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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — INSTITUTO AOCP 2024

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa598724
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE PR
Ano
2024
Cargo
Tec TI ( )

A música (também) faz bem à saúde

 

Não há dúvida: a música tem uma influência positiva

na saúde em geral. Conheça alguns dos benefícios já

comprovados pela ciência.

 

Por Helena C. Peralta

 

A ideia de que a música contribui para o bem-estar da humanidade – e, consequentemente, para a saúde – não é propriamente recente. Aristóteles e Platão, grandes nomes da filosofia grega, falavam dessa importante associação. Platão dizia que “a música é o grande remédio da alma”, e Aristóteles referia que “as pessoas que sofrem de emoções descontroladas, depois de ouvirem melodias que elevam a alma ao êxtase, regressam ao seu estado normal, como se tivessem experimentado um tratamento médico”.

 

Também no Renascimento se acreditava que ouvir os grandes compositores clássicos trazia benefícios ao bem-estar das pessoas que, naquela altura, tinham hipótese de a ouvir. Já nessa época, um médico francês, Louis Roger, escreveu um livro sobre o efeito da música no corpo humano. Ele alertou para a necessidade de se fazer mais pesquisas científicas acerca do tema.

 

Contudo, foi só no final da primeira metade do século XX que os efeitos da música na saúde começaram a ser levados mais a sério. No final da II Guerra Mundial, os músicos foram chamados a diversos hospitais para ajudarem na recuperação das vítimas da guerra. E, a partir de 1944, os Estados Unidos decidiram aceitar a música como uma forma de terapia e formar profissionais de saúde nessa área, tornando-se pioneiros.

 

[...]

 

Qual é, então, o impacto que a música tem na saúde e no bem-estar? Além do óbvio, que se prende com o prazer e o fato de a música estar diretamente ligada à dança, ouvir música regularmente parece beneficiar as pessoas das mais diversas formas. Armando Sena, neurologista, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da obra “Cérebro, Saúde e Sociedade”, é um entusiasta desse tema.

 

Segundo ele, “as alterações decorrentes da música são sobretudo a nível hormonal e de marcadores inflamatórios que se relacionam com o estresse, que alteram o sistema nervoso simpático e parassimpático. Estudos têm demonstrado que a música pode diminuir esses marcadores, já que favorece a resistência ao estresse. O funcionamento do cérebro, por si só, influencia um aumento ou uma diminuição desses marcadores”, explica.

 

Assim, a música reduz o estresse e a ansiedade, pode ajudar a prevenir a depressão, tem a capacidade de controlar os batimentos cardíacos e diminui a pressão arterial. Um estudo levado a cabo na Índia, na Banaras Hindu University, em 2015, por Uma Gupt, que procura a relação da música na recuperação de pacientes com doença coronária, comprova que ouvir música reduz a pressão arterial e os batimentos cardíacos dos doentes.

 

Outra investigação realizada pela equipe de cirurgia cardiotorácica do Hospital Universitário de Orebro, na Suécia, confirma que nos doentes recém- operados os níveis de cortisol no sangue (associados ao estresse) diminuíam mais rapidamente se ouvissem música.

 

[...]

 

Adaptado de: https://www.lusiadas.pt/blog/prevencao-estilo-

vida/bem-estar/musica-tambem-faz-bem-saude. Acesso em: 27 jul.

2024.

Texto 1

   

Texto 2

 

Imagem associada para resolução da questão

Adaptado de: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/06/musica-acalma-ajuda-na-atividade-fisica-e-tambem-pode-aliviar-dores.html. Acesso em: 27 jul. 2024.

 

A expressão destacada em “Um estudo levado a cabo na Índia [...]” (Texto 1)

  1. Apoderia ser substituída por “capitaneado”, sem que isso modificasse o sentido próprio do excerto.
  2. Bremete a um sentido próprio, pois sinaliza a execução de um estudo que fora conduzido até o fim.
  3. Cremete a um sentido próprio, já que aponta para a imprescindibilidade de um estudo desenvolvido com austeridade.
  4. Dremete a um sentido figurado, visto que se constata uma ocorrência de sinédoque, com a substituição de uma ideia abstrata por uma concreta.
  5. Eremete a um sentido figurado, uma vez que se constata uma ocorrência de metonímia ao empregar o termo “cabo”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — remete a um sentido próprio, pois sinaliza a execução de um estudo que fora conduzido até o fim.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido próprio da expressão "levado a cabo"

Gabarito: letra B. A expressão "levado a cabo" está empregada em sentido próprio (denotativo), pois significa "executado", "realizado", "conduzido até o fim" — exatamente o que o texto afirma ao descrever o estudo conduzido na Índia. A alternativa B é a única que capta esse sentido literal, como se lê no trecho: "Um estudo levado a cabo na Índia, na Banaras Hindu University, em 2015, por Uma Gupt, que procura a relação da música na recuperação de pacientes com doença coronária".

