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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa597788
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Uberaba
Ano
2024
Cargo
Esp S I ( )

Instruções para cantar

 

Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro. Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo, com fogueiras entre as pedras, com silhuetas seminuas de cócoras, acho que estará bem encaminhado, e do mesmo modo se ouvir um rio por onde descem barcos pintados de amarelo e preto, se ouvir um gosto de pão, um tato de dedos, uma sombra de cavalo.

 

Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.

 

CORTÁZAR, Júlio. Instruções para chorar. In: Histórias de cronópios e de famas. São Paulo: Editora Best Seller, 2013.

Em “Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.”, o verbo em destaque representa

  1. Aum conselho ou ordem ao músico Schumann.
  2. Buma condição para cantar que todos devem seguir.
  3. Cuma súplica ou desejo feito pelo autor/narrador a um deus no qual crê.
  4. Dum conselho ou ordem ao leitor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — um conselho ou ordem ao leitor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O verbo "compre" no imperativo: conselho ou ordem ao leitor

Gabarito: letra D. O verbo "compre" está no modo imperativo, que expressa ordem, pedido, conselho ou exortação. No trecho, o autor/narrador se dirige diretamente ao leitor — a quem dá instruções de como cantar — e não a Schumann, a um deus ou a uma condição universal. A pista decisiva está no próprio texto: "Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz." — os três verbos no imperativo (compre, cante, deixe) são ordens/conselhos dirigidos a quem lê o texto, o interlocutor da instrução.

O comando da questão

A questão pede que se identifique o que o verbo em destaque representa — ou seja, qual o valor semântico do modo verbal no contexto. Isso é diferente de pedir para classificar o tempo ou a conjugação: aqui, o foco é o efeito de sentido que o imperativo produz na frase. O verbo "compre" está no imperativo afirmativo (2ª pessoa do singular, forma "compra" com a troca para "compre" na 3ª pessoa, uso comum em tratamento com "você"). O imperativo, como ensina a gramática, serve para:

  • dar ordem ("Faça já o dever de casa!");

  • dar conselho ("Estude mais, isso fará seu futuro melhor.");

  • fazer pedido ou súplica ("Por favor, venha comigo!");

  • fazer exortação ("COMPRE BATON, COMPRE BATON...").

A questão, portanto, testa se o candidato reconhece que o imperativo, no texto, tem valor de conselho ou ordem — e, principalmente, a quem essa ordem se dirige.

O texto e o movimento argumentativo

O texto "Instruções para cantar", de Júlio Cortázar, é um texto injuntivo (prescritivo): ele dá instruções de como fazer algo. O título já anuncia isso — "Instruções para cantar". O primeiro parágrafo traz uma série de comandos: "Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro." Todos esses verbos estão no imperativo e se dirigem a um interlocutor genérico — o leitor que quer aprender a cantar.

No trecho destacado, a mesma estrutura se repete: "Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz." O autor continua dando instruções ao leitor. A menção a Schumann é apenas uma referência cultural (o compositor alemão Robert Schumann), usada como exemplo do que não fazer — não é um destinatário da ordem.

A técnica que decide a questão

A pergunta central é: a quem o autor se dirige? A resposta está na estrutura do texto injuntivo: o imperativo, por definição, dirige-se ao interlocutor — a pessoa com quem se fala. No texto, esse interlocutor é o leitor, que recebe as instruções de como cantar. Não há nenhuma pista de que o autor esteja falando com Schumann (que é apenas citado como referência), com um deus (não há invocação religiosa) ou com um grupo específico (o texto é genérico, dirigido a qualquer um que queira seguir as instruções).

A alternativa D — "um conselho ou ordem ao leitor" — é a única que captura tanto o valor semântico do imperativo (conselho/ordem) quanto o destinatário (o leitor).

Análise das alternativas

1Valor semântico
Ordem
Conselho
Pedido
Exortação
2Destinatário
Interlocutor (leitor)
Não é Schumann (referência cultural)
Não é deus (sem invocação religiosa)
3Texto injuntivo
Instruções ao leitor
Verbos: compre, cante, deixe
Modo imperativo
LEVELsoulevel.com.br
Modo imperativo: Valor semântico (Ordem, Conselho, Pedido, Exortação); Destinatário (Interlocutor (leitor), Não é Schumann (referência cultural), Não é deus (sem invocação religiosa)); Texto injuntivo (Instruções ao leitor, Verbos: compre, cante, deixe)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"um conselho ou ordem ao músico Schumann."

Erro: troca de referente (contradiz o texto). O verbo "compre" não se dirige a Schumann. No texto, Schumann é apenas uma referência cultural: "deixe Schumann em paz" — ou seja, o autor pede ao leitor que não se preocupe com Schumann. Schumann é o objeto da ordem (deixar em paz), não o destinatário. A alternativa confunde o referente do imperativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"uma condição para cantar que todos devem seguir."

Erro: restringe o alcance (generalização indevida). O imperativo não expressa condição — expressa ordem, pedido ou conselho. Uma condição seria expressa por estruturas como "se você comprar cadernos de solfejo, poderá cantar". Além disso, o texto não diz que "todos" devem seguir — ele se dirige a um interlocutor genérico (o leitor), mas não impõe uma regra universal. A alternativa mistura o valor do imperativo com o de uma oração condicional.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"uma súplica ou desejo feito pelo autor/narrador a um deus no qual crê."

Erro: extrapolação (acrescenta informação ausente). Não há no texto nenhuma menção a deus, religião ou invocação divina. O texto é uma instrução prática sobre como cantar — não uma prece. A alternativa inventa um contexto religioso que não existe no texto. O imperativo "compre" tem valor de ordem/conselho, não de súplica a uma divindade.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"um conselho ou ordem ao leitor."

Correta. O verbo "compre" está no imperativo, que expressa ordem, pedido ou conselho. No contexto, o autor dá instruções de como cantar — e o destinatário dessas instruções é o leitor. A prova está no próprio texto: "Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz." — os três verbos no imperativo (compre, cante, deixe) são ordens/conselhos dirigidos a quem lê o texto, o interlocutor da instrução.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre o imperativo, pergunte sempre: quem é o interlocutor? O imperativo, por definição, dirige-se à pessoa com quem se fala. Se o texto é uma instrução, o destinatário é o leitor — não uma figura citada no texto (como Schumann) nem uma entidade externa (como um deus).

Conclusão

A questão testa o valor semântico do modo imperativo e a identificação do interlocutor. A alternativa D é a única que acerta os dois: o verbo "compre" expressa conselho ou ordem (valor do imperativo) e se dirige ao leitor (destinatário das instruções). As demais alternativas erram ao trocar o referente (A), confundir imperativo com condição (B) ou extrapolar um contexto religioso inexistente (C).

Gabarito: letra D.

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