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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa598581
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE PR
Ano
2024
Cargo
Adm ( )

Como a consciência pode ter evoluído para

beneficiar a sociedade, não os indivíduos

 

Peter W Halligan e David A Oakley

 

Por que a experiência da consciência evoluiu a partir da nossa fisiologia cerebral subjacente? Apesar de ser uma área empolgante da neurociência, as pesquisas atuais sobre a consciência são caracterizadas por divergências e controvérsias. Existe uma disputa entre uma série de teorias concorrentes. [...]

 

Perigos da intuição

 

As principais crenças intuitivas – por exemplo, que nossos processos mentais são distintos dos nossos corpos físicos (dualismo mente-corpo) e que os nossos processos mentais dão origem e controlam as nossas decisões e ações (causalidade mental) – são reforçadas por uma vida inteira de experiências subjetivas.

 

Estas crenças são encontradas em todas as culturas humanas. São importantes porque servem como crenças fundamentais para a maioria das democracias liberais e dos sistemas de justiça criminal. Elas são resistentes a contraprovas. Isto porque são fortemente validadas por conceitos sociais e culturais como o livre-arbítrio, os direitos humanos, a democracia, a justiça e a responsabilidade moral. Todos esses conceitos pressupõem que a consciência desempenha uma influência controladora central.

 

A intuição, no entanto, é um processo cognitivo automático que evoluiu para fornecer explicações e previsões rápidas e confiáveis. Na verdade, ela faz isso sem a necessidade de sabermos como ou por que sabemos disso. Os resultados da intuição moldam, portanto, a forma como percebemos e explicamos nosso mundo cotidiano, sem a necessidade de uma reflexão extensa ou de explicações analíticas formais.

 

Embora úteis e cruciais para muitas atividades cotidianas, as crenças intuitivas podem estar erradas. E também podem interferir na alfabetização científica.

 

[...]

 

O problema para os modelos científicos de consciência continua a ser acomodar estas explicações intuitivas dentro de uma estrutura materialista consistente com as descobertas da neurociência. Embora não haja uma explicação científica atual sobre como o tecido cerebral gera ou mantém a experiência subjetiva, o consenso entre (a maioria dos) neurocientistas é que ela é um produto de processos cerebrais.

 

Propósito social

 

Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?

 

A consciência provavelmente evoluiu como parte da evolução do sistema nervoso. De acordo com várias teorias, a principal função adaptativa (proporcionar ao organismo vantagens reprodutivas e de sobrevivência) da consciência é tornar possível o movimento volitivo. E a volição é algo que, em última análise, associamos à vontade, ao arbítrio e à individualidade. Portanto, é fácil pensar que a consciência evoluiu para nos beneficiar como indivíduos.

 

Mas argumentamos que a consciência pode ter evoluído para facilitar funções adaptativas sociais fundamentais. Em vez de ajudar os indivíduos a sobreviver, ela evoluiu para nos ajudar a transmitir as nossas ideias e sentimentos vivenciados para o resto do mundo. E isto pode beneficiar a sobrevivência e o bem-estar da espécie como um todo.

 

A ideia se encaixa no novo pensamento sobre genética. Embora a ciência evolucionista se concentre tradicionalmente nos genes individuais, há um reconhecimento cada vez maior de que a seleção natural entre os humanos opera em vários níveis. Por exemplo, a cultura e a sociedade influenciam características transmitidas entre gerações – valorizamos algumas mais do que outras.

 

No centro da nossa explicação, está a ideia de que a sociabilidade [...] é uma estratégia de sobrevivência fundamental que influencia a forma como o cérebro e a cognição evoluem.

 

Adotando esta estrutura social evolutiva, nós propomos que a percepção subjetiva carece de qualquer capacidade independente de influenciar causalmente outros processos ou ações psicológicas. [...] Afirmar que a percepção subjetiva não tem influência causal não significa negar a realidade da experiência subjetiva ou afirmar que a experiência é uma ilusão. [...]

 

Na verdade, é justamente devido ao valor que damos a estas experiências que os relatos intuitivos permanecem convincentes e difundidos nos sistemas de organização social e jurídica e na psicologia.

 

Apesar de ser contraintuitivo atribuir arbítrio e responsabilidade pessoal a um conjunto biológico de células nervosas, faz sentido que construções sociais altamente valorizadas, como o livre-arbítrio, a verdade, a honestidade e a justiça, possam ser atribuídas de forma significativa aos indivíduos como pessoas responsáveis numa comunidade social.

 

Pense nisso. Embora estejamos profundamente arraigados à nossa natureza biológica, a nossa natureza social é amplamente definida por nossos papéis e interações na sociedade. Dessa forma, a arquitetura mental da mente deve estar fortemente adaptada para a troca e recepção de informações, ideias e sentimentos. [...]

 

Para se chegar a uma explicação mais científica para a percepção subjetiva, é necessário aceitar que a biologia e a cultura trabalham coletivamente para moldar a forma como os cérebros evoluem. [...]

