Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsConjunção
Código
qa598628
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE PR
Ano
2024
Cargo
Aux Adm ( )

Vício em tecnologia pode estar ligado a quadros

de depressão e ansiedade

 

[...]

 

Talvez você esteja lendo essa notícia através de seu celular. Ou talvez esteja passeando por essas primeiras linhas pensando nas possíveis notificações que deverá receber nos próximos minutos, preparando-se para alcançar o celular por perto.

 

Esse impulso, já tão característico de nossa sociedade contemporânea, é o que nos faz interagir nada menos do que 2.617 vezes ao dia, em média, com nossos smartphones. Isso quer dizer que gastamos cerca de 145 minutos (ou duas horas e 25 minutos) tocando, rolando ou pressionando a tela de nossos dispositivos eletrônicos. Para alguns, essa interação é tão forte que ficar longe do celular pode gerar a sensação de nomofobia (pavor de estar distante do aparelho).

 

A necessidade de estar sempre conectado, em alguns casos, é preocupante e pode ser considerada um vício, tal como o uso excessivo de substâncias psico-ativas. É isso que aponta novo estudo realizado na Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia (EUA).

 

“Gradualmente, o comportamento de vício em smartphone forma conexões neurológicas semelhantes às de viciados em opiáceos, como de pessoas que consomem Oxycotin para aliviar dores”, afirmou um dos pesquisadores.

 

Além dos dispositivos eletrônicos, outro vício que pode acarretar em pontos negativos é a dependência pelas mídias sociais.

 

Em uma análise com 135 estudantes da Universidade Estadual de São Francisco, os autores do mesmo estudo avaliaram que pessoas que usavam seus aparelhos com mais frequência se sentiam mais isoladas, sozinhas, deprimidas e ansiosas. De acordo com os cientistas, essas sensações são consequências que surgem quando as interações cara a cara são substituídas por uma comunicação sem linguagem corporal e outros sinais reais.

 

Esses mesmos participantes também mostraram funcionar como multitarefas enquanto estudam, comem, assistem às aulas e consomem algum tipo de mídia. Porém, esse constante número de atividades não permite que seus corpos e mentes tenham tempo para relaxar e se autorregenerar. Segundo os pesquisadores, devido à falta de descanso, todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade, já que a atenção desses estudantes é dividida, e não concentrada.

 

Para os autores do estudo, o vício pelo mundo digital não é culpa dos indivíduos, mas do desejo das corporações e empresas de tecnologia em aumentar seus lucros. Assim, elas investem em ampliar o número de notificações, vibrações e outros alertas em celulares e computadores e concentrar nossa atenção ali, acionando os mesmos caminhos cerebrais que antes funcionavam fazendo alertas de perigo iminente, como ataques de animais. “Porém, agora, somos dominados por esses mecanismos que antes nos protegiam e garantiam nossa sobrevivência para consumir informações triviais”, avaliou o pesquisador.

 

Mas há uma saída para tudo isso. Assim como podemos regular nossa alimentação, também podemos encontrar mecanismos para diminuir nosso vício em dispositivos eletrônicos.

 

Os pesquisadores do estudo indicam que desativar notificações dos celulares e das redes sociais, separar um horário determinado do dia para responder emails e mensagens e estipular horários para realizar tarefas sem quaisquer interrupções são alternativas que funcionam.

 

Uma estudante da Universidade Estadual de São Francisco, que foi voluntária da pesquisa, deu uma boa dica para curtir mais tempo a vida real: quando ela sai com seus amigos, por exemplo, todos eles devem colocar seus celulares no centro da mesa e aquele que pegar o seu celular primeiro é obrigado a pagar a rodada de drinks.

 

Até a própria tecnologia pode te ajudar a ficar mais distante dela. A GALILEU separou logo abaixo alguns aplicativos que têm esse propósito:

 

• Forest (Android e iOS): Você deixaria uma árvore morrer só para dar uma olhadinha no Facebook? Se a sua resposta for não (esperamos que todos digam não!), esse aplicativo é uma ótima opção para você. Ah, pode ficar tranquilo, a árvore é digital. Basicamente, com o Forest, você planta uma árvore e determina o tempo que ela deverá crescer (entre 5 a 120 minutos) e, enquanto você não usar seu dispositivo, a vida dela está garantida. Porém, se o seu vício por tecnologia falar mais alto, ela irá morrer. Caso você consiga completar seu tempo corretamente, você ganha moedas e pode comprar novas árvores a serem plantadas – e também concluir suas tarefas na vida real. É o fim da procrastinação!

• Focus Lock (Android): Se o seu problema são as distrações em redes sociais e a falta de foco, esse software permite que você bloqueie certos aplicativos pelo tempo que desejar.

• Menthal (Android): Já se perguntou quanto tempo você gasta olhando seu celular todos os dias? Esse aplicativo faz essa conta por você e te traz um relatório das redes sociais que você mais usa.

 

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2018/04/vicio

-em-tecnologia-pode-estar-ligado-quadros-de-depressão-e-ansiedade.html.

Acesso em: 15 ago. 2024.

