Questão de Português — Figuras de Linguagem — INSTITUTO AOCP 2024
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa599127
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref Angra
Ano
2024
Cargo
Doc ( )
Um clássico da literatura brasileira, com adaptações para a televisão, o cinema e o teatro, O Meu Pé de Laranja Lima é desses livros que marcam época. Lançado em 1968, trata-se de uma história fortemente autobiográfica, que demonstra a mão de um escritor experiente, ciente do efeito que pode provocar nos leitores com suas cenas e com a composição de seus personagens.
O protagonista Zezé tem 6 anos e mora num bairro modesto, na zona norte do Rio de Janeiro. O pai está desempregado, e a família passa por dificuldades. O menino vive aprontando, sem jamais se conformar com as limitações que o mundo lhe impõe – viaja com sua imaginação, brinca, explora, descobre, responde aos adultos, mete-se em confusões, causa pequenos desastres.
As surras que lhe aplicam seu pai e sua irmã mais velha são seu suplício, a ponto de fazê-lo querer desistir da vida. No entanto, o apego ao mundo que criou felizmente sempre fala mais alto. Só não há remédio para a dor, para a perda. E Zezé muito cedo descobre isso.
A alegria e a tristeza não poderiam estar mais bem combinadas do que nestas páginas. E isso, se não explica, justifica a imensa popularidade alcançada pelo livro.
Adaptado de: AGUIAR, L. A. A literatura de O meu Pé de Laranja
Lima. In: VASCONCELLOS, J. M. O Meu Pé de Laranja Lima. São
Paulo: Melhoramentos, 2019.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Em “O menino vive aprontando, sem jamais se conformar com as limitações que o mundo lhe impõe – viaja com sua imaginação, brinca, explora [...]”, a expressão destacada foi empregada em sentido
Aantonímico.
Bantitético.
Csinestésico.
Dmetonímico.
Emetafórico.
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GabaritoE — metafórico.
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Figuras de linguagem: sentido metafórico em "viaja com sua imaginação"
Gabarito: letra E. A expressão "viaja com sua imaginação" foi empregada em sentido metafórico, pois o verbo "viajar" não tem aqui seu sentido literal (deslocar-se fisicamente), mas sim o sentido figurado de "deixar-se levar pela fantasia", "criar mundos imaginários". Como se lê no texto: "viaja com sua imaginação, brinca, explora, descobre" — a sequência de ações mostra que "viajar" é uma atividade da mente, não do corpo.
O comando da questão é direto: pede que se identifique a figura de linguagem presente na expressão destacada. Isso exige conhecer a classificação das figuras e, principalmente, saber reconhecer quando uma palavra está em sentido conotativo (figurado) ou denotativo (literal). A banca não pergunta o que a expressão significa, mas sim que tipo de figura ela constitui — uma questão de metalinguagem, de nomear o recurso expressivo.
No trecho, o autor descreve o menino Zezé: "O menino vive aprontando, sem jamais se conformar com as limitações que o mundo lhe impõe – viaja com sua imaginação, brinca, explora, descobre". O verbo "viajar" está claramente empregado em sentido figurado: Zezé não pega um ônibus ou um avião; ele viaja com a imaginação, ou seja, transporta-se mentalmente para outros mundos. Essa transferência de sentido — usar uma palavra própria de um contexto (deslocamento físico) em outro contexto (atividade mental) — é a essência da metáfora, que o material de apoio define como "utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra".
A metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo comparativo. Se o texto dissesse "viaja como se estivesse em outro mundo", teríamos uma comparação explícita (símile). Como não há conectivo, e a palavra "viajar" é usada diretamente no lugar de "fantasiar", "imaginar", temos metáfora. É o mesmo mecanismo de "As luzes brilhantes olhavam-me" (luzes = olhos) citado no material de apoio: uma palavra substitui outra por uma relação de semelhança.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre metáfora e metonímia. Ambas são figuras de palavras que envolvem substituição, mas com naturezas diferentes: na metáfora, a substituição se dá por semelhança (aproximação subjetiva, imaginativa); na metonímia, por contiguidade (relação objetiva, de causa e efeito, parte-todo, autor-obra, etc.). "Viajar com a imaginação" não tem relação objetiva de contiguidade — é uma transferência por semelhança de comportamento (quem viaja conhece lugares novos; quem imagina também "conhece" mundos novos).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre metáfora e metonímia. A metonímia exige relação objetiva (parte-todo, autor-obra, causa-efeito), enquanto a metáfora se baseia em semelhança subjetiva. "Viajar com a imaginação" é semelhança, não contiguidade.
PEGA ESSA DICA!
Para distinguir metáfora de metonímia, pergunte: a substituição se baseia em semelhança (metáfora) ou em relação objetiva (metonímia)? Se dá para explicar com "é como se" ou "parece", é metáfora; se dá para explicar com "parte de", "causa de", "autor de", é metonímia.
Figuras de linguagem: Metáfora (semelhança implícita) ("Viaja com a imaginação", Comparação sem conectivo); Metonímia (contiguidade objetiva) (Não é o caso, Parte-todo, autor-obra, causa-efeito); Antítese (oposição de ideias) (Não é o caso); Sinestesia (mistura de sentidos) (Não é o caso); Antonímia (relação de sentido, não figura) (Não é o caso)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Antonímia não é figura de linguagem, mas uma relação de sentido entre palavras de significados opostos (como "bom" e "mau"). A questão pede uma figura de linguagem, e "viajar com a imaginação" não envolve oposição de sentidos. A alternativa tangencia o tema: fala de um conceito da semântica, não das figuras.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Antítese é a figura de pensamento que aproxima palavras ou expressões de sentidos opostos, como "tristeza não tem fim, felicidade sim". No trecho destacado não há oposição de ideias — há apenas a descrição das ações do menino. A alternativa contradiz o texto ao atribuir uma relação de oposição onde não existe.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sinestesia é a figura que mistura sensações de diferentes sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato), como "cheiro doce" ou "cores quentes". No trecho, "viajar com a imaginação" não envolve mistura de percepções sensoriais. A alternativa extrapola ao inventar uma relação sensorial que o texto não apresenta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Metonímia é a substituição por relação objetiva de contiguidade (parte-todo, autor-obra, causa-efeito). "Viajar com a imaginação" não tem essa relação objetiva: não há uma parte representando o todo, nem um autor representando sua obra. A alternativa confunde o mecanismo da metáfora (semelhança) com o da metonímia (contiguidade).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Metáfora é a figura de palavra que emprega um termo em lugar de outro por relação de semelhança implícita. No trecho, "viaja com sua imaginação" usa o verbo "viajar" (deslocamento físico) para expressar a atividade mental de fantasiar — uma transferência de sentido por semelhança, sem conectivo comparativo. O texto confirma o sentido figurado ao listar "viaja com sua imaginação, brinca, explora, descobre" como ações da mente do menino, não do corpo.
Gabarito: letra E. A chave para acertar é reconhecer que "viajar" está em sentido conotativo (figurado) e que essa transferência por semelhança caracteriza a metáfora — não a metonímia, que exige relação objetiva de contiguidade.