Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa598620
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE PR
Ano
2024
Cargo
Aux Adm ( )

Vício em tecnologia pode estar ligado a quadros

de depressão e ansiedade

 

[...]

 

Talvez você esteja lendo essa notícia através de seu celular. Ou talvez esteja passeando por essas primeiras linhas pensando nas possíveis notificações que deverá receber nos próximos minutos, preparando-se para alcançar o celular por perto.

 

Esse impulso, já tão característico de nossa sociedade contemporânea, é o que nos faz interagir nada menos do que 2.617 vezes ao dia, em média, com nossos smartphones. Isso quer dizer que gastamos cerca de 145 minutos (ou duas horas e 25 minutos) tocando, rolando ou pressionando a tela de nossos dispositivos eletrônicos. Para alguns, essa interação é tão forte que ficar longe do celular pode gerar a sensação de nomofobia (pavor de estar distante do aparelho).

 

A necessidade de estar sempre conectado, em alguns casos, é preocupante e pode ser considerada um vício, tal como o uso excessivo de substâncias psico-ativas. É isso que aponta novo estudo realizado na Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia (EUA).

 

“Gradualmente, o comportamento de vício em smartphone forma conexões neurológicas semelhantes às de viciados em opiáceos, como de pessoas que consomem Oxycotin para aliviar dores”, afirmou um dos pesquisadores.

 

Além dos dispositivos eletrônicos, outro vício que pode acarretar em pontos negativos é a dependência pelas mídias sociais.

 

Em uma análise com 135 estudantes da Universidade Estadual de São Francisco, os autores do mesmo estudo avaliaram que pessoas que usavam seus aparelhos com mais frequência se sentiam mais isoladas, sozinhas, deprimidas e ansiosas. De acordo com os cientistas, essas sensações são consequências que surgem quando as interações cara a cara são substituídas por uma comunicação sem linguagem corporal e outros sinais reais.

 

Esses mesmos participantes também mostraram funcionar como multitarefas enquanto estudam, comem, assistem às aulas e consomem algum tipo de mídia. Porém, esse constante número de atividades não permite que seus corpos e mentes tenham tempo para relaxar e se autorregenerar. Segundo os pesquisadores, devido à falta de descanso, todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade, já que a atenção desses estudantes é dividida, e não concentrada.

 

Para os autores do estudo, o vício pelo mundo digital não é culpa dos indivíduos, mas do desejo das corporações e empresas de tecnologia em aumentar seus lucros. Assim, elas investem em ampliar o número de notificações, vibrações e outros alertas em celulares e computadores e concentrar nossa atenção ali, acionando os mesmos caminhos cerebrais que antes funcionavam fazendo alertas de perigo iminente, como ataques de animais. “Porém, agora, somos dominados por esses mecanismos que antes nos protegiam e garantiam nossa sobrevivência para consumir informações triviais”, avaliou o pesquisador.

 

Mas há uma saída para tudo isso. Assim como podemos regular nossa alimentação, também podemos encontrar mecanismos para diminuir nosso vício em dispositivos eletrônicos.

 

Os pesquisadores do estudo indicam que desativar notificações dos celulares e das redes sociais, separar um horário determinado do dia para responder emails e mensagens e estipular horários para realizar tarefas sem quaisquer interrupções são alternativas que funcionam.

 

Uma estudante da Universidade Estadual de São Francisco, que foi voluntária da pesquisa, deu uma boa dica para curtir mais tempo a vida real: quando ela sai com seus amigos, por exemplo, todos eles devem colocar seus celulares no centro da mesa e aquele que pegar o seu celular primeiro é obrigado a pagar a rodada de drinks.

 

Até a própria tecnologia pode te ajudar a ficar mais distante dela. A GALILEU separou logo abaixo alguns aplicativos que têm esse propósito:

 

• Forest (Android e iOS): Você deixaria uma árvore morrer só para dar uma olhadinha no Facebook? Se a sua resposta for não (esperamos que todos digam não!), esse aplicativo é uma ótima opção para você. Ah, pode ficar tranquilo, a árvore é digital. Basicamente, com o Forest, você planta uma árvore e determina o tempo que ela deverá crescer (entre 5 a 120 minutos) e, enquanto você não usar seu dispositivo, a vida dela está garantida. Porém, se o seu vício por tecnologia falar mais alto, ela irá morrer. Caso você consiga completar seu tempo corretamente, você ganha moedas e pode comprar novas árvores a serem plantadas – e também concluir suas tarefas na vida real. É o fim da procrastinação!

• Focus Lock (Android): Se o seu problema são as distrações em redes sociais e a falta de foco, esse software permite que você bloqueie certos aplicativos pelo tempo que desejar.

• Menthal (Android): Já se perguntou quanto tempo você gasta olhando seu celular todos os dias? Esse aplicativo faz essa conta por você e te traz um relatório das redes sociais que você mais usa.

 

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2018/04/vicio

-em-tecnologia-pode-estar-ligado-quadros-de-depressão-e-ansiedade.html.

Acesso em: 15 ago. 2024.

Texto 1

   

Texto 2

 

“A internet e as relações interpessoais”

Adaptado de:

https://www.pderomigao.com.br/ourodetolo/2012/08/os-nerds-na-

vida-rela-a-internet-e-as-relacoes-interpessoais/. Acesso em: 15

ago. 2024.

