Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa598689
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE PR
Ano
2024
Cargo
Of Promo ( )

Por que a Suécia desistiu da educação 100%

digital e gastará milhões de euros para voltar

aos livros impressos?

 

Entre os mais ricos do mundo, país vinha, desde a década de

1990, adotando uma estratégia massiva de informatizar os

materiais didáticos e as aulas. Resultados em provas de leitura e

conselhos de órgãos de saúde fizeram novo governo mudar a

postura.

 

A Suécia, único país que, desde a década de 1990, buscou implementar a educação 100% digital nas escolas, voltou atrás e decidiu investir, ao longo de 2023, 45 milhões de euros (cerca de R$ 242 milhões) na distribuição de livros didáticos impressos.

 

A decisão, anunciada em dezembro de 2022 pela ministra Lotta Edholm, caminha na contramão da conduta do governo de São Paulo. Na última semana, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que, a partir do ano que vem, as escolas estaduais paulistas adotarão apenas obras digitais para alunos do ensino fundamental II e do ensino médio. Após repercussão negativa, ele disse que os colégios poderão imprimir o material, se os estudantes solicitarem.

 

A ministra Edholm escreveu, em um artigo no jornal “Expressen”, que a educação 100% informatizada “foi uma grande experiência”, mas que “houve uma postura acrítica [do governo anterior] de considerar a tecnologia necessariamente boa, independentemente do conteúdo”.

 

“Recursos didáticos digitais, se usados corretamente, apresentam certas vantagens, como combinar imagem, texto e som. Mas o livro físico traz benefícios que nenhuma tela pode substituir”, afirmou a ministra.

 

Ao g1, a pedagoga e autora sueca Inger Enkvist, que tem mais de 40 anos de experiência como professora no país europeu, explica que, inicialmente, houve o apoio de parte dos educadores à postura da digitalização massiva, especialmente nos anos 2000.

 

“Só que o vento agora sopra em uma direção oposta, porque pais, professores e empregadores têm a impressão de que os jovens passaram a saber menos”, explica Inger Enkvist.

 

“Os alunos têm atualmente menos capacidade de concentração. Dedicam menos esforço para escrever bem, porque programas de ortografia automática fazem a escrita parecer mais fácil do que é. O principal problema é que o computador também é uma distração”, afirma Enkvist, que também é professora catedrática emérita na Universidade de Lund, na Suécia.

 

Olavo Nogueira Filho, diretor executivo da ONG Todos Pela Educação, reforça, a partir do exemplo europeu, que “países que têm condições de fazer uma digitalização completa não estão indo nessa direção”. “Não é só questão de ter acesso [a equipamentos ou à internet]: é de estratégia pedagógica, é de neurociência”, afirma.

 

Entenda, abaixo, os argumentos do governo sueco:

 

Queda no desempenho das crianças em leitura

 

Os resultados do Pirls 2021 (Progress in International Reading Literacy Study), exame internacional que mede habilidades de leitura de alunos do 4º ano do ensino fundamental (de 9 a 10 anos de idade), mostraram que o desempenho das crianças suecas, ainda que esteja acima da média europeia, piorou entre 2016 e 2022: caiu de 555 para 544 pontos.

 

Para o governo, há uma ligação direta entre essa queda e o uso intensivo de telas nas salas de aula.

 

Lá, o uso do material digital vai além da adoção dos e-books: nos últimos 10 anos, os tablets substituíram os notebooks também para a execução de pesquisas escolares e a escrita de redações.

 

Um questionário de dezembro de 2022, com 2 mil professores do país, mostrou que 1 em cada 5 docentes supunham que seus alunos nunca haviam redigido um texto manualmente.

 

[...]

 

Adaptado de:

https://g1.globo.com/educacao/noticia/2023/08/07/por-que-a-

suecia-desistiu-da-educacao-100percent-digital-e-gastara-milhoes-

de-euros-para-voltar-aos-livros-impressos.ghtml. Acesso em: 15

ago. 2024.

No texto, em “A decisão, anunciada em dezembro de 2022 pela ministra Lotta Edholm, caminha na contramão da conduta do governo de São Paulo.”, o termo em destaque refere-se especificamente

  1. Aà adoção de uma estratégia massiva de informatizar os materiais didáticos e as aulas.
  2. Bà mudança de postura por parte do novo governo, no sentido de decidir retornar e investir em livros didáticos impressos.
  3. Cà implementação da educação 100% digital nas escolas.
  4. Dà adoção de obras digitais para alunos do ensino fundamental II e do ensino médio em São Paulo.
  5. Eà consideração referente à tecnologia e à necessidade de vê-la como boa, independentemente do conteúdo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — à mudança de postura por parte do novo governo, no sentido de decidir retornar e investir em livros didáticos impressos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o referente de “A decisão”

Gabarito: letra B. O termo “A decisão” retoma, por anáfora, a ação expressa no período anterior: a Suécia “voltou atrás e decidiu investir, ao longo de 2023, 45 milhões de euros […] na distribuição de livros didáticos impressos”. A alternativa B é a única que parafraseia exatamente essa mudança de postura do novo governo — retornar e investir em livros impressos. As demais ou apontam para outros referentes do texto ou extrapolam o que o termo pode recuperar.

