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Questão de Português — Vocábulo "Que" — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa598631
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE PR
Ano
2024
Cargo
Aux Adm ( )

Vício em tecnologia pode estar ligado a quadros

de depressão e ansiedade

 

[...]

 

Talvez você esteja lendo essa notícia através de seu celular. Ou talvez esteja passeando por essas primeiras linhas pensando nas possíveis notificações que deverá receber nos próximos minutos, preparando-se para alcançar o celular por perto.

 

Esse impulso, já tão característico de nossa sociedade contemporânea, é o que nos faz interagir nada menos do que 2.617 vezes ao dia, em média, com nossos smartphones. Isso quer dizer que gastamos cerca de 145 minutos (ou duas horas e 25 minutos) tocando, rolando ou pressionando a tela de nossos dispositivos eletrônicos. Para alguns, essa interação é tão forte que ficar longe do celular pode gerar a sensação de nomofobia (pavor de estar distante do aparelho).

 

A necessidade de estar sempre conectado, em alguns casos, é preocupante e pode ser considerada um vício, tal como o uso excessivo de substâncias psico-ativas. É isso que aponta novo estudo realizado na Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia (EUA).

 

“Gradualmente, o comportamento de vício em smartphone forma conexões neurológicas semelhantes às de viciados em opiáceos, como de pessoas que consomem Oxycotin para aliviar dores”, afirmou um dos pesquisadores.

 

Além dos dispositivos eletrônicos, outro vício que pode acarretar em pontos negativos é a dependência pelas mídias sociais.

 

Em uma análise com 135 estudantes da Universidade Estadual de São Francisco, os autores do mesmo estudo avaliaram que pessoas que usavam seus aparelhos com mais frequência se sentiam mais isoladas, sozinhas, deprimidas e ansiosas. De acordo com os cientistas, essas sensações são consequências que surgem quando as interações cara a cara são substituídas por uma comunicação sem linguagem corporal e outros sinais reais.

 

Esses mesmos participantes também mostraram funcionar como multitarefas enquanto estudam, comem, assistem às aulas e consomem algum tipo de mídia. Porém, esse constante número de atividades não permite que seus corpos e mentes tenham tempo para relaxar e se autorregenerar. Segundo os pesquisadores, devido à falta de descanso, todas as atividades são realizadas sem foco necessário e são feitas pela metade, já que a atenção desses estudantes é dividida, e não concentrada.

 

Para os autores do estudo, o vício pelo mundo digital não é culpa dos indivíduos, mas do desejo das corporações e empresas de tecnologia em aumentar seus lucros. Assim, elas investem em ampliar o número de notificações, vibrações e outros alertas em celulares e computadores e concentrar nossa atenção ali, acionando os mesmos caminhos cerebrais que antes funcionavam fazendo alertas de perigo iminente, como ataques de animais. “Porém, agora, somos dominados por esses mecanismos que antes nos protegiam e garantiam nossa sobrevivência para consumir informações triviais”, avaliou o pesquisador.

 

Mas há uma saída para tudo isso. Assim como podemos regular nossa alimentação, também podemos encontrar mecanismos para diminuir nosso vício em dispositivos eletrônicos.

 

Os pesquisadores do estudo indicam que desativar notificações dos celulares e das redes sociais, separar um horário determinado do dia para responder emails e mensagens e estipular horários para realizar tarefas sem quaisquer interrupções são alternativas que funcionam.

 

Uma estudante da Universidade Estadual de São Francisco, que foi voluntária da pesquisa, deu uma boa dica para curtir mais tempo a vida real: quando ela sai com seus amigos, por exemplo, todos eles devem colocar seus celulares no centro da mesa e aquele que pegar o seu celular primeiro é obrigado a pagar a rodada de drinks.

 

Até a própria tecnologia pode te ajudar a ficar mais distante dela. A GALILEU separou logo abaixo alguns aplicativos que têm esse propósito:

 

• Forest (Android e iOS): Você deixaria uma árvore morrer só para dar uma olhadinha no Facebook? Se a sua resposta for não (esperamos que todos digam não!), esse aplicativo é uma ótima opção para você. Ah, pode ficar tranquilo, a árvore é digital. Basicamente, com o Forest, você planta uma árvore e determina o tempo que ela deverá crescer (entre 5 a 120 minutos) e, enquanto você não usar seu dispositivo, a vida dela está garantida. Porém, se o seu vício por tecnologia falar mais alto, ela irá morrer. Caso você consiga completar seu tempo corretamente, você ganha moedas e pode comprar novas árvores a serem plantadas – e também concluir suas tarefas na vida real. É o fim da procrastinação!

• Focus Lock (Android): Se o seu problema são as distrações em redes sociais e a falta de foco, esse software permite que você bloqueie certos aplicativos pelo tempo que desejar.

• Menthal (Android): Já se perguntou quanto tempo você gasta olhando seu celular todos os dias? Esse aplicativo faz essa conta por você e te traz um relatório das redes sociais que você mais usa.

 

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2018/04/vicio

-em-tecnologia-pode-estar-ligado-quadros-de-depressão-e-ansiedade.html.

Acesso em: 15 ago. 2024.

Texto 1

   

Texto 2

 

“A internet e as relações interpessoais”

Adaptado de:

https://www.pderomigao.com.br/ourodetolo/2012/08/os-nerds-na-

vida-rela-a-internet-e-as-relacoes-interpessoais/. Acesso em: 15

ago. 2024.

 

Considerando os Textos 1 e 2, assinale a alternativa em que o elemento em destaque esteja retomando um termo, uma expressão ou uma ideia anterior.