Texto 1

   

Texto 2

 

“A internet e as relações interpessoais”

Adaptado de:

https://www.pderomigao.com.br/ourodetolo/2012/08/os-nerds-na-

vida-rela-a-internet-e-as-relacoes-interpessoais/. Acesso em: 15

ago. 2024.

 

No seguinte excerto do Texto 1: “Segundo os pesquisadores, devido à falta de descanso, todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade, já que a atenção desses estudantes é dividida, e não concentrada.”, o trecho em destaque indica

  1. Auma consequência das ações anteriores.
  2. Buma justificativa de ações futuras.
  3. Cum estado vivido pelos estudantes e não tem relação com outra informação.
  4. Duma causa referente à informação anterior.
  5. Euma condição referente à informação anterior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — uma causa referente à informação anterior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de causa: o valor do conectivo "já que" no Texto 1

Gabarito: letra D. O trecho destacado — "já que a atenção desses estudantes é dividida, e não concentrada" — expressa uma causa da informação anterior: é porque a atenção é dividida que as atividades são realizadas sem foco e pela metade. A pista decisiva é o conectivo "já que", que introduz uma oração subordinada adverbial causal, e a relação se confirma pela lógica interna do período, como se lê no próprio excerto.

"Segundo os pesquisadores, devido à falta de descanso, todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade, já que a atenção desses estudantes é dividida, e não concentrada."

O comando pede que se identifique a relação semântica que o trecho em destaque estabelece com o restante do período. Não se trata de compreensão global do texto, mas de análise de conectivos e das relações lógicas que eles instauram — uma questão de coesão sequencial. O verbo "indica" aponta para o valor do conectivo, não para uma inferência livre.

No período, há duas relações de causa encadeadas: a primeira é introduzida por "devido à falta de descanso" (locução prepositiva causal); a segunda, pelo conectivo "já que". A oração "a atenção desses estudantes é dividida" é a razão pela qual as atividades são feitas sem foco e pela metade. Em outras palavras: a atenção dividida causa a execução deficiente das tarefas. A relação é de causa e efeito, e o conectivo "já que" é o marcador típico dessa relação — equivale a "porque", "uma vez que", "visto que".

A técnica para resolver: troque o conectivo por um sinônimo e veja se o sentido se mantém. "Já que" aceita "porque" e "uma vez que" sem alteração de sentido — todos são conjunções subordinativas causais. Se o conectivo aceitasse "portanto" ou "logo", seria conclusivo; se aceitasse "embora", seria concessivo; se aceitasse "se", seria condicional. Essa substituição é o teste decisivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre causa e consequência. No período, a atenção dividida é a causa; as atividades sem foco são a consequência. A alternativa A inverte essa ordem, dizendo que o trecho é consequência — exatamente o erro clássico.

Conectivos
  • 1Causais (porque, já que, uma vez que)
    • Introduzem a razão do efeito
  • 2Conclusivos (portanto, logo)
    • Introduzem o efeito da causa
  • 3Condicionais (se, caso)
    • Introduzem hipótese
  • 4Concessivos (embora)
    • Introduzem oposição
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o trecho indica "uma consequência das ações anteriores". Há uma inversão da relação lógica: o trecho "já que a atenção desses estudantes é dividida" é a causa, não o efeito. A consequência é "todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade". O conectivo "já que" não marca consequência — marca causa. Erro: contradiz o texto (inverte a relação causa-efeito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "justificativa de ações futuras". O trecho não se refere a ações futuras — refere-se a uma situação presente dos estudantes ("a atenção desses estudantes é dividida"). Além disso, "justificativa" é um termo vago: o que o trecho faz é explicar a causa de um estado já descrito, não justificar ações que virão. Erro: extrapola (acrescenta a ideia de futuro que o texto não traz).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o trecho "não tem relação com outra informação". Isso é falso: o trecho está diretamente ligado à oração anterior por uma relação de causa. O conectivo "já que" existe justamente para conectar as duas ideias. Se não houvesse relação, o conectivo não seria usado. Erro: contradiz o texto (o trecho está explicitamente conectado à informação anterior).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o trecho indica "uma causa referente à informação anterior". É exatamente o que ocorre: "a atenção desses estudantes é dividida" é a causa de "todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade". O conectivo "já que" é uma conjunção subordinativa causal, equivalente a "porque", "uma vez que", "visto que". A relação é de causa e efeito, e o trecho destacado é a causa. Correta: ancorada no texto e na função do conectivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "condição referente à informação anterior". Condição é uma relação introduzida por "se", "caso", "contanto que" — indica uma hipótese necessária para que algo ocorra. O trecho não apresenta hipótese alguma: apresenta um fato (a atenção dividida) que causa o efeito descrito. "Já que" não é conjunção condicional. Erro: troca de conceito (confunde relação causal com relação condicional).

Conclusão: a questão testa o reconhecimento do valor semântico do conectivo "já que". A regra de ouro: conectivos causais (porque, já que, uma vez que, visto que) introduzem a razão de um efeito; conectivos conclusivos (portanto, logo) introduzem o efeito de uma causa. Ao identificar o conectivo e testar a substituição por sinônimos, a resposta emerge sem margem para dúvida.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qa598628