 

Considerando a compreensão dos Textos 1 e 2, é correto afirmar que

  1. Aas pessoas não conseguem mais perceber o que estão fazendo em demasia.
  2. Bas pessoas que usam aparelhos eletrônicos estão viciadas.
  3. Cé possível inferir uma hipocrisia por parte de quem observa o comportamento alheio.
  4. Dpessoas com relações interpessoais prejudicadas tendem a se isolar e a utilizar frequentemente os dispositivos eletrônicos.
  5. Ea sociedade está habituada a usar os dispositivos eletrônicos digitais, e muitas pessoas estão caindo na armadilha de seu domínio.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — é possível inferir uma hipocrisia por parte de quem observa o comportamento alheio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de Textos: inferência e hipocrisia no comportamento alheio

Gabarito: letra C. A alternativa C é a correta porque o texto permite inferir uma hipocrisia por parte de quem observa o comportamento alheio, especialmente no trecho em que o autor descreve o leitor "preparando-se para alcançar o celular por perto" enquanto lê a notícia sobre o vício em tecnologia. Essa passagem sugere que o próprio leitor, que possivelmente julga o vício alheio, também está imerso no mesmo comportamento, configurando a hipocrisia inferida. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou o contradizem, ou restringem indevidamente seu alcance.

O comando da questão pede que se considere a compreensão dos Textos 1 e 2, ou seja, que se identifique uma afirmação que esteja sustentada pelo que os textos dizem. A alternativa correta não precisa estar literalmente escrita, mas deve ser uma inferência legítima, ancorada em pistas textuais. As alternativas incorretas, por sua vez, ou extrapolam o que foi dito, ou contradizem o texto, ou apresentam uma generalização indevida.

O Texto 1, sobre o vício em tecnologia, descreve o comportamento de interação com smartphones e suas consequências, como a sensação de isolamento e ansiedade. O Texto 2, intitulado "A internet e as relações interpessoais", aborda a relação entre o uso da internet e as relações entre as pessoas. A questão pede uma afirmação que seja correta considerando ambos os textos.

A técnica para resolver esta questão é identificar a alternativa que apresenta uma inferência — ou seja, uma conclusão que não está explícita, mas que pode ser deduzida a partir de pistas do texto. No caso, a alternativa C fala em "hipocrisia por parte de quem observa o comportamento alheio". Essa ideia não está escrita diretamente, mas é pressuposta pelo trecho inicial do Texto 1, que descreve o leitor "preparando-se para alcançar o celular por perto" enquanto lê sobre o vício. O autor sugere que o leitor, que possivelmente julga o vício alheio, também está imerso no mesmo comportamento, configurando a hipocrisia inferida.

"Talvez você esteja lendo essa notícia através de seu celular. Ou talvez esteja passeando por essas primeiras linhas pensando nas possíveis notificações que deverá receber nos próximos minutos, preparando-se para alcançar o celular por perto."

Esse trecho é a âncora da inferência: o autor coloca o leitor como alguém que está, naquele momento, fazendo exatamente o que o texto critica — usar o celular. Isso cria uma ironia e sugere que quem observa o comportamento alheio (o leitor, que lê sobre o vício) também é viciado, o que configura a hipocrisia. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou o contradizem, ou restringem indevidamente seu alcance.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não afirma que as pessoas "não conseguem mais perceber o que estão fazendo em demasia". O texto menciona que "Para alguns, essa interação é tão forte que ficar longe do celular pode gerar a sensação de nomofobia", mas isso não implica que as pessoas não percebam o excesso. A alternativa acrescenta uma informação que não está no texto, generalizando uma percepção que não é sustentada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. O texto afirma que "A necessidade de estar sempre conectado, em alguns casos, é preocupante e pode ser considerada um vício", ou seja, o vício é uma possibilidade para alguns, não para todos. A alternativa diz que "as pessoas que usam aparelhos eletrônicos estão viciadas", o que generaliza o comportamento para todos os usuários, contrariando a ressalva do texto. Além disso, o texto fala em "uso excessivo" e "vício", mas não afirma que todo uso é vício.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Inferência legítima. O texto permite inferir uma hipocrisia por parte de quem observa o comportamento alheio, como explicado acima. A passagem inicial do Texto 1 coloca o leitor como alguém que está usando o celular enquanto lê sobre o vício, sugerindo que quem julga o comportamento alheio também está imerso nele. Essa inferência é ancorada no texto, não é uma extrapolação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que "pessoas que usavam seus aparelhos com mais frequência se sentiam mais isoladas, sozinhas, deprimidas e ansiosas", mas isso não significa que "pessoas com relações interpessoais prejudicadas tendem a se isolar e a utilizar frequentemente os dispositivos eletrônicos". O texto estabelece uma relação de consequência (o uso frequente leva ao isolamento), não de causa (o isolamento leva ao uso). A alternativa inverte a relação de causa e consequência, contradizendo o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto afirma que "a sociedade está habituada a usar os dispositivos eletrônicos digitais" e que "muitas pessoas estão caindo na armadilha de seu domínio", mas a alternativa diz que "a sociedade está habituada a usar os dispositivos eletrônicos digitais, e muitas pessoas estão caindo na armadilha de seu domínio". A primeira parte é verdadeira, mas a segunda parte — "caindo na armadilha de seu domínio" — é uma interpretação que vai além do texto. O texto fala em "vício" e "dependência", mas não usa a metáfora da "armadilha" nem afirma que a sociedade como um todo está caindo nela. A alternativa generaliza e extrapola o alcance do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inferência de hipocrisia no comportamento de quem observa o vício alheio, exigindo que o candidato perceba a ironia implícita no texto. As demais alternativas são distratores que ou extrapolam, ou contradizem, ou generalizam indevidamente o que o texto afirma.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de interpretação, identifique se a alternativa é uma paráfrase (compreensão) ou uma inferência (interpretação). Para inferências, verifique se há uma pista no texto que a sustente. Se a alternativa exigir que você acrescente informações de fora, ela está errada.

Conclusão: a alternativa C é a única que apresenta uma inferência legítima, ancorada no texto. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou generalizam indevidamente o que o texto afirma. Portanto, o gabarito é a letra C.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qa598620