  1. A“Além dos dispositivos eletrônicos, outro vício que pode acarretar em pontos negativos é a dependência pelas mídias sociais.”
  2. B“Os pesquisadores do estudo indicam que desativar notificações dos celulares e das redes sociais, separar um horário determinado do dia para responder emails e mensagens e estipular horários para realizar tarefas sem quaisquer interrupções são alternativas que funcionam.”
  3. C“Será que os ratos não perceberam que é uma armadilha?”
  4. D“Isso quer dizer que gastamos cerca de 145 minutos (ou duas horas e 25 minutos) tocando, rolando ou pressionando a tela de nossos dispositivos eletrônicos.”
  5. E“[...] Se o seu problema são as distrações em redes sociais e a falta de foco, esse software permite que você bloqueie certos aplicativos pelo tempo que desejar.”
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GabaritoA — “Além dos dispositivos eletrônicos, outro vício que pode acarretar em pontos negativos é a dependência pelas mídias sociais.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o pronome relativo "que" e a retomada de termos

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a A, pois nela o "que" é um pronome relativo que retoma o termo anterior "outro vício". Como se lê no trecho: "outro vício que pode acarretar em pontos negativos" — o "que" equivale a "o qual" e retoma "vício". As demais alternativas usam o "que" com outras funções (conjunção integrante, partícula expletiva, conjunção condicional), que não retomam termo anterior.

O comando da questão

O enunciado pede para assinalar a alternativa em que o elemento em destaque (o "que") esteja retomando um termo, uma expressão ou uma ideia anterior. Isso é uma questão de coesão referencial: identificar quando um pronome relativo substitui/retoma um antecedente. Não se trata de interpretação de sentido global, mas de análise gramatical aplicada ao texto.

O que é coesão referencial e o pronome relativo

Coesão referencial é o mecanismo pelo qual um elemento do texto (pronome, advérbio, etc.) retoma outro já mencionado, evitando repetição e garantindo a continuidade. O pronome relativo "que" é um dos principais recursos: ele substitui um termo anterior (o antecedente) e introduz uma oração subordinada adjetiva. Para testar, basta trocar o "que" por "o qual/a qual/os quais/as quais": se a troca for possível e o sentido se mantiver, é pronome relativo.

Já a conjunção integrante introduz uma oração que funciona como sujeito, objeto, etc. (equivale a "isso") e não retoma nada. A partícula expletiva é um realce, pode ser retirada sem prejuízo. A conjunção condicional equivale a "caso".

Análise das alternativas

1Pronome relativo
Retoma termo anterior
Troca por "o qual/a qual"
Ex.: "vício que pode acarretar"
2Conjunção integrante
Introduz oração (equivale a "isso")
Não retoma nada
Ex.: "indicam que desativar"
3Partícula expletiva
Realce, pode ser retirada
Não retoma nada
4Conjunção condicional
Equivale a "caso"
Não retoma nada
"Que" e suas funções
LEVELsoulevel.com.br
"Que" e suas funções: Pronome relativo (Retoma termo anterior, Troca por "o qual/a qual", Ex.: "vício que pode acarretar"); Conjunção integrante (Introduz oração (equivale a "isso"), Não retoma nada, Ex.: "indicam que desativar"); Partícula expletiva (Realce, pode ser retirada, Não retoma nada); Conjunção condicional (Equivale a "caso", Não retoma nada)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Além dos dispositivos eletrônicos, outro vício que pode acarretar em pontos negativos é a dependência pelas mídias sociais."

Aqui o "que" é pronome relativo: retoma "outro vício" e equivale a "o qual". A oração "que pode acarretar em pontos negativos" é adjetiva restritiva, caracterizando o vício. Perfeito exemplo de retomada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Os pesquisadores do estudo indicam que desativar notificações [...] são alternativas que funcionam."

O primeiro "que" (após "indicam") é conjunção integrante: introduz a oração objeto direto de "indicam" (equivale a "isso": os pesquisadores indicam isso). Não retoma termo anterior. O segundo "que" (em "alternativas que funcionam") é pronome relativo, mas a alternativa destaca o primeiro, que é conjunção. Portanto, não atende ao pedido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Será que os ratos não perceberam que é uma armadilha?"

O "que" aqui é conjunção integrante: introduz a oração objeto direto de "perceberam" (equivale a "isso": não perceberam isso). Não retoma nada. Erro: troca de conceito — confunde conjunção integrante com pronome relativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Isso quer dizer que gastamos cerca de 145 minutos [...]"

O destaque é "Isso", que é um pronome demonstrativo e retoma a ideia anterior (interagir 2.617 vezes ao dia). Mas a questão pede o elemento "que" — e o "que" em "que gastamos" é conjunção integrante (equivale a "isso": isso quer dizer isso). Portanto, o elemento destacado não é o "que" e, além disso, o "que" não retoma termo. Erro: foco no elemento errado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Se o seu problema são as distrações em redes sociais e a falta de foco, esse software permite que você bloqueie certos aplicativos pelo tempo que desejar."

O "que" destacado (após "permite") é conjunção integrante: introduz a oração objeto direto de "permite" (equivale a "isso": permite isso). Não retoma termo. O "que" em "tempo que desejar" seria pronome relativo, mas não é o destacado. Erro: troca de conceito.

Conclusão

A única alternativa em que o "que" é pronome relativo e retoma um termo anterior é a A. Nas demais, o "que" exerce outras funções (conjunção integrante, partícula expletiva, etc.) e não há retomada. Dica: ao identificar o pronome relativo, troque por "o qual/a qual"; se a troca funcionar, é retomada.

Gabarito: letra A

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