 

Adaptado de:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz9xwge33zko. Acesso

em: 05 ago. 2024.

Assinale a alternativa cujo verbo ou locução verbal destacado(a) esteja empregado(a) no mesmo modo verbal em que está o verbo sublinhado em:

 

“Embora não haja uma explicação científica atual sobre como o tecido cerebral gera ou mantém a experiência subjetiva, o consenso [...] é que ela é um produto de processos cerebrais”.

  1. A“E também podem interferir na alfabetização científica.”
  2. B“Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?”
  3. CPense nisso.”
  4. D“Dessa forma, a arquitetura mental da mente deve estar fortemente adaptada [...].”
  5. E“[...] a biologia e a cultura trabalham coletivamente [...].”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo verbal: subjuntivo, indicativo e imperativo

Gabarito: letra B. O verbo sublinhado no trecho é "haja", que está no modo subjuntivo (presente do subjuntivo). A alternativa B apresenta o verbo "for" (do verbo ser), também no presente do subjuntivo, empregado na oração condicional introduzida por "Se". As demais alternativas trazem verbos no modo indicativo (A, D, E) ou no modo imperativo (C).

O comando

A questão pede que você identifique o modo verbal do verbo destacado no trecho e, em seguida, assinale a alternativa cujo verbo ou locução verbal esteja no mesmo modo. Isso é uma questão de gramática metalinguística: você precisa reconhecer a flexão de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo) e comparar entre as opções. Não é interpretação de texto, mas o contexto ajuda a confirmar o modo (por exemplo, a conjunção "embora" exige subjuntivo).

O texto e o verbo sublinhado

No trecho:

"Embora não haja uma explicação científica atual sobre como o tecido cerebral gera ou mantém a experiência subjetiva, o consenso [...] é que ela é um produto de processos cerebrais"

O verbo "haja" é a forma do presente do subjuntivo do verbo haver. A conjunção "embora" é concessiva e, na norma culta, rege o modo subjuntivo. Portanto, o modo a ser buscado nas alternativas é o subjuntivo.

A técnica: reconhecer o modo pelo contexto

  • Indicativo: expressa certeza, fato. Ex.: "gerar", "manter", "é", "podem", "trabalham".

  • Subjuntivo: expressa dúvida, hipótese, condição, desejo. Aparece frequentemente após conjunções como "embora", "se", "quando" (com valor de futuro), "que" (em orações subordinadas substantivas). Ex.: "haja", "for", "venha".

  • Imperativo: expressa ordem, pedido, conselho. Ex.: "Pense".

A pegadinha da banca é oferecer verbos que aparecem em orações com "se" (condicional) e "embora" (concessiva), que exigem subjuntivo, mas também verbos no indicativo que podem parecer semelhantes. A chave é identificar a forma verbal e o contexto sintático.

Análise das alternativas

1Indicativo (certeza, fato)
"podem"
"deve estar"
"trabalham"
2Subjuntivo (dúvida, hipótese)
"haja" (embora)
"for" (se)
3Imperativo (ordem, pedido)
"Pense"
Modos verbais
LEVELsoulevel.com.br
Modos verbais: Indicativo (certeza, fato) ("podem", "deve estar", "trabalham"); Subjuntivo (dúvida, hipótese) ("haja" (embora), "for" (se)); Imperativo (ordem, pedido) ("Pense")

Alternativa A — ❌ Incorreta

"E também podem interferir na alfabetização científica."

O verbo "podem" está no presente do indicativo (3ª pessoa do plural). Indica uma possibilidade real, mas o modo é indicativo, não subjuntivo. Erro: modo diferente do pedido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Se for esse o caso, por que a consciência, definida como percepção subjetiva, evoluiu?"

O verbo "for" é a forma do futuro do subjuntivo do verbo ser. A oração condicional introduzida por "Se" exige o modo subjuntivo. Portanto, está no mesmo modo do verbo "haja" (subjuntivo). Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Pense nisso."

O verbo "Pense" está no imperativo afirmativo (2ª pessoa do singular). Expressa ordem, pedido ou conselho. Modo diferente do subjuntivo. Erro: modo diferente do pedido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Dessa forma, a arquitetura mental da mente deve estar fortemente adaptada [...]."

A locução verbal "deve estar" é formada pelo verbo auxiliar "deve" (presente do indicativo) + infinitivo "estar". O modo é indicativo, expressando certeza ou necessidade. Erro: modo diferente do pedido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"[...] a biologia e a cultura trabalham coletivamente [...]."

O verbo "trabalham" está no presente do indicativo (3ª pessoa do plural). Indica um fato. Erro: modo diferente do pedido.

Conclusão

A única alternativa que apresenta verbo no modo subjuntivo é a letra B. As demais estão no indicativo (A, D, E) ou no imperativo (C).

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o modo verbal, pergunte: a ação é certa (indicativo), duvidosa/hipotética (subjuntivo) ou uma ordem (imperativo)? Conjunções como "embora" e "se" são fortes indicadores de subjuntivo.

Gabarito: letra B

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