Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — INSTITUTO AOCP 2024
Português›Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
qa597746
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
Esp S I ( )
Instruções para chorar
Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.
“Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo [...]”.
A oração em destaque desempenha no período a função sintática de
Acomplemento nominal.
Baposto.
Cadjunto adverbial de finalidade.
Dobjeto direto preposicionado.
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GabaritoC — adjunto adverbial de finalidade.
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Função sintática da oração "Para chorar"
Gabarito: letra C. A oração destacada "Para chorar" exerce função de adjunto adverbial de finalidade, pois expressa a circunstância de finalidade (o propósito, a intenção) da ação verbal "dirija". A banca cobra a distinção entre termos que se ligam a nomes (complemento nominal, aposto) e termos que se ligam ao verbo (adjunto adverbial, objeto), e a pista decisiva está na preposição "para" + verbo no infinitivo, que é a estrutura típica da oração subordinada adverbial final.
O comando da questão
O enunciado pergunta qual a função sintática da oração "Para chorar" no período. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de texto. O que importa é identificar a relação que a oração estabelece com o restante do período: ela se liga ao verbo "dirija" (termo de natureza verbal) ou a um nome? A resposta depende dessa relação.
O texto e o trecho analisado
O trecho é: "Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo". A oração "Para chorar" está deslocada para o início do período, separada por vírgula. O verbo principal é "dirija" (imperativo de "dirigir"). A pergunta que resolve a questão é: "Para quê?" — "dirija a imaginação a você mesmo" para quê? Resposta: para chorar. Essa pergunta revela a circunstância de finalidade, que é uma das circunstâncias típicas do adjunto adverbial.
A técnica que decide
A distinção central é entre termos que complementam nomes (complemento nominal, aposto) e termos que se ligam ao verbo (adjunto adverbial, objeto). Vejamos:
Complemento nominal: completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio, sempre com preposição. Ex.: "Ele tem necessidade de chorar" — "de chorar" completa o substantivo "necessidade".
Aposto: explica, especifica ou resume um termo anterior, geralmente separado por vírgulas, travessões ou parênteses. Ex.: "Chorar, ato de libertação, é saudável".
Adjunto adverbial: modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, indicando circunstância (tempo, modo, causa, finalidade, etc.). Ex.: "Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo".
Objeto direto preposicionado: complemento de verbo transitivo direto, mas com preposição (casos especiais). Ex.: "Amar a Deus".
No trecho, "Para chorar" não completa nenhum nome — ela se liga ao verbo "dirija" e indica a finalidade da ação. A preposição "para" + verbo no infinitivo é a estrutura clássica da oração subordinada adverbial final, que exerce a função de adjunto adverbial de finalidade.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a função de uma oração, pergunte: ela se liga a um nome (complemento nominal, aposto) ou a um verbo (adjunto adverbial, objeto)? Se a oração responde a "para quê?", "quando?", "como?", "onde?", é adjunto adverbial.
Análise das alternativas
Termos ligados a NOME
1Complemento nominal
Completa substantivo, adjetivo ou advérbio
Sempre com preposição
2Aposto
Explica, especifica ou resume
Entre vírgulas, travessões ou parênteses
3Termos ligados ao VERBO
Adjunto adverbial
Circunstância: tempo, modo, causa, finalidade
"Para chorar" → finalidade (para quê?)
Objeto direto preposicionado
Complemento de verbo transitivo direto
Casos especiais com preposição
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), sempre com preposição. No trecho, "Para chorar" não se liga a nenhum nome — liga-se ao verbo "dirija". Não há um substantivo, adjetivo ou advérbio que exija esse complemento. A alternativa confunde a preposição "para" com a exigência de um complemento nominal, mas a preposição aqui é nocional (indica finalidade), não é exigida por nenhum nome.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aposto é o termo que explica, especifica ou resume outro termo, geralmente entre vírgulas, travessões ou parênteses. "Para chorar" não explica nem especifica nenhum termo anterior — ela indica a finalidade da ação. Não há correspondência semântica entre "Para chorar" e "dirija a imaginação a você mesmo" (não são equivalentes). A alternativa extrapola a noção de aposto, que exige uma relação de explicação ou especificação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Adjunto adverbial de finalidade é o termo que modifica o verbo, indicando a circunstância de finalidade (o propósito, a intenção). No trecho, "Para chorar" responde à pergunta "dirija a imaginação a você mesmo para quê?" — para chorar. A preposição "para" + verbo no infinitivo é a estrutura típica da oração subordinada adverbial final, que exerce a função de adjunto adverbial de finalidade. O trecho poderia ser reescrito como "A fim de chorar, dirija a imaginação a você mesmo", mantendo o sentido — o que confirma a finalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Objeto direto preposicionado é o complemento de um verbo transitivo direto que, excepcionalmente, vem com preposição (ex.: "Amar a Deus", "Beber do vinho"). No trecho, "Para chorar" não é complemento do verbo "dirija" — o verbo "dirigir" (no sentido de orientar) é transitivo direto e indireto: "dirija a imaginação (objeto direto) a você mesmo (objeto indireto)". "Para chorar" não completa o verbo; indica a finalidade da ação. A alternativa contradiz a estrutura do período, pois "Para chorar" não é exigido pelo verbo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre termos que se ligam a nomes (complemento nominal, aposto) e termos que se ligam ao verbo (adjunto adverbial, objeto). A preposição "para" + infinitivo é a pista clássica de finalidade, mas muitos candidatos a confundem com complemento nominal por causa da preposição.
Conclusão: a oração "Para chorar" indica a finalidade da ação de "dirigir a imaginação", logo exerce a função de adjunto adverbial de finalidade. As demais alternativas falham porque tratam "Para chorar" como termo ligado a um nome (complemento nominal, aposto) ou como complemento verbal (objeto direto preposicionado), quando na verdade ela se liga ao verbo e expressa circunstância.