o que diferencia interpretação (inferência) de compreensão (recorrência). O texto não diz explicitamente "o choro que penetra no escândalo é incorreto"; ele define o choro correto pela negação dessas características. Cabe ao leitor inferir a contraparte negativa.

O trecho-base é a âncora de tudo:

"atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela."

A estrutura é uma definição por exclusão: o autor delimita o que é o choro correto dizendo o que ele não é. A inferência legítima é a oposição lógica: se "correto" = "não A e não B", então "A ou B" = "incorreto". É uma dedução que o texto obriga a fazer — não é extrapolação, porque a pista (a negação) está explícita.

A técnica que decide esta questão é o teste da oposição: quando o texto define algo por negação, a alternativa que inverte o sinal (do "não" para o "sim") e conclui o contrário é a inferência correta. As demais alternativas ou invertem o sentido (B), ou extrapolam ao introduzir a ideia de "motivos" que o trecho explicitamente deixou de lado (C e D).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o que está explícito (a definição do choro correto) e o que está implícito (a definição do choro incorreto). A alternativa B inverte o sinal da negação; C e D fogem ao trecho ao trazerem os "motivos" que o autor mandou deixar de lado.

Definição por exclusão
  • 1Choro correto
    • não penetra no escândalo
    • não insulta o sorriso
  • 2Inferência (oposição lógica)
    • Choro incorreto
      • penetra no escândalo
      • insulta o sorriso
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia a inferência correta: se o choro correto é o que não penetra no escândalo e não insulta o sorriso, então o que penetra e insulta é, por oposição, incorreto. A pista está na dupla negação do trecho: "um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso". A inferência é obrigatória — o texto não deixa outra conclusão possível. É a única alternativa que respeita o princípio de que a resposta mora no texto, sem acrescentar nada de fora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa inverte o sinal da negação. O texto define o choro correto como aquele que não penetra no escândalo e não insulta o sorriso. Dizer que um choro que penetra e insulta é "correto" é o oposto exato do que o trecho autoriza. A banca troca o "não" pelo "sim" e apresenta o contrário como se fosse a inferência — é a clássica armadilha da inversão de sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fuga ao trecho). A alternativa introduz a ideia de "não ter motivos" como característica do choro incorreto. Mas o texto explicitamente manda deixar os motivos de lado: "Deixando de lado os motivos". O autor não diz que choro sem motivo é incorreto — ele simplesmente não trata dos motivos. Atribuir a ele essa opinião é acrescentar informação que não está no texto, ainda que soe plausível. É extrapolação com aparência de lógica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fuga ao trecho). Mesmo problema da C, no sentido oposto. O texto não diz que choro com motivo é correto — os motivos foram deixados de lado no primeiro período. A alternativa inventa uma relação de causalidade (ter motivo = correto) que o autor não estabeleceu. É uma opinião embutida: o candidato pode achar razoável, mas o texto não a sustenta.

Conclusão: a questão ensina o método da inferência por oposição. Quando o texto define algo pela negação ("correto é o que não A"), a inferência legítima é a contraparte ("o que A é incorreto"). Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta conclusão, ou ela exige acrescentar algo de fora? A letra A é a única que o texto obriga a concluir.

Gabarito: letra A

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