O comando

A questão pede que você identifique o referente de um termo anafórico: “o termo em destaque refere-se especificamente a”. Isso é uma questão de coesão referencial — não de interpretação livre. Você não deve perguntar “o que faz sentido?”, mas “a que palavra/ideia o texto liga esse termo?”. A resposta está na relação de retomada entre o termo e o que veio antes.

O texto e o movimento argumentativo

O texto narra a mudança de posição da Suécia: de país que adotou a educação 100% digital para aquele que decide voltar aos livros impressos. O trecho-chave é o segundo parágrafo:

“A Suécia, único país que, desde a década de 1990, buscou implementar a educação 100% digital nas escolas, voltou atrás e decidiu investir, ao longo de 2023, 45 milhões de euros […] na distribuição de livros didáticos impressos.”

Logo em seguida vem o trecho da questão:

A decisão, anunciada em dezembro de 2022 pela ministra Lotta Edholm, caminha na contramão da conduta do governo de São Paulo.”

O pronome/expressão “A decisão” retoma anaforicamente o fato de a Suécia ter “voltado atrás” e decidido investir em livros impressos. É isso que a ministra anunciou — a decisão de mudar a postura e retornar ao impresso.

A técnica que decide

Em coesão referencial, o referente é o antecedente imediato que o termo substitui. Aqui, o antecedente é a oração anterior inteira: “voltou atrás e decidiu investir […] na distribuição de livros didáticos impressos”. A alternativa B captura exatamente isso: “mudança de postura por parte do novo governo, no sentido de decidir retornar e investir em livros didáticos impressos”.

As demais alternativas cometem erros típicos:

  • A e C apontam para a estratégia digital (que é o que a Suécia abandonou, não o que “A decisão” anuncia).

  • D fala da conduta de São Paulo (que é o oposto da decisão sueca — o texto diz que a decisão “caminha na contramão” da conduta paulista).

  • E menciona a postura acrítica do governo anterior, que é uma crítica, não a decisão em si.

Coesão referencial
  • 1Anáfora
    • Termo retoma ideia anterior
    • "A decisão" → voltar aos livros impressos
  • 2Catáfora
    • Termo antecipa ideia posterior
  • 3Referente
    • Antecedente imediato
    • Oração anterior inteira
  • 4Erros típicos
    • Apontar para o que foi abandonado
    • Confundir com conduta oposta
    • Extrapolar com opinião crítica
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz que “A decisão” se refere “à adoção de uma estratégia massiva de informatizar os materiais didáticos e as aulas”. Isso é o que a Suécia vinha fazendo desde a década de 1990, mas a decisão anunciada é justamente o abandono dessa estratégia. O texto afirma que a Suécia “voltou atrás” — ou seja, a decisão é contrária à informatização massiva. A alternativa inverte o sentido: trata como referente aquilo que a decisão rejeita.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B afirma que “A decisão” se refere “à mudança de postura por parte do novo governo, no sentido de decidir retornar e investir em livros didáticos impressos”. Isso é exatamente o que o texto diz no segundo parágrafo: a Suécia “voltou atrás e decidiu investir […] na distribuição de livros didáticos impressos”. A expressão “A decisão” retoma esse fato. É a única alternativa que parafraseia fielmente o antecedente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz que “A decisão” se refere “à implementação da educação 100% digital nas escolas”. Isso é o que a Suécia fez no passado, não a decisão atual. O texto diz que a Suécia “buscou implementar a educação 100% digital” — mas a decisão anunciada é voltar atrás dessa implementação. A alternativa confunde o passado com o presente: aponta para a política que está sendo abandonada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que “A decisão” se refere “à adoção de obras digitais para alunos do ensino fundamental II e do ensino médio em São Paulo”. Isso é a conduta do governo de São Paulo, que o texto menciona como contrária à decisão sueca: “caminha na contramão da conduta do governo de São Paulo”. A decisão sueca é oposta à adoção de obras digitais. A alternativa inverte a relação: trata como referente aquilo que a decisão contrasta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que “A decisão” se refere “à consideração referente à tecnologia e à necessidade de vê-la como boa, independentemente do conteúdo”. Isso é a crítica da ministra Edholm à postura do governo anterior: “houve uma postura acrítica […] de considerar a tecnologia necessariamente boa”. Essa é uma opinião sobre a decisão, não a decisão em si. A alternativa extrapola: acrescenta uma avaliação que não é o referente do termo.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de identificar o referente de um termo anafórico. A resposta está no antecedente imediato: a decisão de voltar aos livros impressos. As demais alternativas ou apontam para outros elementos do texto (a digitalização, a conduta de SP, a postura acrítica) ou invertem a relação. Gabarito: letra B.

Link permanente: /questoes/qa598689