O comando da questão

O enunciado pede que você analise a expressão destacada "levado a cabo" e determine se ela remete a sentido próprio ou figurado. Isso é uma questão de denotação × conotação: sentido próprio é o literal, o que está no dicionário; sentido figurado é o que depende do contexto, com desvio do significado básico. Aqui, a banca quer que você perceba que "levado a cabo" é uma expressão cristalizada que, embora tenha origem metafórica ("cabo" = extremidade, ponta), no uso corrente significa simplesmente "realizado", "concluído" — e é exatamente esse o sentido no texto.

O texto e a passagem decisiva

No texto, a expressão aparece em:

"Um estudo levado a cabo na Índia, na Banaras Hindu University, em 2015, por Uma Gupt, que procura a relação da música na recuperação de pacientes com doença coronária, comprova que ouvir música reduz a pressão arterial e os batimentos cardíacos dos doentes."

O contexto mostra que o estudo foi executado, realizado — ou seja, foi conduzido até o fim. Não há nenhum desvio figurado: a expressão funciona como um sinônimo de "realizado". A banca, porém, explora a origem metafórica ("cabo" = extremidade) para tentar convencer o candidato de que há sentido figurado, quando o uso corrente é denotativo.

A técnica que decide

Para resolver, pergunte: a expressão tem sentido literal (próprio) ou exige interpretação figurada? "Levar a cabo" é uma locução verbal cristalizada que significa "executar", "concluir". No texto, o estudo foi levado a cabo = foi realizado. Não há metáfora, metonímia ou sinédoque. A alternativa B está correta porque afirma exatamente isso: "sinaliza a execução de um estudo que fora conduzido até o fim".

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir com a origem etimológica ("cabo" = extremidade) para sugerir sentido figurado, mas o uso corrente é denotativo. Desconfie de alternativas que citam figuras de linguagem sem que haja desvio de sentido no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Quando a questão perguntar sobre sentido próprio × figurado, verifique se a expressão é usada em seu significado literal ou se há transferência de sentido. Expressões cristalizadas como "levar a cabo" costumam ser denotativas no uso corrente.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "levado a cabo" poderia ser substituída por "capitaneado" sem modificar o sentido. Erro: troca de conceito. "Capitaneado" significa "liderado", "comandado" — refere-se à liderança de um grupo, não à execução de um estudo. O estudo foi realizado, não liderado. A substituição alteraria o sentido, pois "capitaneado" não transmite a ideia de conclusão/execução.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B está correta porque "levado a cabo" remete a sentido próprio, sinalizando a execução de um estudo que foi conduzido até o fim. O texto comprova: "Um estudo levado a cabo na Índia... comprova que ouvir música reduz a pressão arterial". O estudo foi realizado — sentido denotativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "levado a cabo" remete a sentido próprio por apontar para a imprescindibilidade de um estudo desenvolvido com austeridade. Erro: extrapolação. O texto não menciona imprescindibilidade nem austeridade. A expressão apenas indica que o estudo foi realizado; não há qualquer juízo sobre necessidade ou rigor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "levado a cabo" remete a sentido figurado, com ocorrência de sinédoque. Erro: contradiz o texto. Não há sinédoque (parte pelo todo) nem sentido figurado. A expressão é denotativa, como já demonstrado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "levado a cabo" remete a sentido figurado, com ocorrência de metonímia ao empregar o termo "cabo". Erro: contradiz o texto. Não há metonímia (substituição por relação de contiguidade) nem sentido figurado. A expressão é denotativa.

Conclusão

A questão testa a distinção entre denotação e conotação. "Levar a cabo" é uma expressão cristalizada com sentido próprio (executar, realizar). A alternativa B é a única que capta esse sentido, enquanto as demais ou extrapolam (C), ou tentam impor figuras de linguagem inexistentes (D, E), ou propõem substituição inadequada (A).

Gabarito: letra B.

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